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Terça-feira, 26 de janeiro de 2021

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Cuiabania revive dias de glória com reinauguração do Museu da Imagem e do Som

Da Redação - Isabela Mercuri

06 Jun 2018 - 11:08

Foto: Olhar Conceito

Cuiabania revive dias de glória com reinauguração do Museu da Imagem e do Som
A cuiabania se reuniu, em uma noite gelada, para ver de perto a reabertura do Museu da Imagem e do Som (Misc), que aconteceu na última terça-feira (5). Mesmo com os termômetros marcando menos de 20ºC, algo raro na capital mato-grossense, e uma fina garoa caindo, o auditório montado no meio da rua, entre a Voluntários da Pátria e a Engenheiro Ricardo Franco, no coração da cidade, estava lotado de pessoas ansiosas para ver o resultado de quase três anos de reformas.

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O Misc estava fechado desde 2015.  Sua restauração faz parte do Projeto ‘PAC Cidades Históricas’, e é feita em uma parceria do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) com a Prefeitura de Cuiabá.

“Entregar o MISC hoje é conversar com o passado, preparando um futuro de glórias para nossa capital. Uma capital que marcha para os 300 anos orgulhosa da sua história, da sua gente, da garra do seu povo. Quando assumimos a Prefeitura tínhamos um compromisso claro com a população cuiabana que é do resgate do Centro Histórico”, afirmou o Prefeito Emanuel Pinheiro, durante a inauguração. “Aqui começou tudo. Nascemos daqui e daqui nos transformamos no celeiro do nosso país. Daqui nos transformamos e criamos grandes personagens que fizeram história no nosso estado. Daqui saiu Joaquim Murtinho, Dante de Oliveira, Eurico Gaspar Dutra, e tantos homens e mulheres que fizeram a nossa história e que nos orgulharam com nomes de renome nacional e internacional. Nosso compromisso é resgatar essa história de homens e mulheres dignos, honrados, que escreveram a mais bela história da melhor e mais atraente capital do Brasil, que é a nossa tricentenária Cuiabá”, completou.

Emanuel Pinheiro (Foto: Olhar Conceito)

Representando a da presidente nacional do Iphan, Katia Bógea, o Diretor do Departamento de Projetos Especiais do instituto, Robson de Almeida, participou da cerimônia e elogiou o sentimento de pertencimento dos cuiabanos em relação à cidade. “Eu consigo notar, em Cuiabá, um sentimento de pertencimento muito forte. As pessoas amam o patrimônio. Então é só uma questão de ajuste, pra que a gente tenha verdadeiramente esse centro totalmente requalificado. Eu estava notando que até existe um termo específico pra esse sentimento, que é a ‘cuiabania’. Isso é muito forte, e pro Iphan é muito valoroso. São poucos os lugares que tem esse sentimento tão forte como eu posso ver aqui”.

Robson de Almeida (Foto: Olhar Conceito)

Gilberto Nasser, secretário de estado de cultura, concordou. “Este pedaço, para nós, pulsa tão forte quanto o coração cuiabano. Chegando neste pedaço nós sentimos o ritmo do rasqueado, ouvimos as melodias das violas de cocho, entramos na dança com as nossas culturas de siriri e cururu. E este espaço, esse casarão nos remete às lembranças mais profundas da nossa cuiabania. E dentro desse casarão, agora, esta guardada a nosas memória em imagem e som”.

Nasser (Foto: Olhar Conceito)

Francisco Vuolo, secretário de cultura, esporte e lazer do município, se disse feliz com a reinauguração e afirmou que sua vontade é que o museu seja um espaço vivo. “Nós queremos um museu vivo. Queremos um museu ativo. E por isso o Museu da Imagem e do Som abre hoje com duas salas de exposições itinerantes”.

Vuolo (Foto: Olhar Conceito)

De volta com tudo

O Museu da Imagem e do Som (Misc) reabriu com três exposições, além de uma apresentação do projeto ‘Piano Gente’, o auditório, espaço com 40 lugares, com exibições de vídeos, uma sala com computadores ligados à internet, com todas as imagens digitalizadas de seu acervo, e as salas que contam a história do rádio, da música e do cinema em Cuiabá. Lotado, o espaço mostrava a que veio e prometia reviver tempos antigos, em que era um dos ‘points’ do Centro Histórico.

Projeto Piano Gente (Foto: Olhar Conceito)

Uma das exposições era de um acervo do ator e humorista Liu Arruda. Roupas, perucas e acessórios deste, que foi um dos ícones da história cuiabana, ficam em uma das salas do térreo. No andar de cima, os visitantes também podem ver vestuário, troféus, fotografias e vídeos do premiado grupo de siriri ‘Flor Ribeirinha’, que, na noite de terça-feira (5), também estava lá dançando.

Foto: Olhar Conceito

Ao lado desta sala, o moçambicano Hermínio Nhamtumbo traz as esculturas da exposição ‘Mulher Flor’. Ele, que está em Cuiabá a convite do Instituto das Mulheres Negras, com parceria com o IFMT, ministra uma série de oficinas para povos quilombolas.

Hermínio Nhamtumbo (Foto: Olhar Conceito)

“Moçambique e Brasil tem um laço histórico por causa do tempo da escravatura, e alguns dos nossos antepassados vieram pra cá. Então essa obra [me] identifica, como moçambicano, um cidadão, e também [quer] resgatar os momentos passados, que é a cultura, é muito importante. Um povo sem cultura é um povo perdido”, disse.

Hermínio também comemorou fazer parte da reinauguração do museu. “É importante que o povo conheça sua história. Se um povo não conhece sua história, vai ter dificuldades de distinguir quem ele é e quem ele será no futuro”.

Homenagens

Foram homenageados na reinauguração nomes de pessoas que fizeram a diferença para a história do museu: Eurípedes Vicente Andreato, Nenê Andreato (in memorian), fotógrafo que doou seu acervo ao museu, Lázaro Pappazian , ‘Chau’ (in Memorian), também fotógrafo, e que dá nome ao MISC, Carlos Alberto Rosa, criador do MISC, e Aníbal Alencastro, cinéfilo.

Aníbal é aposentado da Secretaria de Planejamento, foi professor, e escreveu um livro sobre os anos dourados no cinema em Cuiabá. Dono de diversas relíqueas, como equipamentos antigos de cinema, que doou ao museu, ele se declara um apaixonado.
“Sou apaixonado por cinema, sempre fui. Tanto que isso me levou a escrever um livro. Eu conto, num livro chamado Anos Dourados do Nosso Cinema, [que] nos anos antecedentes, 50, 60, Cuiabá era muito ligado ao cinema. A gente via jornais na tela, via futebol na tela, então cinema era o ponto de encontro dos cuiabanos. Nessa época a gente não tinha a televisão ainda. O rádio tinha mas não aparecia muito, o bom era o cinema, o pessoal se trajava com ‘chiquê’ pra ir ao cinema, então era muito importante”.

Na sala de história do cinema no Misc, onde Aníbal se sente em casa, está, por exemplo, o primeiro projetor do Cine Teatro de Cuiabá, e um ‘proxinoscópio’, brinquedo que deu origem ao cinema. Quem quiser entender mais sobre essa história, é só ir até lá conversar com ele. “Eu acho que o MISC, primeiro pela localização na área histórica, tem muita procura, durante o dia a visitação é intensa de turistas, estudantes. Até fazemos agendamento com as escolas e eu dou palestras, eu falo, é muito bacana. Estou sempre interado com o povo. Nosso acervo é muito rico, nós falamos sobre cinema, sobre a rádio, e temos muita coisa boa sobre fotografias, temos um acervo de fotografia muito rico”, finaliza.

Aníbal Alencastro (Foto: Olhar Conceito)

PAC Cidades Históricas

A restauração da Misc faz parte do Projeto ‘PAC Cidades Históricas’. O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) é uma “iniciativa do governo federal coordenada pelo Ministério do Planejamento que promoveu a retomada do planejamento e execução de grandes obras de infraestrutura social, urbana, logística e energética do país”. 

Por isso, o projeto recebe verba do Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, em parceria com a Prefeitura de Cuiabá. A capital mato-grossense foi a única cidade do estado a entrar no projeto, e o valor calculado de todas as obras seria de R$ 10,49 milhões. 

No Brasil, o PAC Cidades Históricas está presente em 44 cidades de 20 estados, totalizando R$1,6 bilhão em investimentos em 424 ações. O Programa é uma linha exclusiva do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), criada em 2013 para atender os sítios históricos urbanos protegidos pelo Iphan, proporcionando a revitalização das cidades históricas, a restauração dos monumentos e a promoção do patrimônio cultural, com foco no desenvolvimento econômico e social e no suporte às cadeias produtivas locais.
 
Restauração em Cuiabá:

Casarão de Bém-Bém - Escola de Música
Casa Barão de Melgaço - IHGMT
Casarão Irmã Dulce - Iphan
Casarão Rua Voluntários da Pátria esquina Eng. Ricardo Franco - Museu da Imagem e do Som
Casarão Rua Sete de Setembro - Casa do Patrimônio
Casarão a Rua Pedro Celestino, 79 - Escritório de Gestão do Centro Histórico
Casarão a Rua Pedro Celestino, 16 (esquina com a Rua Campo Grande – Creche)
Casarão a Rua Pedro Celestino, s/n - Posto Municipal de Apoio à Policia Militar
Casarão da Funai
Igreja Senhor dos Passos

Ainda seriam requalificadas: 

Praça Dr. Alberto Novis
Praça Caetano de Albuquerque
Praça Largo Feirinha da Mandioca
Praça Senhor dos Passos
Entorno do Casarão do Beco Alto à Rua Pedro Celestino
Praça do Rosário

Serviço

O Museu da Imagem e do Som (Misc) continua funcionando de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h. Para visitas de grupos escolares, a coordenação orienta que se agende dia e horário, pelo telefone 65 3615-1288.

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