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“Não fui o primeiro da lista e nem serei o último”, diz empresário ao fechar o Clube de Esquina

Da Redação - Isabela Mercuri

04 Mai 2019 - 08:50

Foto: Reprodução / Facebook

Clube de Esquina

Clube de Esquina

Quinze anos de história acabaram junto com o mês de abril. Na última sexta-feira (26), o Clube de Esquina abriu as portas pela última vez, com uma apresentação de Roberto Lucialdo & Banda Viola de Cocho. Segundo o proprietário, José Ricardo Paes de Barros, 59, a crise que se arrasta há quase quatro anos foi a principal motivadora da decisão, e não vai atingir somente seu negócio.

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“Eu não fui o primeiro da lista e nem serei o último, pode acreditar. Nós temos uma confraria de donos de casas noturnas, e eu não posso falar nomes, mas nestes próximos trinta dias vão fechar mais dois, três. Acabou o dinheiro, não tem carro na rua. É que quem tem salário não percebe... a percepção de quem sobrevive de salário, tem emprego, é funcionário público é diferente das empresas”, confessou ao Olhar Conceito.

O bar era um dos mais antigos da capital em funcionamento. Em sua história, guarda diversos tributos, shows de rock, apresentações de bandas regionais e bailes de carnaval, incluindo os ‘bailes de máscara’, que aconteciam no passado.

Segundo Zé Ricardo, como é conhecido, esta é a ‘maior crise do Brasil’. “Eu vou fazer 60 anos. [Normalmente] a crise dura um ano, um ano e meio... essa já tem quatro anos, e todo mundo que está no ramo fica acreditando que vai acabar, e vai tentando segurar, porque já passou por outras. Mas quatro anos ninguém segura”, lamenta.

Sobre os comentários dos que não são do ramo, ele conta que já ‘virou piada’ entre os comerciantes: “Tem gente que não é do ramo que fala ‘ah, porque você não reformou... não pintou, essa cor está velha...’; ‘você escolheu banda errada’... E a gente morre de rir quando a gente se reúne, porque todo mundo escuta a mesma coisa: ‘Você tem que mudar o tempero...’. Quem não é do ramo tem a percepção de consumidor. E o consumidor quer coisa de primeira e pagar o mínimo. Não sabe quanto custa um funcionário”.

Agora, o empresário pretende mudar de ramo definitivamente. Vai trabalhar na construção civil, e não quer voltar com a casa, nem mesmo se a situação melhorar – o que ele acredita que demora para acontecer. “Eu estou otimista que vai melhorar. Mas ninguém aguenta esperar ano que vem. E sem a reforma da previdência não altera nada, não muda o Brasil”, declara. “15 anos é muito tempo. [Agora] deixa pras pessoas mais jovens. É uma das casas mais longevas da noite, e esse ano eu faço 60 anos... não está mais na hora de mexer com a noite não”, finaliza.

87 comentários

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  • Jair
    14 Mai 2019 às 21:41

    Essa crise é em razão do sucateamento que estão fazendo com servidores públicos do poder executivo Estadual, salário atrasado,sem a devida correção, ou seja, todos estão padecendo.

  • Karvalho
    08 Mai 2019 às 09:36

    O pai não é deputado mais nem tem mais poder para fazerem rada de amigos. No bar do filho . Vaca magra

  • Wallace Silva
    07 Mai 2019 às 02:58

    Shopping Estacção derruba um boteco de 100 anos, normal, vai la e confere o que tem de ruim.

  • Rui C Schneider
    06 Mai 2019 às 22:48

    O Brasil quebrou, agora chegou a CONTA, graças as desgraçadas gestoes do Pt e MDB

  • wagner rosati
    06 Mai 2019 às 19:32

    Acho q perdeu a identidade...tem crise? Tem, mas acredito que seria possivel levar...qnd o bar perde identidade, perde o publico, que n sabe mais se eh um bar de pagode/samba ou de rock...

  • Lourival
    06 Mai 2019 às 14:28

    Crise? Vá nos bares da praça popular ou perto das faculdades da av. beira rio, TODO FDS LOTADOS. Cuiabá tem um público festeiro, quem é bom no ramo ganha dinheiro.

  • Slash do CPA
    06 Mai 2019 às 13:40

    Esse bar começou a quebrar quando pararam de apresentar Rockn Roll e colocar outro tipo de música que ninguém liga, tipo samba de raiz, pagode, MPB... só uns gatos pingados curtem isso, né.

  • ZE NINGUEM
    06 Mai 2019 às 13:04

    QUEBROU PORQUE QUIS "AGRADAR" AS MODINHAS.......... TINHA UM PUBLICO QUE GASTAVA, COM BOM GOSTO, QUE GOSTAVA DE BOA MUSICA E IA SEMPRE.............. AI, ABRIU AS PORTAS E MUSICAS PARA O SERTANEJO E MUSICAS DESCARTAVEIS..................... O PUBLICO CATIVO PAROU DE IR, E OS NOVOS FORAM E DEPOIS PROCURARAM OUTRAS "MODINHAS".............. PRONTO! FALEI!

  • CUIABAZIM
    06 Mai 2019 às 11:40

    fui apenas uma vez neste bar, não tenho do que reclamar ( o que era a proposta dele "bar de rock" foi cumprida) agora que posso falar é do ramo da construção, não quero te desaminar meu amigo a " coisa não ta muito legal" se for esse seu pensamento vai trocar seis por meia-dúzia... o BRASIL esta em uma fase difícil para todos , desde o empresário eo consumidor em geral, vejo isso no dia a dia,ninguem esta com dinheiro sobrando esta é a realidade para o momento. infelizmente

  • Eduardo
    06 Mai 2019 às 10:38

    Sabemos que a alta carga tributária que incide sobre os empresários contribui e muito para casos como este, porém, o empresário deste ramo de atividade conhece os altos e baixos em suas temporadas, e as constantes mudanças do público frequentador, portanto, cabe a este buscar inovar e aprimorar o seu estabelecimento, melhorando desde a estrutura até ao atendimento do público da casa (Banheiros, Acessibilidade, Estacionamento, Sonorização, e segurança), e claro abrir um leque de possibilidades a artistas de outros gêneros, e claro buscar OUVIR seus clientes, seus reclames, e dicas, e não justamente "Achincalhar " com estes, que por sinal foram os que mantiveram esse estabelecimento e tantos outros ainda em funcionamento por tanto tempo. Aquele que não inova, e não escuta os seus clientes, certamente estará fadado ao fracasso. Vida que segue, e que venham novos empreendedores com mais respeito ao público cuiabano.

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