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Terça-feira, 16 de dezembro de 2025

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'Estéril'

Escritor aborda colapso ambiental em novo livro ficcional sobre futuro distópico em Cuiabá

Foto: Reprodução

Escritor aborda colapso ambiental em novo livro ficcional sobre futuro distópico em Cuiabá
Temperaturas recordes, solo árido e refugiados ambientais, esta é a realidade fictícia de Cuiabá em 2070, imaginada pelo escritor Bruno Álvares Vilela em seu livro distópico "Estéril” que será lançado nesta segunda-feira (17), no Shopping Estação. A capital mato-grossense, que atingiu marcas históricas de calor nos últimos anos, ganhou um cenário pós-apocalíptico onde os rios secaram e o solo se tornou infértil devido a uma catástrofe climática. 


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A esterilidade do solo, referenciada no título do livro, é o principal mote que desencadeia o colapso completo da economia e da sociedade. No universo de Álvares, a vida de privação e calor extremo é a regra, o conforto restringe-se aos muito ricos, e a humanidade reage se reduzindo à barbárie, com o surgimento de movimentos populares que permeiam ainda mais o caos.

O que é ficção, contudo, ganha contornos de urgência diante dos dados climáticos atuais. Em entrevista ao Olhar Conceito, Bruno explica que baseou a construção do cenário distópico em projeções do Painel Climático da ONU (IPCC), que indicam a possibilidade de um aumento de até 7°C na temperatura média de Cuiabá nos meses mais quentes. O autor confessou sentir "angústia" ao ver a realidade se aproximar tão rapidamente de sua ficção.

“Quando eu vi Cuiabá atingir 44 graus foi como ver a ficção ganhando vida antes da hora. Então bate uma angústia ver temperaturas tão altas e as condições de vida ficando mais complicadas”, afirmou.

Em outubro de 2023, Cuiabá registrou 44,2 graus Celsius, a maior temperatura desde 1911.  Este recorde, verificado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), é parte de uma tendência onde a temperatura máxima local já aumentou 3 graus Celsius desde a década de 1940. 

Para Álvares, a arte tem um papel de denúncia importante nessa discussão. Ele acredita que, ao se relacionar com a literatura, o público consegue sentir e vivenciar aquela experiência, o que permite "elaborar melhor a forma como a gente lida com a nossa própria realidade". A esperança do autor é que o livro sirva para que as pessoas que ainda não estão preocupadas com o clima passem a se preocupar.

“Quando nos relacionamos com a arte e a sentimos, a gente vivencia aquela experiência e isso nos permite elaborar melhor a forma como a gente lida com a nossa própria realidade. Eu tenho a grande expectativa de que meu livro sirva para que quem não está tão preocupado com essas questões comece a se preocupar também ao imaginar o que será do nosso futuro se não houver uma preocupação real com a prevenção de desastres”, explicou.

O lançamento oficial do livro "ESTÉRIL" será no próximo dia 17 de novembro às 19h, na Livraria Leitura (Piso L2 - Shopping Estação Cuiabá).
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