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Designer de MT já ensinou a reconstruir faces de vítimas de tsunamis na Malásia

Da Redação - José Lucas Salvani

08 Set 2019 - 14:16

Foto: Reprodução/Arquivo pessoal.

Designer de MT já ensinou a reconstruir faces de vítimas de tsunamis na Malásia
O morador de Sinop (a 481 km de Cuiabá), Cícero Moraes, já deu treinamentos para malasianos aprenderem a reconstruir faces de vítimas de tsunamis que atingem o país. Profissional da área desde 2014, ele já reconstruiu 68 rostos históricos e religiosos.  Seu mais recente trabalho é a múmia Iret-Neferet, de mais de 2 mil anos.

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O curso foi ministrado durante a terceira semana de agosto com os profissionais da área forense de Kuala Lumpur, capital da Malásia, a pedido do governo local. O treinamento durou seis dias e visou passar aos malasianos técnicas de reconstrução que serão utilizadas para a identificação vítimas de tsunamis.

Cícero, de verde, junto aos malasianos. Foto: Arquivo Pessoal.
Cícero, de verde, junto aos malasianos.

Cícero é reconhecido internacionalmente pelo seu trabalho desde 2014, quando reconstruiu o rosto de Santo Antônio. Essa reconstrução, inclusive, é uma das mais memoráveis para ele, justamente pelo reconhecimento que lhe foi dado. “[A que mais me marcou foi] Santo Antônio. Saiu matéria no Fantástico, na Itália. A partir daquele momento o pessoal ficou conhecendo mais o trabalho. Foi bem interessante”, conta o profissional ao Olhar Conceito

O reconhecimento não parte somente internacionalmente, como também no próprio Brasil. Nas próxima semanas, Cícero estará embarcando para Natal (RN), em parceria com o Instituo Médico Legal do município. Na última semana de agosto, ele estava em Uberaba e Uberlândia, dando aulas nas federais do estado de Minas Gerais.

Entre os 68 trabalhos, se destacam também a face de Maria Madalena, Dom Pedro I e da múmia Iret-Neferet, um dos mais recentes. Ele conta que não tem pretensão em reconstruir algum rosto específico, inclusive, porque já aprendeu muito com rostos menos conhecidos, por trazerem “histórias fantásticas.

“Para falar a verdade, eu estou muito satisfeito com o que eu reconstruí. Para mim está ótimo. Estou muito feliz. Às vezes você tem uma pretensão de reconstruir uma figura, mas às vezes você reconstroi uma figura que não é muito conhecida que tem uma história fantástica. Isso já faz eu ficar cheio de alegria, pleno”. 
 

Após assalto

Cícero é natural de Santa Catarina e veio para o estado de Mato Grosso em 1987, com sua família após a morte do pai. Há 32 anos no estado, ele brinca que até se considera mato-grossense. Em 2015, inclusive, ele recebeu o título de Cidadão Mato-Grossense pela Assembléia Legislativa do estado.

O trabalho de reconstrução começou após ter sido assaltado em Sinop, o que resultou em um tiro de raspão na cabeça, mas sem qualquer pretensão de ajudar na prisão dos criminosos. Traumatizado, ele passou a estudar sobre por hobbie, de forma totalmente autodidata.

A iniciativa de reconstruir os rostos partiu dele, inclusive. Cícero explica que entrou em contato com um pessoal da Itália que trabalha para museus e realiza mostras, colocando-se a disposição. Não demorou muito para para que ele fosse contratato pelo Museu de Estudos da Universidade de Pádua, na Itália, para fazer uma reconstrução em 3D do rosto de Santo Antônio.

“É sempre uma alegria e uma honra pelo pessoal confiar e permitir que eu reconstrua faces históricas e religiosas. Isso significa muito na vida das pessoas e cada reconstrução que faço eu entro em contato com a história daquele indivíduo. É uma oportunidade de ampliar a cultura e conhecimento”, conta.

3 comentários

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  • Nonato
    09 Set 2019 às 04:03

    Fantástico esse trabalho....nota muito mais que dez...habilidade mental fora do comum

  • Willian
    08 Set 2019 às 18:41

    Parabéns rapaz. Só me admira ainda continuar morando no Brasil. Esse ainda acredita, ainda mais tendo sido vítima de violência. Lá fora, poderia se aperfeiçoar ainda mais.

  • silvio lopes de moraes
    08 Set 2019 às 17:03

    Excelente trabalho,esse é um orgulho para o Brasil.Parabéns .

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