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Sábado, 13 de agosto de 2022

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VIRALIZOU

Conheça a jiboia Gigi, pet de quase três metros que foi flagrada passeando em parque e shopping de Cuiabá

Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto

Conheça a jiboia Gigi, pet de quase três metros que foi flagrada passeando em parque e shopping de Cuiabá
Olhar Conceito visitou o profissional de tecnologia de 37 anos, Viktor Alves Pulcheiro, que ficou conhecido na capital após aparecer passeando no Parque das Águas e no Shopping Pantanal com Gigi, sua jiboia de estimação de quase 3 metros. Ela estava deitada no sofá da sala quando a reportagem chegou no apartamento do tutor. Ele contou que faz outros passeios com a cobra, mas nenhum tinha viralizado pelo país, como aconteceu no último domingo (5).

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Há cerca de dois meses, Viktor comprou a serpente de um criador certificado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais (Ibama). A possibilidade de compra desse tipo de animal está descrita na resolução do 489/2018 do Conselho Nacional do Meio Ambiente. Gigi tem 10 anos e está com ele há aproximadamente de 1 mês e meio, dividindo o apartamento com Tutu, uma jiboia macho.

No dia do episódio que viralizou em todo país, domingo, 5 de junho e dia do meio ambiente, Viktor resolveu dar uma volta “aleatória”, sem muitos motivos, com seu bicho de estimação. “Liguei para um amigo e decidimos leva-la no Parque das Águas”.

O que era para ser só mais um passeio aleatório, serviu para conscientizar as pessoas sobre a criação de animais selvagens e para corrigir, de certa forma, a percepção comum de que os repteis, principalmente as cobras grandes, são peçonhentos e devem morrer.

Logo que chegaram ao Parque das Águas, o amigo de Viktor colocou Gigi no pescoço e, no estacionamento, as pessoas já começaram a se aproximar com curiosidade, pedindo para tirar fotos, tocar e segurar a cobra.

“Chegamos no parque era umas 16h30, 17h. Na hora que chegamos ali no parque, paramos para dar atenção e teve uma hora que olhei para horizonte e só via gente. Aí paramos, deixamos o povo fotografar. Vários fotografaram”.



Depois do espanto causado no Parque, os amigos seguiram para o Shopping Pantanal. Lá, a histeria também foi grande e diversas pessoas se aproximaram com a mesma curiosidade pedindo para fotografar e segurar. Alguns questionaram a Viktor se ele estaria cobrando para fazer os registros.

“Todo mundo em volta querendo pegar, tirar foto, fazendo fila, perguntando se cobrava. - Também não pode cobrar, que isso aí é exploração animal, é crime”, contou.

Questionado sobre suas intenções de ter levado um animal tão grande e incomum de se ter como pet pendurado no pescoço, Viktor disse que foi uma volta aleatória e que sempre passeia com Gigi e Tutu nas segundas e terças-feiras em parques e, principalmente, na sua vizinhança.



“A diferença foi que dessa vez filmaram e mandaram para o Perrengue”, que acabou viralizando a criação doméstica da Jiboia.

Mesmo com curiosos e entusiastas de toda sorte, a presença de Gigi incomodou e algumas pessoas reclamaram à administração do shopping, que convidou Viktor a se retirar do local. Enquanto seguia rumo ao seu carro para ir embora, ele foi acompanhado por aqueles que ainda queriam interagir com e Gigi.

Ele contou à reportagem que essa polarização de opiniões entre os curiosos entusiastas e aqueles que têm medo ou preconceito contra criação de animais silvestres foi importante para gerar debate e incitar a conscientização nas pessoas, para desmistificar o imaginário de violência ou peçonha que envolve os repteis, principalmente as cobras.

“Quando eu cheguei lá, muitas pessoas chegaram, pegaram Gigi e disseram ‘a, eu tenho uma terra no manso, um sítio no pantanal, uma casa em chapada e sempre que vejo eu mato. Pensei que tinha veneno, poderia atacar, então eu matava, mas nunca mais eu vou matar’. Já é uma contribuição”.

“De toda movimentação que fizemos, se uma pessoa conscientizar sobre não matar, já ótimo. Porque ali (entorno do parque das águas) é um local que as pessoas matam jiboias. Vira e mexe eu passo ali e vejo atropelada, pessoal mata. Então assim, foi um dia que o pessoal parou para pensar. As pessoas se manifestaram contra, a favor. Surgiu um debate”, acrescentou.
 
Um pet selvagem

Mas como deve ser criar uma serpente tão grande dentro de casa? Viktor contou que dá muito menos trabalho do que um cachorro, por exemplo. Mesmo sem laços afetivos estabelecidos entre tutor e serpente, ele disse que Gigi é curiosa e que “Eu tô aqui (na sala), ai eu sento ali (no sofá), e ela vem, ela chega, ela procura a gente. Ela procura calor humano. Ela procura, ela abraça, ela vai chegar na cozinha. Ela é curiosa”.

Gigi tem sua caixa que fica localizada embaixo da TV da sala, mas gosta ficar no sofá, que segundo o tutor, já foi empossado por ela. Acostumada com a rotina caseira, a jiboia de três metros é mansa, dócil e nunca se envolveu em casos de acidentes – como por exemplo um bote, estrangulamento ou quaisquer possibilidades de ataque à seres humanos.

“Pela manhã, passa uns 40 minutos, uma hora, ela sai, vai na sacada tomar um pouquinho de sol, depois entra, se estou na cozinha fazendo almoço ela vai pra perto, no quarto ela vai chegando, as vezes em baixo da cama. Ela tá acostumada com essa rotina, com a presença humana”.

Com quase 3 metros de tamanho e 10 anos de idade, Gigi normalmente come coelho, um ou dois a cada sete ou dez dias. “Eu não gosto de dar nada vivo”. A sensibilidade dela está na visão e no olfato, que é muito apurado. Ela capta as informações do ar com a língua.

Viktor pontuou que “a Gigi está muito acostumada, mas eu jamais deixo uma criança sozinha com ela, por exemplo. Ela não vai engolir uma pessoa, ela não engole nem um porquinho porque não dá conta. Mas pode acontecer um acidente dela embolar, abraçar e acontecer um acidente. Mas desconheço acidentes com crianças envolvendo jiboias e a Gigi”.

Apesar de não parecer comum, Viktor disse que em Cuiabá existe um mercado aquecido de criadores de animais silvestres, que inclusive movimentam quantia considerável de dinheiro com impostos. Além disso, adiantou que haverá um encontro entre eles para fomentar esse tipo de criação.

O biólogo, amante e criador de répteis como pets, Felipe Dezzoti, de 41 anos, conversou com a reportagem e explicou que o comportamento de Gigi, uma cobra dócil, mansa e acostumada com pessoas, se assemelha – em linhas gerais – ao comportamento de um pet qualquer.

“Se você leva um cachorro manso para o shopping e ele se sente acuado ou invadido, ele vai reagir, se defender ou acuar. O mesmo acontece com a jiboia”, pontuou.

Sobre as questões burocráticas para se criar um animal silvestre dentro de casa, ele foi assertivo e pontuou que a boa criação independe do espaço. Inclusive pontou que os criadores comerciais credenciados pelo Ibama manejam as serpentes em espaços relativamente pequenos. “Não interfere. O que conta são os cuidados”, finalizou.
 
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