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“Já vi baiano chorar ao comer”, diz alagoano que vende acarajé em Cuiabá

Da Redação - Vitória Lopes

16 Dez 2017 - 10:22

Foto: Rogério Florentino Pereira/Olhar Direto/Reprodução

“Já vi baiano chorar ao comer”, diz alagoano que vende acarajé em Cuiabá
Através de um carrinho estacionado em um chão de brita, no Bairro Bela Vista, Marcos Matas apresenta a mistura do “centro-oeste com o nordeste”. Entre panelas de ferro e cheiro de azeite de dendê no ar, o alagoano vende o tradicional acarajé feito no ato do pedido, especiaria única em Cuiabá.

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Sentado no banquinho do seu comércio e atendendo um cliente no celular, Marcos conta que é natural de Maceió, e veio para a capital mato-grossense em março. Ele, que é formando em administração de empresas, decidiu percorrer 2.966,2 km e deixar o mar em busca de um mercado mais propício. Como ele mesmo explicou, “vender acarajé no nordeste é como chover no molhado”.

Enquanto bate a massa do feijão-fradinho com cebola e sal, o homem desmitifica a origem do acarajé. Muitos acreditam ser de origem baiana, mas na verdade, é africana. O acarajé é elemento central da cultura afro-brasileira e também do candomblé.

De acordo com ele, no nordeste quem geralmente produz os bolinhos são praticantes da religião de matriz-africana, que são as filhas de Iansã (as baianas) ou filhos únicos, no caso de homens. O quitute se tornou, assim, uma oferenda a esses orixás.

“É mais uma identidade, é a cultura negra. É uma identidade das nossas origens. Eu acho que a maioria das pessoas ligada à cultura negra deveria ter conhecimento sobre o acarajé, como foi que chegou, de onde veio e porque se vendia o acarajé”, explica. Além da confluência das regionalidades, o espaço também é ecumênico, já que pessoas de todas as religiões frequentam o local.

Marcos trouxe a receita o mais tradicional possível, que ele aprendeu sozinho. “Do jeitinho que se fazia acarajé no começo, eu to fazendo aqui em Cuiabá. Desde criança eu conheci assim, e eu gosto dessa originalidade. Eu disse que se eu for pra lá [Cuiabá], teria que vender do jeito que se fazia antes. Nada de distribuir com ou sem mais ingredientes”, conta.

Os principais ingredientes vêm direto de Maceió, como o azeite de dendê e o camarão. Há ainda o vatapá e caruru, para recheio. Sendo uma palavra composta da língua ioruba, “acará” significa “bola de fogo” e “jé”, “comer”´. Ou seja, “comer bola de fogo”. Portanto, sobre a pimenta, que é clássica na gastronomia nordestina, Marcos adverte que numa escala de 0 a 10 de ardência, a dele está no sete.

Inclusive, a pimenta é um dos temperos que conquistou sua clientela. Majoritariamente composta de nordestinos ou descendentes, eles se emocionam ao encontrar a iguaria a quilômetros de distância da terra natal.

“Eu já vi baiano chorar aqui, porque tinha tempo que não comia acarajé. E quando viu que era tão bom quanto o que eles estavam acostumados a comer na Bahia, eles choram. Principalmente a pimenta, porque cuiabano não tem costume de comer muita pimenta aqui (risos)”, conta Marcos, que chega a andar com pimenta no bolso porque as daqui são “colírios pros olhos”.

Mas para aqueles que não gostam de pimenta ou camarão, há opções de carne seca e frango desfiado com queijo. Aliás, o bolinho é feito na hora do pedido. Ainda batendo a massa, pergunto quanto tempo demora o preparo, e Marcos dispara “normalmente é rápido, mas é que eu estou conversando com você... (risos)”.

Ele então se levanta, põe a massa pra fritar e explica o processo para montar o acarajé. Sobre o futuro, o homem revela que planeja vender mais petiscos de origem nordestina inéditos para a cidade, como sururu, massuru, casquinha de siri e queijo coalho.

“O acarajé é a porta de entrada. As pessoas se identificam e comem”. E logo entra uma cliente natural do Piauí, que chega pedindo logo cinco, dando início as vendas do final da tarde de Marcos.
 
Serviço

Endereço: Rua 14, nº 24, bairro Bela Vista (atrás do Pantanal Shopping)
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