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Quinta-feira, 18 de agosto de 2022

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Orgulho LGBTQIA+

“Eu nunca me imaginei travesti e sendo chamada de doutora”, diz primeira transsexual a integrar OAB-MT

Foto: Arquivo Pessoal

“Eu nunca me imaginei travesti e sendo chamada de doutora”, diz primeira transsexual a integrar OAB-MT
“Eu nunca me imaginei travesti e sendo chamada de doutora”. A declaração é da primeira transsexual a integrar Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso (OAB-MT), Daniella Veyga, nesta terça-feira quando conversou com o Olhar Conceito sobre o Dia Mundial do Orgulho LGBTQIA+, comemorado no dia 28 de junho. Contou ainda um pouco de sua trajetória na advocacia pela ordem.

Para ela, que é advogada, assistente jurídica, defensora dos direitos humanos, LGBTQIA+ e de juventude, que foi também a Rainha da Parada da Diversidade de Cuiabá em 2019 "esse mês serve pra alertar é conscientizar nossa sociedade acerca da violência sofrida por nós, serve para mostra que muitos ainda estão em uma posição de subemprego e de ‘subsociedade’, a cada dia mudamos um pouco mais essa história, e escrevemos um futuro junto, igual e humano para nós”.

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Quando iniciou a faculdade ela já se reconhecia como mulher trans e a ocupação deste espaço foi de grande aprendizado acadêmico para Daniella e de aprendizado social para aqueles que dividiam o dia a dia com ela.
“Meus colegas e professores nunca tiveram um contato tão próximo com uma pessoa trans, mostrar o meu conhecimento de vida, as lutas que travamos na sociedade, inclusive o uso do nome social na universidade foi de grande aprendizado a eles”, disse.
 
Tratando-se da esfera profissional, na OAB, ela teve que conquistar seu espaço aos poucos, incluindo o movimento social no diálogo com a instituição até o dia em que ela própria se tornou parte da ordem. Isso possibilitou que mostrar que sua capacidade independe da sua identidade trans.

“Estar dentro da instância profissional mais respeitada do Brasil é muito importante, é mostrar a nossa capacidade enquanto trans e que nossa identidade não interfere em nossa capacidade intelectual e técnica, eu nunca me imaginei travesti e sendo chamada de doutora”, acrescentou.

Hoje, já ocupando seu lugar de protagonismo no mercado de trabalho da advocacia, Daniella atua no direito civil, “mas sempre com os olhares voltados e atentos aos direitos humanos”. Ela acredita e espera que outras pessoas trans possam chegar onde ela chegou e que as portas estejam sempre “escancaradas para nossa entrada”.

Dentro da OAB, ela explicou que cada estado possui uma comissão de diversidade e que a ordem debate questões que vão além da profissão em si, como por exemplo ações que possam interferir na sociedade em geral, tornando possível a atuação, aos poucos, dos grupos LGBT.

“Aos poucos a diversidade bem ocupando seu espaço nos poderes, quando uma LGBT se movimenta, toda essa sopinha de letrinhas da diversidade também evolui em conjunto”.
 
Para o futuro, Daniella almeja boa colocação no mercado de trabalho, bem como poder usar e desfrutar dos direitos que ano após ano são tirados violentamente dos grupos que integram a sigla. Além disso, tem esperança de que suas conquistas possam espelhar seus pares.

“Desejo que essa conquista não seja somente minha mais de todos os meus pares que lutam diariamente por uma vida digna e sem preconceito”.

Sobre o mês do orgulho, a advogada acredita ser uma data que possibilita reafirmar e demonstrar a luta da população que integra a sigla, merecendo atenção da sociedade no tocante à alertas e conscientizações sobre a violência sofrida pelas pessoas trans, bem como nas posições subalternas da sociedade que ainda são relegadas à essas pessoas.

“Esse mês serve pra alertar é conscientizar nossa sociedade acerca da violência sofrida por nós, serve para mostra que muitos ainda estão em uma posição de subemprego e de ‘subsociedade’, a cada dia mudamos um pouco mais essa história, e escrevemos um futuro junto, igual e humano para nós”, finalizou.
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