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Segunda-feira, 17 de junho de 2024

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ENCONTRO INDÍGENA

Mitologia dos bororo explica o nascimento das estrelas; elas seriam os olhos de indiozinhos

Foto: Hélio Nobre

Mitologia dos bororo explica o nascimento das estrelas; elas seriam os olhos de indiozinhos
Da maneira como se teoriza, a astronomia é uma ciência natural que estuda corpos celestes. Mas e sem esse conhecimento científico da academia, como é que os índios explicam a posição das estrelas, como fazem a leitura do céu?


Lideranças indígenas se aliam a doutor em Física para desenvolver observação astronômica

Esse assunto é pauta do VI Encontro Indígena, que ocorre durante toda essa semana no Museu de Pré História Casa Dom Aquino e que promove a interação entre as comunidades acadêmica e indígena. A partir das 19 horas, o professor doutor do Instituto de Física da UFMT, Denilton Carlos Gaio, vai desenvolver a observação astronômica “Ora Direis, Ouvir Estrelas”, que contará com a participação de lideranças indígenas.

De acordo com muitos estudiosos que estudam a astronomia indígena, ela se constrói especialmente, a partir do conhecimento que os pajés desenvolveram sobre o céu. Há muitos pesquisadores que se dedicam à astronomia dos índios brasileiros e assim, eles revelam como é feita a orientação dos pontos cardeais, da religiosidade, do culto aos mortos, das estações do ano.

O pajé Helinho, da etnia bororo - cujo nome em sua língua é Kurugugoe Eiga – conta por meio da assessoria do evento uma história muito bonita sobre seu povo. O texto abaixo está sintetizado e adaptado:

“Era uma vez uma aldeia bororo. Há muitos anos, mas muuuiiitooo tempo atrás, as mulheres saíram para o mato enquanto os homens tinham saído pra caça. No mato, as mulheres descobriram o milho, que até então não conheciam e passaram a se alimentar dele, diariamente. Depois, voltavam para a aldeia e nada diziam sobre o milho aos seus homens.

Essa situação foi continuando indefinidamente por muito tempo, um tempo em que ainda não havia estrelas no céu. Os homens desconfiaram de algo, pois a caça estava ruim e eles voltavam para a aldeia sempre famintos e nada tinham para comer. Já as mulheres, retornavam para a aldeia com a fome saciada. Os homens, finalmente, descobriram sobre o milho.

Nesse meio tempo, as crianças da aldeia, que ficavam sozinhas, ficaram chateadas e pediram a um beija-flor, que levasse um cipó bem comprido e o amarrasse no céu. Subiram as crianças por esse cipó para o céu, mas, as mulheres que retornaram para a aldeia viram o cipó e também foram subindo atrás das crianças.

A última criança, porém, cortou o cipó, e as mulheres que subiam despencaram do céu. As que conseguiram se segurar nas árvores, sem transformaram em macacos, quatis etc. As que caíram no chão se tornaram animais terrestres, como a paca e a cotia.

Pouco tempo depois, as crianças, lá do céu, começaram a observar seu povo na terra e seus olhos brilhavam no ambiente celestial. Seus olhos brilhavam como as estrelas e foi assim, segundo a mitologia dos bororo, que surgiram as estrelas”


SERVIÇO

O VI Encontro Indígena que chega ao terceiro dia, reúne representantes de pelo menos oito etnias indígenas e tem levado ao local centenas de pessoas diariamente. O ingresso para a participação custa cinco reais mais 1 kg de alimento não perecível. O Museu Dom Aquino fica na Avenida Beira Rio, à beira Rio, próximo ao estacionamento da Universidade de Cuiabá. Mais informações pelo telefone 3634 4858.


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