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Terça-feira, 23 de julho de 2024

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Empreendedorismo na 3ª idade

Amigas vendem biscoitos com receita ‘de vó’ e toalhas pintadas à mão em Cuiabá: 'cabeça ocupada'

Foto: Olhar Conceito

Amigas vendem biscoitos com receita ‘de vó’ e toalhas pintadas à mão em Cuiabá: 'cabeça ocupada'
A amizade da aposentada Luzinete Enedina dos Santos, de 64 anos, e da pensionista Marlene Vieira, de 77, já atravessa mais de quatro décadas. O empreendedorismo sempre foi natural para ela, fosse por questões de sobrevivência quando lutavam para criar os filhos ou agora, na terceira idade, quando a produção de biscoitos voltou a ser uma forma de aumentar a renda mensal das amigas. 


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Luzinete e Marlene moram em lados opostos de Cuiabá: CPA e Tijucal, mas sempre encontram formas de se encontrar para colocar as ideias em prática. Para o Dia dos Pais, no segundo domingo de agosto, as amigas criaram um kit especial com bebida (cerveja, licor artesanal feito por Luzinete ou suco), amendoim, biscoito (polvilho, milho ou araruta) e uma toalha de rosto, que é pintada a mão por Marlene. 

As encomendas podem ser feitas pelo telefone: (65) 98132-1119. "Na verdade, eu criei meus filhos vendendo biscoito, licor, pano de prato… Vendendo coisa, vendia tudo. Já era funcionária pública, mas sempre vendia, era até melhor porque levava para os colegas de trabalho”, conta Luzinete. 

Ao Olhar Conceito, as amigas explicam que o biscoito de polvilho acompanha a história das duas e nunca deixou de ser o queridinho dos clientes. A primeira vez que venderam a receita, que foi criada e aperfeiçoada por Marlene, foi há mais de 30 anos. 

“Menina, tem mais de 30 anos que a gente vende biscoito. Meu ex-marido era gerente da TransBrasil e ele levava para vender lá, o pessoal todo do aeroporto comprava, até a chefia mesmo. Teve um que até ofereceu sociedade comigo, mas eu não quis. O biscoito vendia muito bem”. 

Amigas criaram kit de presente para o Dia dos Pais e biscoitos também podem ser acrescentados na caixa. (Foto: Olhar Conceito)

Marlene lembra que aprendeu a fazer a receita com uma vizinha, em Poxoréu. “A maioria das coisas da cozinha aprendi a fazer com ela, toda vida fui curiosa, gostava de ver. Não parei de fazer, fiz a vida inteira, as vezes começo e paro”. 

Luzinete define a receita da amiga como “de vó mesmo”. Aos poucos, Marlene dando os próprios toques aos biscoitos, como raspas de limão ou laranja. 

“Agora estou ensinando ela a colocar a mão na massa para quando eu for embora”, brinca Nena. 

“Já falei para ela que, quando ela for embora, eu não vou fazer mais nada, vou ficar só relax”, diz Luzinete entre gargalhadas.

Cabeça “ocupada” 

Com os filhos criados, Luziene começou a morar sozinha e a casa da amiga se tornou uma espécie de refúgio. Para, empreender com Marlene, além de ser “gratificante”, é algo que a mantém com a cabeça ocupada. Quando se aposentou, ela chegou a pensar em abrir uma loja de artesanato em casa, mas não teve como arcar com o investimento financeiro e continuou “vendendo de porta em porta”. 

“Criamos os filhos e netos vendendo essas coisas. Já moro sozinha e tudo isso que faço, as vendas e colocar a mão na massa para trabalhar, corro para a casa da Nena para fazer… É muito gratificante e ocupa minha cabeça. Não tenho cabeça vazia, é sempre cheia de coisas, tendo ideias. As vezes fico meio triste, com medo de comprar coisas para fazer e não vender, mas esse ano tem sido muito bom para nós”, diz Luzinete. 

Kit de Dia dos Pais pode ser encomendado até 29 de julho. (Foto: Olhar Coneito) 

Na Páscoa, as amigas decidiram fazer ovos de chocolate e se surpreenderam com a aceitação da clientela. “Ficamos com receio de fazer ovos de Páscoa, mas depois fiquei até com dó, porque muitas pessoas procuraram a gente para comprar depois e não tinha mais. Quando chega pertinho da data, as coisas ficam muito caras, então não dá. Por exemplo, no Dia dos Pais mesmo, já compramos tudo e estamos montando”, explica a aposentada. 

Com a internet e a chegada das redes sociais, a forma das amigas se comunicarem com a clientela precisou passar por uma transformação. Luzinete explica que, algumas vezes, as duas enfrentam dificuldades, mas as vendas de porta em porta, agora, são feitas majoritariamente pelo Whatsapp. 

“Jogo no Whatsapp e mando para as pessoas, não sei muito mexer com redes sociais, de vez em quando eu consigo publicar. Nena também não sabe”, comenta. 

Amizade de décadas 

Luzinete e Marlene se conheceram na Secretaria de Estadual de Administração, atual Secretaria Estadual de Planejamento e Gestão (Seplag). Apesar de trabalharem em setores diferentes, o interesse por artesanato logo uniu as duas amigas. 

“Ela estava com um filho pequeno, buscava e levava as coisas. Ela tinha uma mania de colecionar bonecas e a gente começou a conversar, de repente surgiu um elo. Quando entrei na SAD o filho dela era bebê ainda”, lembra Marlene. 

“Depois que ela saiu, não perdi a amizade com ela. Meu filho cresceu e ia buscar ovo de Páscoa na casa dela, fui no casamento da filha dela e somos amigas até hoje”, continua Luzinete. 

Outro sucesso de venda das amigas são os panos de prato pintados artesanalmente por Marlene. Quando trabalhavam juntas, Luzinete enchia uma sacola com eles e vendia para os colegas de trabalho na SAD. 

“Vendia os panos de prato na SAD também, chegava com o saco e o povo ficava doido. Colocava o saco debaixo da mesa, ia anotando no caderno e, quando ia ver, a sacola estava vazio”, brinca. 

“Hoje está mais fácil, mas antes meu marido ia em Jaciara e Rondonópolis comprar saco de açúcar, limpava o saco, porque eu não conseguia. Sábado e domingo ele fazia isso, tinha que esfregar com a escova. Depois pintava e fazia crochê”, lembra Marlene.

 
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