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Sexta-feira, 06 de dezembro de 2019

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Dia do Compositor Brasileiro: Conheça ‘Guapo’ e ‘João Eloy’, mestres do rasqueado

Da Redação - Isabela Mercuri

07 Out 2019 - 14:06

Foto: Tchélo Figueiredo

Guapo e Eloy

Guapo e Eloy

O Dia do Compositor Brasileiro é comemorado nesta segunda-feira, 7 de abril, e para comemorar, a assessoria da Secretaria de Estado de Cultura apresentou a história de dois ‘mestres’ do rasqueado: Guapo e João Eloy, com uma matéria de Protásio de Morais.

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Até os anos 70, o rasqueado era instrumental, e feito por nomes como Zulmira Canavarros, Mestre Albertino, Tote Garcia e Mestre José Agnello Ribeiro. A geração seguinte, da década de 80, contou com Guapo, João Eloy, Roberto Lucialdo, Pescuma, Mestre Bolinha, Vera e Zuleika, e incorporou letra cantada às músicas.

Mestre Guapo

Mais conhecido como ‘Guapo’, Milton Pereira de Pinho é cantor, compositor, escritor e um dos mais importantes pesquisadores das tradições mato-grossenses, reconhecido – e premiado – como Mestre da Cultura Popular pelo Ministério da Cultura.

Foi ele o idealizador da Rua do Rasqueado, tradicional festival de música popular da Baixada Cuiabana. Além disso, compôs e gravou diversos discos de rasqueado, cantados ou não, e escreveu livros sobre a música em Mato Grosso. Um dos clássicos é “Remedeia Co Que Tem”, em que ele pesquisa a história do rasqueado e outros gêneros músicas e suas evoluções criativas.

“A composição do pré-rasqueado, lá no início do século 20, trazia canções que na verdade, eram siriris tocados em ritmo de rasqueado. Ou mesmo uma polca paraguaia traduzida para o português, apresentando assim uma nova versão tocada e cantada em ritmo de rasqueado, 2x4, mas modulando em 3x4 por causa do contrabaixo”, conta.

Sem letra, as músicas tinham seu significado revelado pelo título, como “Rabelo no Coxipó”, “Manito na farra”, “Lá no bairro do Areão”. A partir de 1993, com a Rua do Rasqueado, começou a se desenvolver um grande número de artistas, como João Eloy, Roberto Lucialdo, Pescuma, Moisés Martins e o próprio Guapo. 

“As letras dessa época até a atualidade, são ufanistas. Ligadas ao cotidiano da Baixada Cuiabana. Geralmente, exaltam nossas tradições, ao falar desde a Ponte do Rio Coxipó até a cabeça de boi da Guia. As temáticas, em sua maioria, envolvem o existir, a aldeia”.

De suas composições, Guapo destaca a “Saranzeiro Velho” (ouça). “Essa música compus em 2004, na região de Santo Antônio do Leverger. Senti uma interação imaginária com um saranzeiro à beira do rio e senti o afastamento das composições com o mundo mítico da nossa cultura, como o Minhocão, Negrinho D´Agua, Pai do Mato e Pé de Garrafa”.

Segundo o compositor, para fazer um rasqueado de sucesso, é preciso marketing. “Pegue as palavras e anseios que as pessoas estão falando e coloque na letra. É algo construído, é como uma receita de comida”.

João Eloy

João Eloy, além de ser conhecido como ‘doutor do rasqueado’, é médico, escritor, poeta, cantor e compositor. Tem 20 discos gravados, seis livros publicados, e faz parte da ‘nova geração’, que conta, ainda, com Vera e Zuleica, Mestre Bolinha, Gilmar Fonseca e Banda Terra.

“Depois que compus a canção 'Engenho Novo', com guitarras distorcidas e com a inclusão de backing vocals (vocais de apoio), o rasqueado ganhou uma cara nova. Essa fórmula lançou uma nova tendência na composição do rasqueado”, orgulha-se.   
Concordando com Guapo, João Eloy afirma que a partir dos anos 1980 “as letras das canções passaram a defender a linguagem e hábitos da nossa gente. O artesanato, a culinária, o Pantanal. Agregamos valor por falar a linguagem do cuiabano, assim, todo se sentem parte do processo”.

1 comentário

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  • Luiz Imperial
    07 Out 2019 às 19:28

    Só uma observação: façam um cursinho de empreendedorismo cultural, pois só vivem de dinheiro público, quando foi que venderam o último cd? Como fazem para formar público pagante? Ser artista bancado pela Prefeitura é fácil, se são tão bons, conquistem, cstivem seu público pelo talento, não pela chapa branca

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