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Verissimo fala sobre série e admite 'roubo' na infância: 'Foi por amor'

G1

08 Jan 2014 - 16:00

Luis Fernando Verissimo, 77, tinha “uns 7 anos” quando cometeu seu alegado único crime: roubou uma pulseira da mãe. Queria presentear “uma morena, cabelos longos”. Era uma colega de classe. A confissão – assim como a justificativa: “foi por amor” – está em “A pulseira”, um dos 50 textos de “Amor Verissimo” (Objetiva), coletânea lançada agora em janeiro. O título é o mesmo da série que o canal GNT estreia nesta quarta-feira (8).
Os 13 capítulos, todos baseados em histórias românticas do escritor gaúcho, são descritos como “ficção”. O próprio Verissimo, em entrevista ao G1 por e-mail, afirma: “Há pouca coisa autobiográfica no que eu escrevo. Apesar de escrever bastante sobre casais se desfazendo e casamentos fracassando, estou casado ha 50 anos com a mesma mulher. O que não deixa de ser uma espécie de fraude”.
O elenco central de “Amor Verissimo”, produzida pela Conspiração e dirigida por Arthur Fontes, tem Fernanda Paes Leme, Gabriela Duarte, Leticia Colin, Marcelo Faria, Paulo Tiefenthaler e Pedro Monteiro. Há participações de Anna Sophia Folch, Diana Bouth, Luana Piovani e Vanessa Lóes. Verissimo elogia todos, genericamente, e diz que “o episódio com a Luana Piovani é ótimo”.
Na entrevista, comenta que, apesar de tímido, jamais foi “enclausurado”: “Tive até minha fase de playboy filho de pai rico, que durou pouco por falta de vocação e de pai rico”. O pai é o escritor Erico Verissimo (1905-1975), autor de “O tempo e o vento”. Foi por causa dele que a família se mudou para Los Angeles, onde aconteceu o episódio da pulseira. “Às vezes, fico imaginando que fim levou a menina. Não lembro nem se era loira ou morena”, admite. “Só não consigo imaginá-la com a minha idade. Talvez a vida tenha lhe poupado ficar velha.” Leia, a seguir, os principais trechos:

G1 – O prefácio do livro cita que, dentre suas inspirações, estão as ‘artimanhas masculinas para levar uma mulher para a cama’. Alguém politicamente correto poderia questionar a impressão de que as artimanhas são habitualmente ou exclusivamente masculinas. Para você, isso não faz diferença, faz sentido ou é apenas chato?
Verissimo – As "artimanhas" exclusivamente masculinas para conquistar uma mulher realmente ficaram obsoletas com a nova disposição feminina de tomar a iniciativa na conquista. Onde está "artimanhas masculinas" leia-se "artimanhas unissex".
G1 – Quais artimanhas são mais eficazes, ou eficientes: as masculinas ou as femininas?
Verissimo – As "artimanhas" masculinas são eficazes quando a mulher está predisposta. São elas que decidem o que vai funcionar e o que não vai. Assim as "artimanhas" são quase supérfluas. O homem só pensa que está conquistando a mulher, que geralmente já tomou a decisão antes do primeiro "alô".
G1 – No conto ‘A pulseira’, você escreve sobre seu ‘único crime’ – o roubo de uma pulseira em casa, aos 7 anos de idade, para dar a uma garotinha. Aconteceu de verdade?
Verissimo – Aconteceu, em Los Angeles. Meu pai [o escritor Erico Verissimo (1905-1975)] tinha ido lecionar Literatura Brasileira na Universidade da California e, entre São Francisco e Los Angeles, ficamos dois anos, de 43 a 45. Foi meu único crime até hoje, mas foi por amor.
Fernanda Paes Leme em cena da série 'Amor Verissimo' (Foto: Divulgação/GNT)
Fernanda Paes Leme em cena da série
'Amor Verissimo' (Foto: Divulgação/GNT)
G1 – No texto, você escreve: ‘Foi a sua total indiferença aos meus olhares e suspiros que me levaram ao crime’. Quer dizer que, se a mulher desde o princípio corresponde, então o sujeito se conforma e não ousa? Teria sido assim com você?
Verissimo – Pode ter sido assim, mas eu, com 8 anos, não tinha condições de filosofar a respeito. Só queria dizer à menina que a amava. Ela até hoje não entendeu.
G1 – Alguma outra história é verdade?
Verissimo – Há pouca coisa autobiográfica no que eu escrevo. Geralmente me baseio no que ouço da experiência de outros, ou na pura invenção. Apesar de escrever bastante sobre casais se desfazendo e casamentos fracassando, estou casado ha 50 anos com a mesma mulher. O que não deixa de ser uma espécie de fraude.
G1 – As inspirações costumam vir da época anterior ou posterior ao seu casamento?
Verissimo – Como já falei, pouco do que eu escrevo é autobiográfico. Mas antes de casar tive muitas experiências. Apesar da timidez, nunca fui um enclausurado e tive até minha fase de playboy filho de pai rico, que durou pouco por falta de vocação e de pai rico.

G1 – O primeiro texto do livro é ‘A vida não é uma comédia romântica’. Se a vida não é de fato comédia romântica, qual o gênero mais adequado?
Verissimo – Opera buffa.
G1 – Qual o seu filme de amor favorito? Vale até comédia romântica.
Verissimo – Depois de 75 anos como “cinemeiro” fica difícil destacar um filme só. O filme que vi mais vezes na vida foi o "Gunga Din". Em segundo lugar, "Casablanca".
G1 – O último texto do livro é ‘O amor acaba’, em que um casal fala sobre a crônica do Paulo Mendes Campos. É sua crônica favorita sobre o tema?
Verissimo – É uma das minhas crônicas favoritas do grande Paulo Mendes Campos. Lírica e desencantada ao mesmo tempo. Mas ele e os outros cronistas daquela época, como Rubem Braga e Antonio Maria, têm vários textos antológicos.
G1 – Na Bienal do Livro de SP de 20110, o Moacyr Scliar contou que, já idoso, foi reencontrar uma namorada de adolescência. Quando se deu conta que ela era uma senhora, não teve coragem de se (re)apresentar e pensou: ‘Mas foi por isso que me apaixonei?!’. Rindo bastante, ele não aconselhou ninguém a tentar um reencontro do tipo. Você pensa igual? Já passou por situação, ou por curiosidade, similar?
Verissimo – Às vezes, fico imaginando que fim levou a menina a quem dei a pulseira e saí correndo. Não lembro nem se era loira ou morena. Só não consigo imaginá-la com a minha idade. Talvez a vida tenha lhe poupado ficar velha.

G1 – Uma crônica que tem o mesmo tema é ‘Sobre o amor, etc.’, do Rubem Braga. Ele escreve que relembrar amores ou amizades do passado é o mesmo que falar de gente morta. Você tem algo contra fazer esses ‘obituários’?
Verissimo – Os necrológios também podem dar boa literatura. O Rubem Braga, por exemplo, era mestre em recordar com melancolia e humor.
G1 – Na época da estreia de ‘Ed Mort’, perguntei se você tinha ficado surpreso com algo na nova versão. Você respondeu apenas: ‘Daniella Sarahyba’. Considerando o elenco feminino de ‘Amor Verissimo’, teve surpresa equivalente?
Verissimo – Todo o elenco está muito bem. O episódio com a Luana Piovani é ótimo.
G1 – Você já teve outras obras adaptadas para a TV. Alguma preferência?
Verissimo – As três temporadas de "Comédias da vida privada", dirigidas pelo Guel Arraes, com textos de Jorge Furtado, João Falcão e outros, com o elenco de jovens comediantes da Globo, deu muito certo.
G1 – Se fosse para fazer o contrário, para se inspirar em algo originalmente feito para a TV (ou para o cinema ou para o teatro), e escrever um livro, qual seria sua escolha?
Verissimo – No livro "Os últimos quartetos de Beethoven e outros contos" a última história foi escrita originalmente como sinopse para um programa planejado pelo Fernando Meirelles. O texto não foi aproveitado e a sinopse acabou virando conto.
'Amor Verissimo' – Série
Quando: todas as quartas-feiras, às 22h30
Onde: GNT
Elenco: Fernanda Paes Leme, Gabriela Duarte, Letícia Colin. Marcelo Faria, Paulo Tiefenthaler e Pedro Monteiro
Direção: Arthur Fontes

'Amor Verissimo' – Livro
Editora: Objetiva
Páginas: 200
Quanto: R$ 29,90

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