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Lançamento de documentário que conta a história da guitarra-de-cocho será neste sábado

Da Redação - Stéfanie Medeiros

14 Abr 2015 - 09:00

Foto: Divulgação

Caio Espíndola Schlösser e seu Bagé

Caio Espíndola Schlösser e seu Bagé

O jornalista Dewis Caldas está atualmente em Portugal pesquisando sobre o cavaquinho. Mas mesmo fora do país, as atividades de seu produtora, a Maranhas Filmes, não param. Neste sábado (18), durante o Festival Cerrado Music, no Sesi Park, será lançado o documentário “O nascimento da Guitarra-de-cocho”.

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O filme de média-metragem aborda a junção da viola-de-cocho tradicional, um dos maiores símbolos da cultura mato-grossense, com o rock. O resultado: a viola-de-cocho elétrica.

"A ideia de fazer o filme partiu do tamanho da importância da invenção. A viola-de-cocho é um dos símbolos da tradição mato-grossense e a experiência da guitarra-de-cocho abre um verdadeiro leque de pesquisa à músicos de todo o mundo. Sua evolução deve ser continuada pelas gerações seguintes", disse Caldas, diretor do filme.



De acordo com a assessoria, o filme começa apresentando o criador do novo instrumento, o guitarrista Caio Espíndola Schlösser, da dupla Billy Brown e o Incrível Magro de Bigodes.

"Desde pequeno meu pai me levava para pescar no Rio Cuiabá e a sonoridade da viola-de-cocho me atraía muito. E quando cresci e me tornei guitarrista, quis buscar o elemento rústico do instrumento e ampliar a sua sonoridade juntando com a influência rock and roll que sempre tive", explicou Schlösser .

Da beira do rio Cuiabá, onde começa o filme, Caio vai até o centro da cidade, na oficina de luthieria do TOMA Espaço Musical. Lá, ele mostra o processo de criação da guitarra. "O primeiro passo foi trazer o coração da guitara elétrica, que é o captador, para a viola-de-cocho. Então fui adicionando cordas de aço, um cordal pequeno usado em cavaquinho, um rastilho de osso que é mais resistente, um potenciômetro, também tarrachas de aço porque as tarrachas de madeira afrouxam as cordas e não seguram a afinação, isso tudo mudou completamente o timbre e a forma tradicional de tocar", esclareceu o músico. 



Após as explicações técnicas, o documentário apresenta uma série de imagens da guitarra-de-cocho em ação, tanto na imprensa, quanto em shows e festivais de música.

O filme, que tem 25 minutos de duração, termina com um singelo e poderoso encontro entre o novo e o tradicional: Caio vai até a comunidade São Gonçalo Beira Rio encontrar o “seu Bagé”, que tem 84 anos e desde muito pequeno toca viola-de-cocho. Os dois músicos então tocam juntos numa improvisação inédita entre a guitarra-de-cocho e sua mãe, a viola-de-cocho.

"Acredito que futuramente esta invenção terá continuação. A pesquisa do timbre e das possibilidades deste novo instrumento ainda é inicial, chegaremos num tempo em que se descobrirão outras coisas bem maiores do que vimos até agora. E o Caio, que tenho segurança em dizer que pertence ao grupo de importantes guitarristas do Estado, se lançou na experimentação timbrística que vai muito além do rock, mas já está na música eletrônica e as possibilidades são muitas", finalizou o diretor do documentário. 



História da viola-de-cocho

* Foi em 1883 o primeiro registro etnográfico que menciona a viola-de-cocho, publicado pelo etnólogo alemão Karl Von den Steinen (1855-1929). 

* No início do século XX pesquisadores como Max Schmidt, Mário de Andrade e Rossini Tavares de Lima lançaram importantes trabalhos sobre o instrumento. 

* Sem sombra de dúvida, o livro "Cocho Mato-grossense - um Alaúde Brasileiro”, da pesquisadora Julieta Andrade, lançado em 1981, abriu portas para muitos estudiosos se interessarem pelo instrumento. 

* Outros músicos, construtores e pesquisadores como Habel Dy Anjos, Roberto Corrêa, Braz da Viola, Alcides Ribeiro, Daniel de Paula e seo Caetano manteram firme o legado para as seguintes gerações. 

* Em dezembro de 2004, a Viola-de-Cocho foi reconhecida como patrimônio imaterial nacional. 

* Em 2005 a viola-de-cocho é destaque como instrumento principal na Orquestra do Estado de Mato Grosso, sob a regência de Leandro Carvalho, ampliando assim sua percepção sonora na música de concerto

1 comentário

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  • JOSE NETO
    14 Abr 2015 às 18:49

    Com certeza a viola de cocho se transformou num dos maiores souvenir, lembrança ou objeto que revela e identifica a força do turismo em terras matogrossenses, em especial os passeios ligados ao Rio Cuiabá, Pantanal e a cultura matogrossense onde o saudoso Sr. Caetano, por certo contribuiu em muito para essa valorização e reconhecimento. Por certo, por todos os cantos dos países como EUA, Portugal, Itália, Inglaterra, França, Japão, existem muitas casas cujo moradores, fazendo turismo pelo Estado, levaram o instrumento ou amostras, miniatura como recordação, fabricadas ou confeccionadas pelo saudoso Sr. ou Seo Caetano. Parabéns.

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