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De olho na Copa de 2014, CNN exibe programas sobre o Brasil

Estadão

13 Jun 2013 - 15:30

Chamado por décadas de 'o país do futuro', por causa do livro homônimo do austríaco Stefan Zweig (1881-1942), o Brasil é a nação do presente para a CNN, que, este mês, exibe a série On The Road: Brazil, diluída em programas da emissora, que hoje a amanhã vai ao ar dentro do Quest Means Business, às 23 h.

Quem comanda a atração é a correspondente no País, Shasta Darlington, que pretende ir além do noticiário econômico e político para mostrar o que está por trás do lugar que sediará a Copa do Mundo de 2014. "É um pedaço da vida, com cultura, viagem, comida. É sobre o ano que antecede um grande evento. Vamos ter esportes, o que também envolve política, não vamos ignorá-la. Mas ela está misturada nisso tudo", contou ao Estado por telefone.

A equipe da CNN percorreu o Pantanal, Manaus, Rio e São Paulo. "Em Manaus, é curiosa a ideia de que a Copa do Mundo vai acontecer naquela região. Vamos mostrar o mercado de peixes, que é incrível. É um dos lugares onde mais se come peixe no mundo. Mostramos também o estádio. O mais bonito é a arquitetura sustentável."

Após rodar diferentes capitais do País, desde que se mudou para cá, em novembro de 2011, a jornalista, de 43 anos, ficou impressionada com o Pantanal. "Não dá para acreditar que fica a duas horas da cidade e é tão preservado. Eles (moradores) acham que ter a Copa acontecendo lá será bom, pois estarão nos holofotes e isso vai ajudá-los a proteger aquele ecossistema."

As ascensão da classe C e as mudanças recentes estão em pauta. "No caso do Rio, vamos mostrar a pacificação das favelas, como as autoridades estão integrando essas comunidades no resto da cidade. As pessoas que moram nas favelas são a classe C. Vamos ver como isso funciona, como se tornaram cidadãos do Rio e vão a lugares onde nunca estiveram."

Entre 1996 e 2001, a norte-americana foi correspondente de agências de notícias no País. Hoje, ela vê o que mudou. "Quando você compara com aquele tempo, as mudanças são notáveis. A economia não andou bem, mas há otimismo. Há entusiasmo com os negócios, as pessoas estão otimistas com seu futuro financeiro, mesmo que a economia não esteja crescendo. Isso reflete o novo Brasil."

Para ela, a situação do País é bem melhor aos olhos dos estrangeiros. "Fora, todos estão um, dois anos atrás. Acham que está tudo acontecendo aqui, com 7% de crescimento. Estamos mais estagnados. Porém, há os eventos (esportivos), e a ascensão da classe média."

A correspondente tem fé de que a Copa dará certo. "Vou parafrasear os CEOs que entrevistei. Os estádios ficarão prontos, será uma Copa boa porque o Brasil é um lugar incrível por causa da cultura, a hospitalidade do povo. Mas perdeu uma oportunidade de fazer investimentos em infraestrutura. Não é que o País precisasse da infraestrutura só para a Copa, os brasileiros precisam."

Apesar de gostar de viver aqui, Shasta teve obstáculos no dia a dia de trabalho. "A burocracia é um problema. Tivemos dificuldades em trazer equipamento. O outro é o fato de o País ser grande. Em São Paulo, podemos cobrir a parte de negócios muito bem. Mas os assuntos do governo são em Brasília, os eventos esportivos estão sediados no Rio. E ainda há todo o resto do País para falar."

O idioma, garante ela, não foi uma questão. "Eu falo português bem", reforça com a única frase que não diz em inglês. Shasta Darlington afirma não ter tido problemas para se adaptar ao Brasil. "Eu amo as pessoas. É um ótimo lugar para vir com a família, as pessoas são muito receptivas. Aqui, mesmo que você fale só um pouco de português, te entendem e tentam te ajudar. É uma cultura acolhedora", conta.

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