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Funcionária de padaria de Cuiabá saiu do Haiti com a esperança de ser modelo no Brasil

Da Redação - Isabela Mercuri

10 Jun 2017 - 08:30

Foto: Rogério Florentino Pereira / Olhar Direto

Najeda Redon nasceu em Porto Príncipe

Najeda Redon nasceu em Porto Príncipe

Najeda Redon, 23, nasceu em Porto Príncipe, capital do Haiti. Desde criança, sempre via as mulheres nas capas das revistas e sonhava em ser como elas: uma modelo fotográfica. Metade de sua família se mudou para os Estados Unidos, mas ela tinha ouvido falar que São Paulo, no Brasil, era a capital da moda. Perdida na gigante cidade cosmopolita, veio parar em Cuiabá, onde vive há um ano, estuda português e trabalha como caixa de uma padaria. O sonho, no entanto, não morreu.

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Dona de um olhar marcante e uma fotogenia certeira, ela soube que tinha ‘jeito para a coisa’ por meio dos elogios. “As pessoas me diziam que eu era bonita, que tinha cara de modelo. Decidi tentar”, conta, em seu português estreante.

Ela chegou ao Brasil em 2016, sozinha, e ficou uma semana em São Paulo. “A cidade era muito grande, eu pensei que ali não seria vista. Tinham muitas outras meninas iguais a mim”, lembra. Sua próxima parada foi a interiorana Rondonópolis, onde foi encontrar uma amiga que também tinha vindo do Haiti. Lá, no entanto, não existiam aulas de português para estrangeiros, então ela viajou os 219km e desembarcou na capital.

Como a família de Najeda, apesar de não ser rica, não passar dificuldades, seu pai sempre lhe mandou dinheiro. “Mas eu queria ser independente, e o que ele manda também é muito pouco”. Seu primeiro trabalho em Cuiabá foi de trançar cabelos afro, o que fazia em um salão que abriu com um amigo. De lá, ela passou a ser operadora de caixa em uma padaria da capital, onde trabalha até hoje, diariamente, com uma folga por semana.

Experiência

Quando ainda morava no Haiti, Najeda trabalhou no aeroporto para a companhia JetBlue e também com produção de fotos e vídeos. A mãe dela – que faleceu em 2013 – sempre lhe pediu que buscasse outra profissão. O pai, por outro lado, apoiava.

“Quando trabalhei na produção eu vi que gostava daquilo, que queria para a minha vida”, lembra. Najeda chegou a ilustrar uma campanha do Ministério da Cultura e do Ministério do Turismo do Haiti, como modelo, e teve uma foto sua levada por um fotógrafo haitiano até a França, para uma competição.

Desde que chegou ao Brasil, ainda não conseguiu nenhum trabalho como modelo, mas já fez alguns ensaios. Ela participou, por exemplo, do projeto fotográfico ‘Haiti: Novos Cuiabanos’, idealizado pela cineasta Glória Albuês, e foi fotografada por Rai Reis.

Enquanto trabalhava no salão de beleza, ela conheceu também a bailarina Aline Fauth e, por meio dela, o projeto ‘Sou o que desejo’, da fotógrafa Rafaella Zanol. “Eu vi as fotos que ela fez e disse que queria também”.

Agora, Najeda busca novas oportunidades. Pensando em fazer faculdade de letras, ela confessa que as coisas aconteceram de forma mais difícil do que ela esperava. “Eu ainda estou pensando no que fazer, se fico aqui ou volto, porque eu tinha um bom trabalho no Haiti, mas é meu sonho. Só espero crescer”, afirma.

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