A banda Metrópole Sombrê nasceu longe dos palcos centrais e dos circuitos tradicionais da música, no bairro Pedra 90, na periferia de Cuiabá, a partir da amizade de dois jovens que se conheceram ainda no ensino médio e encontraram na música autoral uma forma de existir e narrar a própria vivência urbana através do som. Hoje, quase três anos depois da formação, o grupo se vê diante de uma possibilidade inédita: disputar uma vaga para tocar no Lollapalooza Brasil, um dos maiores festivais de música do país, por meio de votação popular.
Para votar na banda, basta acessar o site. A história da Metrópole Sombrê começa no convívio cotidiano entre escola pública, igreja, periferia e referências musicais descobertas coletivamente. A banda é formada por Matheus Sousa Soares, vocalista e principal compositor das letras, que também toca bateria e violão; Vitor Gabriel Brandão de Souza, guitarrista envolvido diretamente na construção sonora e estética do projeto desde o início; e Bianca Castilho Vivan, baixista que integra a formação atual.
Foi a partir do desejo comum de fazer música autoral que o grupo se consolidou, mesmo quando o cenário local parecia empurrar jovens artistas para o caminho dos covers.
Antes de chegar à formação atual, houve outras tentativas e projetos que não avançaram por divergências de ideia. A insistência, porém, permaneceu. “Nosso sonho sempre foi tocar nossas próprias músicas e ver a galera pulando com o que a gente criou”, relata Vitor.
Com influências que passam pelo rock alternativo, indie rock e grunge, a Metrópole Sombrê construiu um som atravessado pela experiência de viver Cuiabá a partir das bordas da cidade. O calor, o caos urbano, as sirenes, a correria, a precariedade e a sobrevivência aparecem nas letras como parte do cotidiano de quem cresce longe do centro. A vivência periférica não surge como pano de fundo, mas como matéria-prima da criação artística e da identidade do grupo.
Mesmo sem apoio institucional, a banda acumulou apresentações em pouco tempo. Já são mais de 20 shows realizados, muitos deles organizados de forma independente, em um modelo que os próprios integrantes definem como “guerrilha”.
As gravações foram bancadas com recursos próprios, por meio da venda de pôsteres e adesivos, da criação de uma caixa coletiva e do reaproveitamento de cachês quando existiram, algo que nem sempre acontece. “A maioria das bandas não ganha dinheiro para tocar. A gente faz porque acredita e porque precisa criar uma cena”, afirma Vitor.
O primeiro single, lançado após o show de estreia, alcançou quase 14 mil reproduções no Spotify, número que surpreendeu os próprios músicos e impulsionou a circulação da banda. Pouco depois, a Metrópole Sombrê se apresentou em um festival na Orla do Porto, dividindo a programação com a banda Ratos de Porão, experiência que marcou a trajetória do grupo e ampliou sua visibilidade no cenário local.
Para além dos palcos, os integrantes também atuam na articulação coletiva da cena musical cuiabana. Eles fazem parte do Coletivo Capivara, responsável por promover eventos e criar espaços para que bandas autorais consigam se apresentar em uma cidade onde, segundo eles, há pouco incentivo à cultura independente. A iniciativa surgiu da própria necessidade de existir enquanto cena, diante da falta de convites e oportunidades formais.
Agora, a Metrópole Sombrê integra a etapa de votação popular de um concurso que pode levar a banda ao palco do Lollapalooza Brasil. Até o dia 24 de fevereiro, o público pode votar para que o grupo avance para a fase final, que contará com curadoria do festival. Até o momento, a banda é a única representante de Mato Grosso na disputa, o que amplia o peso simbólico da participação.
Para os integrantes, a possibilidade de tocar em um festival desse porte ultrapassa a dimensão individual. Representa abrir caminho para outros artistas da periferia, mostrar que é possível produzir música autoral fora dos grandes centros e disputar espaços historicamente negados. “A gente não quer crescer sozinho. Se não for coletivo, a cena morre”, afirma Matheus.
Entre em nossa comunidade do WhatsApp e receba notícias em tempo real,clique aqui
Nós usamos cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência em nossos serviços. Ao utilizar nosso site, você concorda com tal monitoramento. Para mais informações, consulte nossa Política de Privacidade.