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Sábado, 25 de maio de 2024

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Check up, óculos de sol e colírio antes de banho em pet shop: veterinária especialista em oftalmologia dá dicas

Foto: Arquivo pessoal

Check up, óculos de sol e colírio antes de banho em pet shop: veterinária especialista em oftalmologia dá dicas
Muitos tutores de cachorros, gatos ou animais silvestres ainda não sabem da importância do atendimento especializado em oftalmologia, como o realizado pela veterinária Nathalie Dower, única em Mato Grosso com título de especialista do Colégio Latino-Americano de Oftalmologia e do Colégio Brasileiro de Oftalmologia. Apaixonada pela profissão, Nathalie sonhava em ser veterinária desde criança e há dois anos criou o único centro oftalmológico de Mato Grosso. Com a experiência do atendimento clínico, notou que a maioria dos casos são de animais que tiveram "perfurações" nos olhos, ou seja, uma lesão que não foi tratada. 


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Ao Olhar Conceito, Nathalie dá dicas de como evitar o surgimento dos machucados nos olhos de gatos e cachorros para evitar a necessidade de um procedimento cirúrgico, por exemplo. Especializada no atendimento oftalmológico, a veterinária oferece a estrutura necessária desde a primeira avaliação, que é por agendamento, e centro cirúrgico equipado na clínica Dower, no bairro Jardim das Américas, em Cuiabá. 

"Às vezes o tutor faz o tratamento errado de uma lesão ou de uma úlcera, que acaba perfurando esses olhos. Dificilmente acontece por objeto perfurante, é por conta de uma lesão mesmo. Por exemplo, o animal foi para o banho, aí o secador no rosto incomodou, irritou. Ele ficou coçando uns quatro dias, o tutor não observou, porque existem pessoas mais observadoras que outras, que acabam tendo mais esse olhar clínico com o animal. E essa úlcera, que era superficial, pode perfurar o olho". 

Assim como os seres humanos, os pets também precisam passar por consultas oftalmológicas de rotina anualmente. De acordo com Nathalie, é mais comum que sintomas de catarata comecem a aparecer em cachorros por volta dos oito anos, quando já começam a ser classificados como idosos. A partir dos dez, a veterinária ressalta que há necessidade de avaliações semestrais. 

"O clínico geral e até mesmo o tutor às vezes não vão ver alguma alteração que poderia ser tratada inicialmente e não acarretar na perda de visão. O glaucoma, que é o aumento da pressão intraocular é uma delas. Quando isso acontece com a gente, começamos a sentir uma dorzinha de cabeça, sentir a perda visual periférica… Mas o cachorro não fala. Tem animais que vão sentir muita dor e vão demonstrar mais cedo, enquanto outros não vão ter dor e só vão demonstrar quando estiver grave". 

A veterinária explica que não há limitação de idade para realizar a cirurgia de catara. No entanto, o atendimento especializado é essencial para saber se realmente o animal está enxergando. Ela ressalta que muitas vezes, mesmo removendo a catarata, o animal pode permanecer sem conseguir enxergar por conta de problemas na retina. 

Existem exames pré-operatórios que fazemos. Se não é frustrante também para o tutor, né? Imagina querer que o animal volte a enxergar, aí a gente opera ele sem exame nenhum e ele não volta a enxergar? Então existem esses exames que podemos fazer para vermos se vale a pena operar independente da idade. Realmente a catarata aparece a partir dos oito anos… Com, 16, 17 ou 20 anos, desde que o check up geral aponte que está tudo bem, podemos operar". 
 

Risco do uso de secador 

Como os cachorros estão vivendo mais dentro de casa, é comum que os tutores levem para banho e tosa em pet shop com mais frequência. Por conta do uso do secador muito próximo dos olhos dos pets, Nathalie recomenda o uso de colírio lubrificante antes e depois do banho para evitar ressecamento. Uma vez que os olhos estejam ressecados, os animais podem começar a coçar, provocando lesões que podem evoluir para as perfurações. 

"Hoje em dia estamos tendo mais desses animais de focinho curto, que tem os olhos mais esbugalhados… Nesses casos, eles piscam mal, não lubrificam a córnea corretamente e com a presença do secador, acaba ressecando mais ainda. Animais que andam de janela aberta, por mais que seja bonitinho, aconselho a comprar um óculos de proteção. Ele gosta de andar na janelinha? Legal, pode andar, mas compra um óculos para proteger. Eles não piscam e vai ressecar, acontecendo o mesmo que acontece com o secador". 

Óculos para evitar queima da retina 

Nathalie também ressalta a importância do uso de óculos em caso de exposição dos pets ao Sol, já que a luminosidade em excesso pode provocar a queima da retina. 

"Humanos são orientados a usar óculos de sol, o animal também não pode… Existem alguns animais com alterações na íris, que é o colorido do olho, eles não conseguem fazer essa contração da pupila, então deixar essa luminosidade entrar muito acaba queimando a retina. As peculiaridades são bem similares com as nossas". 

Nos casos em que o animal precisa ir para a mesa de cirurgia, a veterinária tem mais uma dica: limpeza de tártaro. Nathalie explica que as bactérias que existem na boca do pet podem prejudicar o processo pós-operatório. 

"Imagina abrirmos um olho que durante toda a formação do animal foi fechado e intacto? Quando abrimos, querendo ou não, vão entrar bactérias, estamos no meio externo para evitar isso acontecer. O correto seria escovar a boca dos animais todos os dias, mas infelizmente são poucas pessoas que fazem isso, por isso recomendamos a limpeza dos dentes. Principalmente os mais velhos, que chegam com grau muito alto de contaminação bacteriana na boca". 

Gatos, pássaros e animais silvestres 

Diferente dos cachorros, os diagnósticos de cataratas em gatos não são tão comuns, explica Nathalie. Nos felinos, é comum que doenças sistêmicas como herpes e clamídia acabem afetando os olhos. 

"Muito comum, principalmente em gatos resgatados, doenças de trato respiratório… Espirro e catarro que acabam afetando os olhos. Linfomas, neoplasias e alterações de pálpebra são muito comuns nos gatos. Acontece com os cachorros, mas a grande maioria acontece com os felinos". 

Apesar de não atender animais silvestres de forma rotineira, a veterinária também se especializou nas peculiaridades dos olhos de passaros e roedores como o porco-espinho, por exemplo. De acordo com ela, casos de blefarite, inflamação da pálbera, e úlceras de lesões por transporte. 

"Hoje em dia, quem gosta de animais silvestres, é muito comum ter um porco espinho, por ele virar uma bolinha e o olho ser mais prolapsado, os próprios espinhos podem machucar os olhos dele. Às vezes acontece a proptose, por stress o olho acaba pulando para fora. Tudo isso é cirúrgico ou tem tratamento clínico para resolver o problema, tentar salvar a visão e os olhos". 

Animal recebeu diagnótico de perda de visão, e agora?

Nathalie ressalta que os diagnósticos oftalmológicos não significam que o animal vai perder os olhos. Ela afirma que tem como prioridade salvar o globo ocular, deixando a remoção do órgão como última opção. Apesar da existência de próteses, existem padrões para indicação do implante. Em gatos, por exemplo, o trauma constante da prótese pode levar a um câncer. 

"Melhor deixar mesmo que não tenha mais a função dele do que realmente remover. Esteticamente também… Para o animal não muda, ele vai viver perfeitamente, mas para o ser humano é muito traumatizante. Somos mais visuais, então é melhor que mesmo que esteja cego ele ter o olho. É muito difícil optar pela remoção, é realmente quando não tem outra opção, algo que esteja levando o animal a risco de morte". 

De acordo com Nathalie, atualmente existem muitas alterações oftálmicas que podem causar cegueira nos animais. No entanto, a veterinária ressalta que mesmo que a perda de visão seja constatada, o diagnóstico não representa uma "sentença de morte". 

"Para nós isso acaba sendo muito impactante, mas eles se adaptam. É lógico que sempre tentamos fazer com que ele volte a enxergar e tenha uma vida perfeita com a visão. Mas se acontecer, isso não é sentença de morte. Eles só precisam de um tempo de adaptação. Eles começam a aguçar outros sentidos. Tenho relatos de tutores que têm animais cegos, eles acham que voltaram a enxergar, porque os animais conseguem ter a percepção do ambiente". 

Nathalie explica que os animais tendem a desenvolver mais outros sentidos, como olfato e audição, para conseguirem se locomover sem bater nos móveis da casa, por exemplo. Ela recomenda o uso de equipamentos de proteção para evitar lesões no rosto durante o processo de adaptação. 

"Aé chegar nesse ponto [de estar adaptado], é triste ver o animal batendo nas coisas, acabamos ficando tristes. Existem proteções na internet, são como um bambolê na cabeça e quando eles estiverem andando, se bater o bambolê, ele sabe que vai precisar desviar. Principalmente nesses momentos iniciais, é um recurso bem interessante". 

 A veterinária lamenta que em alguns casos de diagnóstico de câncer ou de perda de visão, tutores optem por abandonar os animais. 

"A partir do momento que se compromete a ter um animal, tem que haver os cuidados e isso, realmente, gera gastos. Costumo falar que, se não tem condições, não tenha um animal. É igual ter filho, você vai ter gasto. Ótimo se ele não ficar doente, mas e se ficar? Você vai ter que levar no veterinário para fazer o que tem que ser feito. Então é isso, se comprometer com a ideia de que durante pelo menos 15 anos você vai ser responsável por ele". 


 
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