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queda nas vendas

Bancas de jornal se reinventam para sobreviver e proprietários cobram incentivos à leitura do Governo

Da Redação - Fabiana Mendes

27 Jan 2018 - 08:17

Foto: Rogério Florentino Pereira/ Olhar Direto/Ilustração

Banca Popular se mantém há cerca de 30 anos em uma região nobre de Cuiabá

Banca Popular se mantém há cerca de 30 anos em uma região nobre de Cuiabá

Com queda no faturamento desde a chegada da internet, concorrência com supermercados e drogarias que passaram a ofertar os mesmos produtos, proprietários de bancas de revistas e jornais buscaram alternativas para manter a renda e continuar com o negócio aberto. Elas passaram a oferecer outros produtos e acabaram se tornando uma mini conveniência. Os pequenos empresários associam a queda nas vendas à falta de incentivo à leitura.

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A Banca Popular se mantém há cerca de 30 anos em uma região nobre de Cuiabá. Com 10 anos sob comando da bacharel em direito, Alessandra Oliveira e o marido Alexsandro Malaquias, o local, adquirido com dívida, se reinventou. “Eu peguei com dívida e fechada, sem nada de produto para vender. E até chegar tudo, tinha algumas coisas que já estavam até vencida. Pois tem revistas que vencem, algumas não. Foi cerca de dois meses para irmos cativando os clientes sãos poucos”, lembrou Alessandra.
 
A concorrência, internet, assinatura de revistas virtuais são alguns dos fatores que ocasionaram declínio nas vendas. No entanto, Alessandra garante que uma porcentagem do seu público é fiel. “O meu público gosta de ler. Eu trabalho muito com materiais de colecionador, HQ’s e mangá”.
 
Ambos os proprietários, também associam à queda nas vendas com falta de incentivo à leitura por parte do Executivo Municipal e Estadual. Eles também relacionam a falta de procuras em bancas, pela atual facilidade de encontrar alguns produtos em supermercados e drogarias.
 
Alessandra diz que para atrair novos clientes procurar oferecer um mix de produtos como, por exemplo, na banca é possível encontrar suco, refrigerante, sorvete expresso e até brinquedos. “Eu não trabalho só com revistas, tem sorvete. Se você ver minha banca ela é diferente das outras. Eu já coloco a geladeira de refrigerante na visão. Tenho também mix de brinquedos”.

Para este ano, a empreendedora pretende ir além. “Ano que vem pretendemos abrir uma mini biscoiteira bomboniere dentro da própria banca”, revelou ao Olhar Conceito.


Alessandra Oliveira e o marido Alexsandro Malaquias, ambos proprietários da Banca Popular. 

Um dos piques de venda do comércio foi o ano de 2014, durante a Copa do Mundo. Alessandra lembra que chegou a vender quase R$ 100 mil somente de figurinhas da copa. “Vinha gente de Cuiabá e até do interior. Cheguei a enviar revistas para fora”, comemorou.
 
O ano da Copa do Mundo, também foi muito bom para Arlindo Miguel Soares. Ele é dono Banca Oliveira, que fica localizada na Avenida Filinto Muller. Segundo Arlindo, que está no local há quase uma década, o seu maior número de vendas aconteceu em 2014. “O fluxo de pessoas era maior. Tinha turistas que compravam figurinhas, revistas, recarga de celular, foi neste período que senti. Mas depois veio a crise política, impeachment da Dilma, ai afetou todo mundo, acredito que não fui só eu”.


Arlindo Miguel Soares, dono da Banca Oliveira. 

O microempreendedor que saiu do interior do Estado e veio para a capital, disse que a queda nas vendas também foi influenciada pela falta de incentivo cultural. “Eu acredito que falta incentivo à cultura. Quando troca de governador e prefeito eles debatem muito, mas na prática, quando assumem, eles não veem esse lado de cultura e turismo. E isso acaba afetando, pois se você observar quase não tem Banca de Revista. Para sobreviver você tem que focar em outras coisas, como sorvete, refrigerante. Acaba virando uma mini conveniência, pois depender só da revista é difícil”, lamentou Arlindo.
 
Jorge Kodi é um dos que resistem equilibrando-se na corda. Por três anos foi proprietário de uma banca em um shopping da capital. Mas, segundo ele, por conta do aluguel deixou o local e abriu a Banca dos Concursos que fica na Praça Alencastro — região central de Cuiabá.

A Banca dos Concursos vive um impasse judicial. Em uma das reformas da Praça Alencastro às bancas foram retiradas e alocadas na lateral — onde permanecem até hoje. Porém, segundo ele, o local possui um dono, que está na Justiça tentando a posse da área. Por conta disso, ele não possui Alvará de Publicidade, e não pode colocar o nome do local na fachada.
 
Jorge também sentiu uma queda nas vendas. Consequentemente, ele procurou uma forma de conseguir manter o seu comércio. Ele se especializou em apostilas para concursos públicos. Conforme explicou ao Olhar Conceito, anterior à crise, vendia cerca de 50 revistas da Veja semanais. Hoje ele deixou de fazer pedidos na editora. “Antigamente eu pegava de 30 a 50 revistas Veja e vendia tudo em uma semana. Depois comecei a pegar 10 e já não vendia tudo. Hoje eu deixe de pegar”, disse.
 
“Jornal local vendia de 15 a 20 por dia. Hoje em dia, pego três e ou quatro, mas não vende mais. Eu vendia jornal de fora, mas não vendo mais”, relatou ele, que começou a oferecer outros produtos para atrair os clientes. “Comecei a colocar outras coisas. Coloquei refrigerante, água, balas”.
 
Com a tradicional Banca 14 Bis não foi diferente. Há 30 anos em uma Praça no bairro Quilombo, a proprietária Maria Azevedo disse que precisou colocar novos produtos para continuar lucrando. Quando começou no ramo — ainda como funcionária, ela mal imaginava que iria assumir o local com seu marido Maurilio Esperidiano da Silva.
 
“Nos começamos como funcionários, foi passando o tempo e compramos, onde estamos até hoje. Já estávamos no ramo e não tínhamos estudo, decidimos trabalhar por conta própria”, afirmou.


Maria Azevedo e o marido Maurilio Esperidiano da Silva são donos da Banca 14 Bis. 

Ela também ressaltou que vem enfrentando uma queda nas vendas desde à chegada da internet. Mas também comemora o fato de ter um pequeno público fiel. Hoje as vendas são bem menores, mas dá para sobreviver. Temos os clientes de muitos anos. “Depois que surgiu a internet, tudo diminuiu”, lamentou.
 
A proprietária da Banca Popular disse que tentou criar uma associação para lutar pelos interesses em comum dos comerciantes da área, porém não obteve sucesso e acabou desistindo.
 
A Lei complementar nº 004, de 24 de dezembro de 1992, institui o ‘código sanitário e de posturas do município, o código de defesa do meio ambiente e recursos naturais, o código de obras e edificações e dá outras providências.
 
De acordo com as disposições, em especial as contidas no capítulo II - Dos Logradouros Públicos, as bancas poderão vender: jornal, revista, livro de bolso, flâmula, álbum, figurinha, almanaque, cartão postal, cartão de natal e similares, guias e plantas da cidade e de turismo, selo, ficha para telefone público, pequenos adesivos plásticos contendo mensagens e figuras de natureza cívica, cultural, educacional, desportiva, assistencial ou religiosa, publicação em fascículo e periódico de sentido cultural, científico, técnico ou artístico, inclusive elemento áudio-visual que os acompanhem ou integrem, desde que não possam ser vendidos separadamente.
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