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Sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

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Empresário de Cuiabá viaja mais de 20 países para caçar e defende prática como estratégia sustentável

Empresário de Cuiabá viaja mais de 20 países para caçar e defende prática como estratégia sustentável
Na família do empresário e produtor rural Antenor Santos Alves Neto, de 32 anos, a caça é algo que passa entre gerações. Desde pequeno, o pai de Antenor acompanhava o avô nas caçadas de perdiz, rito que anos depois foi parte da infância dele, que cresceu tendo as caçadas como parte da dinâmica familiar. Atualmente, Antenor tem uma empresa de turismo de caça e afirma seguir práticas sustentáveis dentro da atividade, que movimenta receitas milionárias nos países em que é legalizada. 


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“Fora do Brasil existe o turismo de caça, que gera muita renda e o controle populacional da espécie. A população de elefantes, por exemplo, quase quintuplicou. Por exemplo, na Namíbia, em 1995, vamos colocar que eram 7 mil cabeças, hoje está em mais de 25 mil cabeças e a caça não para. A caça foi regulamentada, a caça continua e a população de elefantes aumenta. A população de rinoceronte negro cresceu e hoje é considerada a maior população de vida livre na África”. 

Desde que começou a caçar, aos 19 anos, Antenor já fez mais de 20 viagens para diversos países como África do Sul, Canadá, Estados Unidos, Argentina e Uruguai. Em cada lugar, viveu rotinas diferentes: acampamentos em altitude, noites frias em regiões desérticas, dias inteiros caminhando atrás de perdizes com cães perdigueiros e longos deslocamentos até fazendas especializadas.

De acordo com ele, na África do Sul, por exemplo, existem fazendas especializadas no turismo de caça, onde a carne dos animais abatidos é processada em frigoríficos próprios e, depois, vendida nos mercados. Antenor explica à reportagem que a venda do turismo de caça movimenta muito a economia, apesar do assunto ainda ser tabu no Brasil.

“Meu intuito principal [com a empresa] é entrar com esse assunto e mostrar que a caça legalizada gera preservação. Por exemplo, na África, ela gera mais de 200 milhões de dólares ao ano, 30% disso são taxas para o Governo que vão diretamente para comunidades locais. ‘Ah, mas o Governo da África é corrupto’, tudo bem, mas isso é outro problema, em tese na lei, essas taxas são todas destinadas para essa população. Nos Estados Unidos movimenta 30 bilhões de dólares por ano em atividades relacionadas à caça”. 

“Porque não é só a caça em si, ela gera o trabalho dos rapazes que são os pisteiros, por exemplo, que é quem anda na frente olhando as pegadas, gera emprego para o pessoal dos frigoríficos, hoteis, taxidermia… É uma cadeia muito grande, não é só a caça em si”, continua. 

Em suas redes sociais, Antenor costuma compartilhar os registros das caçadas que faz ao redor no mundo, além da defesa sobre a caça ser componente de uma estratégia de preservação ou controle de populações de animais. 



“Hate é o que eu mais recebo. Mas sou resiliente, entendo que as pessoas são muito ignorantes nesse assunto, então vão julgar, mas eu estou no meio, sei a preservação que está acontecendo, estive nos lugares que eu falo e vi com meus próprios olhos. Acredito que essa mentalidade vai mudar no Brasil, porém vão ter que acontecer coisas ruins, acredito que vai ter que acabar alguma espécie para eles entenderem que a caça gera preservação”. 

Atualmente, a caça é proibida no Brasil, com exceção da caça de subsistência e científica. Por aqui, Antenor atua apenas no controle de javalis, atividade permitida por lei e que exige registro e documentação específica. Todo o restante da sua vivência ocorre em viagens internacionais. 

“Aqui existe um controle para esses animais [javalis], você pode fazer o abate, mas não pode vender a carne ou aproveitar nada dele, você tem que enterrar. Sou controlador profissional registrado, tenho todas as documentações e áreas de controle. Pratico o controle populacional da espécie, por exemplo, fulano tem uma fazenda, ele tem que ir ao Ibama para fazer o cadastramento da área dizendo que contém javali. Eu, como caçador, posso ir nessa área mediante autorização do proprietário, tudo é por escrito”. 

Aventuras extremas 

As viagens para caçar também trouxeram riscos. Ele lembra do dia em que foi atacado por um búfalo na Bolívia, episódio que quebrou o tornozelo de seu pai e lesionou seu próprio joelho, exigindo meses de recuperação. Em outra ocasião, na região do Kalahari, enfrentou a tensão de se aproximar de um leão debilitado.

“Na minha terceira ou quarta caçada de bufalo, fui atacado por ele, ele avançou na gente, quebrou o tornozelo do meu pai e quebrou meu joelho. Isso foi na Bolívia. Foi feio, fiquei sete meses de muleta, meu pai conseguiu uma recuperação mais fácil do que eu… Mas eu achei que ia morrer, tinha aceitado a morte inclusive. A partir de então, mudei toda a minha questão de respeito com o búfalo, temos que tomar muito cuidado”. 

“Qualquer erro podemos morrer. Uma coisa é você estar na montanha russa, está ali de cinto, outra coisa é estar na frente de um leão, no habitat dele, com aquela selva toda do seu lado, você não consegue ver direito porque ele se camufla muito, assim como todos os outros animais. A tensão e a responsabilidade são muito grandes, porque não é só a sua vida que está em jogo, tem o pessoal que está ali junto”, continua. 

Em casa, Antenor guarda os animais empalhados como recordação das caçadas, no entanto, eles podem demorar anos para chegar no Brasil por conta dos trâmites. “Pele, crânio, chifre, patas e ossos são aproveitadas para fazer a taxidermia ou para fazer tapetes. Isso pode ficar comigo, é legalizado, fazemos todo o trâmite burocrático, que demora até três anos para chegar até mim. Cacei leões na África já tem três anos e três meses, agora que a taxidermia ficou pronta para vir para o Brasil e estar na minha cabeça. Todos os animais que abato faço a taxidermia e trago para casa para decoração”

Antenor explica que a caçada sempre funcionou como uma tradição familiar e, mais do que isso, um elo afetivo. “Estar com meu pai caçando é uma sensação muito boa, é uma felicidade compartilhada. Não é só a caçada em si, é a conversa, o almoço, as paradas no meio da selva”, diz. Apesar de ter cinco irmãos, ele foi o único que se identificou com esse estilo de vida, que envolve, segundo ele, respeito ao armamento, aos animais e às regras que tornam a prática sustentável.

“Ainda não tenho filhos, mas se eu tiver, com certeza a primeira coisa que quero ensinar é essa cultura da caça”, continua.
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