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Segunda-feira, 17 de junho de 2024

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Fotógrafo e consultor em ecoturismo critica apoio do Trade à pesca esportiva

Foto: Reprodução / AgroNews Brasil

Fotógrafo e consultor em ecoturismo critica apoio do Trade à pesca esportiva
*Por desatenção na correção do autor da Carta Aberta de Protesto ao Trade Turístico de Mato Grosso Aynore Soares Caldas publicou-se o nome de três antigas empresas parceiras de trabalho.

 
Peço desculpas pelo erro e afirmo que as opiniões externadas, são as visões técnicas individuais  do Guia Naturalista Aynore Soares Caldas e que o acontecido não se repetirá! Terei mais atenção nos próximos textos, segue assinatura abaixo com as devidas correções".
 

O consultor em turismo de aventura e eco turismo, detetive, fotógrafo e guia Aynore Soares Caldas publicou uma carta aberta de protesto, endereçada ao Trade Turístico, criticando o apoio dado à pesca esportiva e a união feita com a Federação de Pesca Esportiva. Recentemente, a Federação se manifestou a favor da ‘cota zero’ em Mato Grosso do Sul, e pediu a mesma medida em Mato Grosso. O argumento era da defesa do meio ambiente.

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Em sua carta, no entanto, Aynore criticou essa visão, afirmando que a pesca esportiva não resolve o problema. “Os animais que passam pelo "pesque e solte" sofrem graves ferimentos físicos, estresse intenso e, em muitos casos, morte. Muitos peixes vítimas do "pesque e solte" morrem. Alguns morrem durante o processo, mas muitos outros morrem depois”, afirmou.

Além disso, o consultor criticou a postura dos próprios pescadores. “Os pilotos são treinados para instruir os pescadores esportivos a recolherem o seu lixo? E os pescadores esportivos; que pilotam as suas próprias embarcações trazem o seu lixo de volta? O que é feito com os dejetos sólidos dos barcos hotéis que desenvolvem a atividade? O setor da pesca esportiva sempre conflitou com o ecoturismo; vejo essa pseudo "união" como incoerente e um risco estratégico ao turismo de natureza”, disse.
Para Aynore, o ideal é que se crie a Federação de Turismo e Ecoturismo do estado de Mato Grosso, para que, segundo ele, se aumente o número de turistas, principalmente estrangeiros, e se ajude a proteger o meio ambiente.

Leia a íntegra da carta:
 
CARTA ABERTA DE PROTESTO AO TRADE TURÍSTICO DE MATO GROSSO

 
Acreditamos no ecoturismo de base sustentável, como instrumento de conservação ambiental, manutenção das comunidades tradicionais brasileiras e também como garantia dos direitos humanos.

O Brasil tem atualmente uma visitação estimada em pouco mais de 6,5 milhões de turistas estrangeiros por ano. Parece muito, mas o número é extremamente baixo se considerarmos o seu tamanho continental e a variedade de atrações e belezas naturais. Perdemos, por exemplo, para a cidade de Osaka, no Japão, que recebe anualmente cerca de 8,4 milhões de visitantes estrangeiros.

O Brasil nos últimos dez ficou para trás entre os 40 países que mais recebem visitantes estrangeiros, segundo dados da Organização Mundial de Turismo (UNWTO). Nações como África do Sul (10,2 milhões), Austrália (8,8 milhões) e Tailândia (35,4 milhões) – que estão localizadas praticamente tão distantes quanto o Brasil dos EUA e da Europa, os grandes principais centros emissores de turistas – recebem mais estrangeiros.

As chegadas de turistas estrangeiro cresceu 7% no mundo em 2017 se comparado ao ano anterior, a maior alta desde a crise financeira mundial de 2008, o turismo no Brasil aumentou somente 0,6% no mesmo período, segundo a UNWTO.

Especialistas avaliam que, entre os motivos para um país com tanta diversidade de destinos "escorregar" no turismo mundial estão as manchetes negativas no exterior; a péssima divulgação internacional; a terrível falta de preparo e infraestrutura para receber os estrangeiros e o alto custo da viagem. Brasil como um todo, está em um estágio de maturidade "anão" ao de outras nações menores na indústria do turismo.

Países estrangeiros costumam dar conselhos aos viajantes em seus sites, seguindo recomendações dos seus Ministérios de Relações Exteriores. O da Alemanha,  informa que "o risco de se tornar vítima de um assalto ou outro crime violento é significativamente maior no Brasil do que nos países da Europa Ocidental" e que algumas cidades maiores como Manaus, Belém, Cuiabá, Salvador, Fortaleza, São Luiz, Maceió, Rio de Janeiro e São Paulo "têm altas taxas de criminalidade" e que "a cautela é apropriada, mesmo em partes do país e de cidades consideradas seguras".

O que impede o aumento do número de visitantes internacionais no país é o custo total da viagem. Os alemães,  pagam, por exemplo cerca de 600 euros para voar durante o verão europeu para Bangcoc, num trajeto que dura cerca de 11 horas.  Para São Paulo, no mesmo período, a viagem de cerca de 12 horas custa normalmente 1 mil euros. Além da passagem, o custo de hotéis, entrada em atrações, transporte e alimentação na Tailândia é bem menor do que no Brasil.

A capital Mato-Grossense, Cuiabá recebeu em 2018 o primeiro selo Prodetur + Turismo do Centro-Oeste. O ex ministro do Turismo, Vinicius Lummertz, fez a entrega do documento que garante prioridade na tramitação da linha de crédito para o prefeito da cidade, Emanuel Pinheiro ( envolvido em escândalo de corrupção) e ainda permanece no cargo.. O projeto apresentado, no valor de R$ 300 milhões, tem como objetivo impulsionar o turismo regional por meio de obras de infraestrutura turística. O montante supostamente será investido em sinalização viária e turística da cidade, a Linha Verde de Acesso Turístico e a revitalização do Morro da Luz e construção da torre dos 300 anos.

Os valores solicitados fazem parte de uma linha de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no total de R$ 5 bilhões, o Programa Nacional de Desenvolvimento e Estruturação do Turismo (Prodetur+Turismo). O montante ainda está disponível para estados, municípios e empresários que querem investir no turismo, apesar de estarmos já no ano de 2019 e sob o comando de um novo governo federal que não se preocupa muito com as questões do setor turístico e ambiental nomeando um "Ministro" do Turismo chafurdado em denuncias de corrupção e lavagem de dinheiro. Em apenas 47 dias de gestão, Bolsonaro autorizou a entrada de 54 agrotóxicos no mercado brasileiro – mais de um produto licenciado por dia. A última, de 11 de fevereiro, foi publicada no Diário Oficial da União pelo Ministério da Agricultura. São 19 produtos, dos quais 12 classificados como extremamente tóxicos.

Os estados da Amazônia, Pará, Tocantins, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul vem se destacando no ecoturismo, mas ainda são estados da federação fortemente comandado pelos coronéis do agronegócio.

O turismo e todas as suas categorias (ecoturismo, turismo aventura etc..) só irá crescer, quando elegermos assim como o agronegócio vereadores, deputados estaduais, deputados federais e senadores pressionando e fazendo lobby. As grandes agências de turismo de Mato Grosso, hotéis vem reajustando vossos tarifários de acordo ao índice da inflação, mas em quanto isso o valor das diárias pago aos guias de turismo está defasado.

Tenho acompanhado recentemente, através das mídias sociais o debate se parte; do trade turístico deve se unir a Federação de Pesca Esportiva! Sendo a pesca esportiva; de grosso modo praticada por membros do setor do agronegócio como pode se constatar em terras Pantaneiras. Além do que quando realizamos observação de fauna, em rios pantaneiros ou amazônicos os pescadores esportivos são os que mais nos atrapalham com gritos e algazarra devido ao alto nível de embriaguez somada a falta de educação e dispersão de lixo como latinhas de cerveja.

Outro questionamento é: os pilotos são treinados para instruir os pescadores esportivos a recolherem o seu lixo?

E os pescadores esportivos; que pilotam as suas próprias embarcações trazem o seu lixo de volta?

O que é feito com os dejetos sólidos dos barcos hotéis que desenvolvem a atividade?
O setor da pesca esportiva sempre conflitou com o ecoturismo; vejo essa pseudo "união" como incoerente e um risco estratégico ao turismo de natureza.

Quando comecei trabalhar com turismo, de observação de fauna em rios me ensinaram; tem um barco pescando reduz-se a velocidade e vai para a direção oposta.
E eles nos respeitam? Falam baixo? Mantém a distância correta da onça ou qualquer outro animal? Resumindo respeitam os nossos avistamentos?

Não! São os que cometem os maiores erros; principalmente quando são os donos das próprias embarcações que estão pilotando. Já perdi a conta, de quantos avistamentos de onça - pintada foram perdidos quando barcos de pescadores esportivos se aproximaram.

E vocês colegas? Não sou hipócrita postos de trabalho são gerados; além da maior movimentação da economia local mais a que preço hein!
 
No andar da carruagem estaremos em processo de união, com a Federação Nacional de Caça! Seria uma boa opção.
 
A grande maioria dos peixes é perfurada na mandíbula pelo anzol. A mandíbula é uma região sensível, portanto os peixes sentem muita dor quando são fisgados nesse ponto. Em outros casos, eles não são pegos pela boca, mas por outras partes do corpo. Podem ocorrer ferimentos nos olhos, gargantas, entranhas, entre outras regiões. Os anzóis também podem ser farpados, aumentando assim os danos que causam. Algumas vezes, os anzóis são até mesmo engolidos pelos peixes.

Ser fisgado pelo anzol já causa muita dor. Os animais também são puxados para a superfície, onde não podem respirar. Em consequência, eles começam a ficar sufocados de maneira semelhante a um ser humano debaixo d'água. Embora o senso comum possa nos dizer que os peixes estão sofrendo nessas situações, avaliações científicas do que acontece quando eles são fisgados também nos fornecem evidências.

Um importante trabalho científico, de Steven J. Cooke e Lynne U. Sneddon, explica que peixes nessa situação manifestam o que chamamos de respostas primárias e secundárias ao estresse. O estresse primário ocorre quando peixes capturados liberam catecolaminas (hormônios ad-renais). As respostas secundárias incluem desequilíbrios nos músculos brancos e alterações hematológicas (sangue).

Ambientalistas e donos de empreendimentos de pesca têm defendido a prática conhecida como "pesque e solte", de forma que o número de animais nas populações de peixes não caia significativamente. Entretanto, essa prática também é prejudicial aos peixes. Os animais que passam pelo "pesque e solte" sofrem graves ferimentos físicos, estresse intenso e, em muitos casos, morte. Muitos peixes vítimas do "pesque e solte" morrem. Alguns morrem durante o processo, mas muitos outros morrem depois. Os pescadores podem pensar que a maioria sobrevive, por três motivos:
 
1) eles não veem os peixes morrendo, pois a morte ocorre quando já estão de volta à água
2) desejo ilusório,
3) faz sua prática parecer mais aceitável. A realidade é que muitos desses peixes morrem devido aos ferimentos. Os peixes também podem morrer devido ao estresse que sofrem, ou pela diminuição do oxigênio e acúmulo de ácido lático, o que ocorre quando lutam para se libertar. As redes usadas para tirar peixes da água podem causar perda de mucosa, rompimento das nadadeiras e perda de escamas. O manuseio pelos pescadores prejudica-os da mesma maneira.
Então fica a pergunta! Por que não criar a Federação de Turismo e Ecoturismo do estado de Mato Grosso?
 
Autor:



Saudações Ambientais,
 
        Aynore Soares Caldas
Consultor em Turismo Aventura e Eco Turismo - Operações Especiais de Resgate -  Fotógrafo - Especialista em Segurança Pessoal - Guia de Turismo
Desenvolvimento de Roteiros de Aventura - Fotografia - Gestão da Segurança no Turismo Aventura - Cicloturismo - Observação de Aves - Mergulho - Expedições -Análises de Segurança - Controle de Riscos - 

 

Ródovia 251 km 75 - Jamacá - Chapada dos Guimarães - MT - Brasil
Cep: 78195-000
14.535.153\0001-48
Skype: aynore 2
Celulares: + 55 65 98121-9371\999-449295\ 99272-3577 
 
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