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Terça-feira, 18 de junho de 2024

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Amigos expandem produtora LGBTQIA+ para inovar eventos em Cuiabá

Foto: Reprodução

Amigos expandem produtora LGBTQIA+ para inovar eventos em Cuiabá
Uma produtora LGBTQIA+ em Cuiabá que atenda os eventos de entretenimento e também tenha um papel social, proporcionando cultura e movimentos políticos na cidade é um pequeníssimo resumo do que almejam os sócios Victor Hugo Rocha e Vimas, da Proddly, antiga Oddly. Ao Olhar Conceito, os amigos contaram um pouco sobre os planos e produtos que serão ofertados pela empresa de eventos.


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Antes, os sócios tinham o Espaço Oddly, uma casa noturna aberta nos finais de semana. Porém, manter o local exigia um trabalho sem parar e impossibilitava os donos de terem tempo livre para pensar “fora da caixinha” e principalmente, levar a Oddly para outros lugares.

Não apenas isso, caso continuassem no local, teriam que realizar uma reforma para dar uma nova cara ao espaço e manter o espírito de novidade que todos amam.

“Se fôssemos continuar lá no Espaço Oddly esse ano, não teríamos como manter a mesma estética. E também tínhamos muitas restrições por conta dos vizinhos. Do lado do espaço tem um prédio residencial que vivia reclamando do som alto, impossibilitando novos eventos no ambiente externo da casa, que era algo que os clientes gostavam muito”, explica Vimas.

Mas não se engane ao pensar que a decisão dos sócios em fechar o local e não renovar o contrato foi sofrida. Para eles, o “sentimento que temos agora é que foi a melhor coisa que decidimos”.

“É porque agora parece que eu estou tendo mais tempo para ser criativo. E eu consigo dar uma cara de novidade sempre, porque se eu faço um evento sempre em um lugar diferente, quando as pessoas vão, a experiência vai ser de novidade. A casinha foi novidade por um tempo, depois que todo mundo rodou lá, deixou de ser novidade. As pessoas iam porque se sentiam bem lá, se sentiam acolhidas, porque era um lugar tranquilo”, conta Victor Hugo.

Vimas também explica que a melhor maneira de fazer coisas novas sempre é pensar em temas bem trabalhados, onde eles podem realmente “imprimir uma vibe num lugar novo”, enquanto na Oddly era sempre um mesmo formato.

Então, o público LGBTQIA+ de Cuiabá pode esperar muita novidade em 2023 e eventos ricos e diferentes, como festas temáticas e em datas comemorativas. Uma das ideias, além do Carnaval que já conta com um projeto, é fazer uma típica festa junina, com uma estética diferente e atual, mas com várias comidinhas e a tradicional quadrilha.

Outros produtos

Além das festas autorais e em parceria, os sócios irão oferecer o serviço ‘Mobile Pub’, um bar para eventos em geral, com os drinks já conhecidos pela galera. A ideia é atender eventos como aniversários, formaturas, confraternizações, eventos corporativos, entre outros.

“A gente teve uma boa aceitação dos drinks e temos uma pré-produção diferente do que vários bares normalmente utilizam. É um bar de atendimento muito rápido e com uma galera bonita servindo, e tudo isso faz parte da nossa identidade”, explica Vimas.

“Montar um bar é muito difícil e desafiador e a maioria não está pronto ou não quer lidar com isso. Ano passado já realizamos alguns eventos com o nosso bar, como por exemplo, as festas de atléticas universitárias e deu muito certo. Além disso, entramos como uma parceria pois temos nossos meios de divulgação”, complementa Victor Hugo.

Outros produtos serão a continuidade da OddlyWorld, um festival e outras festas com temas como fantasia, Carnaval fora de época, e outros. O primeiro evento realizado fora da Oddly será o Berro, o pré-carnaval da produtora.

“Queremos ter essa linha de frente de festas com temas diferente e a Oddly nos lugares de Cuiabá, como o Beb’s. E entendemos que temos um público e conseguimos levar ele para onde quisermos”, contam os sócios.


 
Cuiabá no mapa

Outra pretensão da Proddly é colocar a cidade no radar do país. Inicialmente, os sócios já estudam realizar eventos no interior de Mato Grosso, em cidades maiores como Rondonópolis e Sinop. Os planos posteriores que podem acontecer no segundo semestre deste ano ou 2024 é realizar festas com parcerias em São Paulo, Rio de Janeiro ou cidades do Sul, como Florianópolis e Porto Alegre.

Para isso, os amigos contam com o apoio do psiquiatra Manoel Vicente, que participou da Casa de Vidro do Big Brother Brasil 23. “Agora com ele, tudo é possível, ele não entrou no BBB, mas ganhou. Ele está em contato com muita gente do meio artístico das grandes cidades e podemos usar essa visibilidade, esse momento dele para realizar nossas festas e divulgar Cuiabá, para conseguirmos trazer artistas para cá e realizar festivais, por exemplo”.

Movimento Social

Um sonho dos amigos é realizar um projeto social que traga um retorno para sociedade, pois não é só sobre festas, é ter respaldo para movimentos políticos e benefícios para o público LGBTQIA+ da baixada cuiabana.

“Estamos numa posição de querer aprender e estudar, mas com certeza as pessoas vão ver a Oddly neste ano seguindo uma linha mais cultural. Um dos nossos sonhos é um projeto, que já estamos trabalhando, de um festival com bilheteria aberta, contando com o apoio do setor da Cultura, incentivos e oficinas”, falam os sócios.

“Não é só sobre festa, o produto final é uma festa, mas queremos trabalhar com oficinas de capacitação, principalmente para o publico LGBTQIA+, as travestis que estão na rua, queremos fazer oficinas para elas aprenderem a fazer um cabelo, tranças, unhas, pois muitas delas já até sabem. Capacitar esse público, fazer essa entrega social e ao mesmo tempo, dentro de festas, trazendo entretenimento, trazendo de novo uma Luisa Sonza, que foi muito aceita aqui”, complementa Victor Hugo.

Como antes não tinham tempo, agora os amigos irão estudar e entender como funcionam os editais culturais e os incentivos públicos.

“Se envolver em frentes que as pessoas sempre cobraram a gente. Nunca estivemos dentro do movimento da Parada Gay em Cuiabá e como não estamos envolvidos? Esse ano, a gente quer entrar com tudo, eu mesmo acho que falta uma movimentação politica mais forte, e não é só ser um evento que as gays vão para rua, vamos para lá para lutar, pois temos direitos, ir atrás de políticas voltadas para o público, porque somos muito desassistidos, principalmente, porque dentro da sigla muitas ficam de fora, e os transsexuais?”, conta Vimas.
 
“A gente quer trabalhar com esse público, nossa frente é essa, de LGBTQIA+ e a Oddly está entrando nesse momento, de querer estudar, porque a gente está falando tudo isso aqui, mas não temos know how, é sonho. Porque as gays de apartamento estão garantidas, mas e as trans, o pessoal da periferia? Então queremos ter um olhar para essa galera, porque são nossos parceiros e temos que fazer uma entrega social urgente e porque queremos muito nos posicionar nesse lugar”, complementa Victor Hugo.

Para Vimas, o sonho maior é conseguir um projeto com verba para proporcionar trabalho e visibilidade para o público. “Queremos buscar o respeito das pessoas que não nos respeitam, pelo menos no nosso cenário de Mato Grosso, de que maneira você mostra que é tão digno quanto um heterossexual, segue um padrão? Com sucesso, com trabalho, fazendo a diferença e acho que é por aí. Eu quero respeito deles, assim como eles tem por pessoas que tem prestígio por fazer um bom trabalho e que seja assim, que a sexualidade não seja colocada em primeira instancia, que você veja a pessoa pelo que ela faz, não só pelo que ela é”.
 
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