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Colégio Notre Dame de Lurdes

Palestra com doutor em educação explica a necessidade de estimular alunos ao aprendizado além de avaliações

Da Redação - Thaís Fávaro

29 Jul 2019 - 12:02

Foto: Thaís Fávaro/Olhar Direto

Palestra com doutor em educação explica a necessidade de estimular alunos ao aprendizado além de avaliações
O doutor em educação Paulo Tomazinho ministrou na manhã do último sábado (27), no auditório do Colégio Notre Dame de Lurdes, no bairro Cidade Alta, em Cuiabá, a palestra “Repensando o ensino e a aprendizagem”, que aborda metodologias para que os professores consigam prender a atenção do aluno e estimular a aprendizagem correta dos conteúdos exibidos em sala de aula.

A palestra foi voltada para os profissionais de educação e contou com cerca de 100 participantes que aprenderam durante oito horas de curso métodos baseados na neurociência e que apresentam resultados comprovados cientificamente na relação de aprendizado dos alunos, que conseguem absorver o conteúdo de forma correta e não apenas para tirar boas notas nas avaliações.

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Dentista por formação e com dois doutorados na área da educação, Paulo começou a pesquisar sobre os motivos que levam os alunos a terem tanta dificuldade em prestar atenção nos professores em sala de aula, desde a educação infantil até a faculdade. Ele então decidiu pesquisar na literatura cientifica que tipo de metodologias ou abordagens pedagógicas poderiam gerar mais resultados e realmente funcionar para uma qualidade maior no aprendizado dos alunos.

Ele percebeu que a maioria dos métodos encontrados pelos profissionais de educação consistia em preparar uma aula inteira para isso ou até mesmo um conjunto de três na quatro aulas para fazer esse tipo de abordagem e no sistema de ensino do dia a dia não a espaço para essa prática pedagógica.

“Comecei a olhar que dessas centenas de metodologias, separando aquele grupo que funcionam, quais dessas metodologias são simples de utilizar e quais são os princípios da neurociência na aprendizagem, ou seja, como que o cérebro processa aquilo, pra poder entender como que são os padrões e a gente percebeu que nós aprendemos melhor quando a gente faz três coisas, quando a gente conversa, quando a gente faz e quando um ensina o outro, mas não um professor ensinar os alunos, um aluno ensinar o outro”, afirma.

Buscando quais metodologias se baseavam na neurociência, Paulo Tomazinho encontrou desenvolveu um conjunto de estratégias chamadas “Estratégias Assimétricas de Ensino”, que mostram que o ganho de aprendizagem do aluno é desproporcional ao tempo investido em ensino e agora ao invés do professor ter que pensar em uma aula inteira para usar uma metodologia ativa, ele utiliza cerca de dois minutos no inicio da aula, outros dois durante a aula e outros dois minutos ao final, mantendo assim 90% do tempo da sua aula tradicional intacta. Essa estratégia ativa o cérebro e dá um aprendizado significativo para o aluno que absorve o conteúdo e aprende por mais tempo.

Com o advento da internet e da era digital, o acesso à tecnologia, as ferramentas disponíveis na internet e a facilidade de se produzir conteúdo, o palestrante explica que os professores precisam se atentar também a esse universo tecnológico. “O aluno está cada vez mais digital, com cada vez mais acesso a tecnologia e o uso de tecnologia que a média que os alunos fazem basicamente são aplicativos de redes sociais e aplicativos de jogos. Quando o professor pede para o aluno fazer uma pesquisa sobre tal assunto, normalmente ele vai acessar o Google e vai fazer o trabalho com o que encontra na primeira pagina, ou seja, ele lê e entende só que ele não se aprofunda para saber se aquela informação é realmente verdadeira, se tem profundidade”, alerta.

Para Paulo o papel do professor é também desenvolver esse papel de fluência digital e mostrar como realmente utilizar a tecnologia como apoio de aprendizagem. “A gente está em uma era que cada vez mais fácil ter informação, ela está disponível em todo lugar e como tem cada vez mais informação o difícil é saber que informação que interessa e o que fazer com ela”, diz.

Doutor em educação

Paulo Tomazinho é dentista por formação e filho de professores. Após a morte do pai ele decidiu trilhar seu caminho voltado para a educação, se especializou e começou a dar aula. Mesmo com os elogios da coordenação da faculdade onde ministrava as aulas e os seus alunos sempre tirando boas notas, Paulo se sentiu incomodado ao perceber que os alunos apenas “decoravam” o conteúdo para se sair bem nas provas, foi então que ele decidiu pesquisar alguns métodos para que os alunos conseguissem de fato absorver os conteúdos ensinados por ele e pelos demais professores.

“Eu ficava extremamente incomodado de ver que duas semanas depois meus alunos já não lembravam mais o conteúdo, que o objetivo deles era só passar na prova, não era aprender para a profissão e isso me fez perder o sono, devido a essa inquietação eu comecei a estudar sobre o assunto e fui para na neurociência para entender como o ser humano aprende e me apaixonei pela neurociência”, conta.

 Paulo fez dois doutorados em educação, um no Chile e outro no Brasil, trabalhou durante dois anos para a Google onde teve a oportunidade de viajar pelo Brasil e acompanhar  diversos profissionais e aumentar seu portfólio. Atualmente ele possui uma empresa de consultoria onde ensina essas metodologias de ensino em escolas e faculdades.

“É uma paixão minha hoje trabalhar com professores porque se a gente pode mudar o pais é através da educação e a educação que muda é o dia a dia na sala de aula, não é através da tecnologia, não é o quadro, não é o tablet, não é o celular, é a relação professor com aluno, então cada vez mais eu confio que se a gente quer fazer alguma coisa séria pelo país é preciso levar a educação a sério e para levar a educação a sério tem que levar o professor a sério”, afirma.
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