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Terça-feira, 03 de agosto de 2021

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Chiquinho Scarpa vira cult nas redes com concurso de beleza

O Globo

01 Nov 2015 - 23:00

SÃO PAULO - A empresária Marlene Tuffi, de 50 anos, define numa frase o amado 14 anos mais velho do que ela: “Chiquinho Scarpa não sai para se divertir, mas para acontecer.’’ E não é que o conde que sempre esteve na mídia, seja nas festas do high society paulistano, seja conclamando seus fãs virtuais a baterem latas de caviar em protesto contra a atual crise, seja ameaçando enterrar seu Bentley avaliado em US$ 500 mil, criou uma nova maneira de acontecer ainda mais? No fim de agosto, por sugestão da namorada, reeditou nas redes sociais uma coluna que tinha tempos atrás na revista “Sexy”, inspirada nas “Certinhas do Lalau”, de Stanislaw Ponte Preta. Só que numa versão 2015. Se o jornalista Sérgio Porto elegia vedetes e atrizes “mais bem despidas do ano”, Chiquinho destaca — nesses tempos em que posar nua caiu por terra — dois perfis comportados de seguidoras que ache bonitas, sempre acompanhados de respeitosos elogios.

A página com suas “Certinhas do Conde” viralizou. Tem mais de um milhão de seguidores e é quase perseguido por uma penca de moças querendo ganhar cliques e fama. Enquanto isso, Chiquinho segue em sua mansão avaliada em R$ 80 milhões, ao lado de 18 empregados, no Jardim América. Garante nunca ter feito botox e diz embalar o sonho de ser pai, “porque senão a linhagem acaba comigo”.

Amigo de infância do conde, o empresário Carlos Eduardo Calfat-Salem recorda-se de já ter assistido a moças de boa família comprando maîtres de restaurantes e boates para ter sua mesa colada à do playboy, fazendo estripulias para serem notadas.

— Teve uma portuguesa que mandou histórico médico dos pais dela para comprovar que, se ele quiser um filho com ela, o neném será saudável. Mandou até foto nua! — entrega Marlene, repetindo algumas vezes que sonhava em se casar com o conde desde a adolescência. — Ele vive num mundo Chiquinho de ser, lindo e colorido. É um playboy romântico, bon vivant, arrumadérrimo, que não aceita menos que o excelente, no sentido de extrair da vida tudo o que ela tem de melhor. É um mito.

Para participar do concurso, basta à internauta avisar que aceita ter sua foto divulgada caso seja escolhida. Segundo Chiquinho, já há 2,2 milhões de inscritas, juntando posts nas redes sociais e e-mails. As fotos passam por uma triagem entre um grupo de amigos do casal. São eles que enviam as selecionadas ao conde, que dá a palavra final. No fim do ano, haverá uma votação da “Certinha das certinhas”, aberta ao público, com direito a prêmios como estadia em hotel, joia e jantar com Chiquinho e namorada. O conde garante que não há preferência de idade ou tipo físico. É por empatia mesmo.

— O melhor foi um e-mail que recebi dia desses, de uma mulher oferecendo a virgindade para ser a Certinha do Conde. Tem 22 anos. Mas com 22 anos e virgem? — diverte-se Scarpa, após uma baforada em seu charuto.

Paloma Santos, de 31 anos, estuda Administração no Rio. E relembra o susto que levou ao ter sua foto estampada na página, no início de setembro. Ela foi uma das primeiras eleitas. A carioca diz seguir “desde sempre” Chiquinho Scarpa nas redes sociais:

— Foi uma loucura. Adorei porque sou baixinha e nunca consegui me inscrever num concurso.

As fotos dos badalados eventos frequentados pelo conde e de suas viagens com Marlene também são acompanhados online pela pedagoga Carla Barros, de 29 anos, que nasceu no Pará e está em São Paulo há dez anos.

— Ele é um coroa divertido, que sabe viver a vida — diz a Certinha de outubro. — Quando vi minha foto na página nem acreditei. Escrevi agradecendo e ele me chamou de “minha certinha” — derrete-se.

AS CERTINHAS DO CONDE SCARPA

Chiquinho rebate críticas de que só elege mulheres mais jovens, com destaque para louras e morenas. “Não é verdade. Entre as certinhas já escolhidas, temos duas com mais de 60 e lindíssimas”, frisa ele a uma fã, nos comentário de um post. Gentil e atencioso com as candidatas, o conde pede que todas tenham paciência para esperarem sua vez, “pois ainda teremos várias escolhidas”. Eufóricas, elas agora estão fazendo campanha na página para que ele promova um encontro com todas as já eleitas.

Disposto a criar laços cada vez mais fortes com as fãs, Chiquinho envia às seguidoras mensagens cheias de emojis, com muitos beijos, flores e palmas. E elas respondem com convites para festas, estadias em suas casas ou mesmo pedidos de jantares.

Chiquinho credita à autenticidade o seu sucesso nas redes. Recém-filiado ao Partido Republicano Brasileiro (PRB), mas sem a menor pretensão de ocupar algum cargo, o conde diz estar cansado do politicamente correto. E assim brinca de bater lata de caviar ou convoca a imprensa (teve emissora que mandou até helicóptero) à sua casa de mais de três mil metros quadrados e 12 vagas de garagem para o enterro de seu carro Bentley — tudo mentira, parte de uma campanha em prol da doação de órgãos. A lorota tornou-se um case de propaganda: atingiu mais de 172 milhões de pessoas nas redes sociais e, num mês, fez com que o número de doações de órgãos no país aumentasse em 32%.

A mansão, aliás, avisa ele, está à venda. Desculpa: está construindo uma casa toda de vidro, mais moderna, bem perto do casarão erguido por seu pai, o industrial Francisco Scarpa. Morto aos 103 anos, em 2013, Francisco pai figurou no ramo da cerveja — foi dono da Caracu —, da indústria têxtil, do açúcar e da metalurgia. Imigrante italiano, Nicolau Scarpa, o avô de Chiquinho, participou da fundação da Votorantim. O dinheiro do conde, aliás, avisa ele, vem das heranças de família e do trabalho com loteamento de fazendas.

UM HOMEM 'ECONÔMICO'

Acostumado à boa-vida, o playboy se declara um homem econômico, “que gasta com o necessário”. E Chiquinho necessita, além de badalação diária — quase sempre ao lado de Marlene —, de ternos sob medida assinados por JoséCozzi, que faz visitas semanais ao cliente; charutos Cohiba Behike, um dos mais caros do mundo; perfume com fragrância própria, Acqua di Scarpa, desenvolvida em Firenze, na Itália; mimos para Pacheco Pafúncio, um bichon havanês de pouco mais de um ano. Pequeno porém bravo, o cachorro está sempre ao lado do conde e tem página nas redes sociais com mais de dois mil seguidores. Chiquinho também precisa de sapatos. Segundo Marlene, nenhuma mulher tem tantos quanto ele. Cada par é guardado em fôrmas de madeira feitas nos moldes dos pés do conde. Se ele vai viajar por cinco dias, por exemplo, leva cinco sapatos pretos, um para cada dia.

Para chamar a atenção do conde, pode-se dizer que Marlene já fez de tudo, inclusive uma quase-tentativa-de-atropelamento, quando tinha apenas 18 anos.

— Passei com o carro rente a ele, que caminhava na rua. Ainda lembro a cara de nojo dele — conta, gargalhando.

Exatos 28 anos depois, entre encontros e desencontros em eventos de amigos em comum, engataram um namoro. No dia seguinte ao primeiro reencontro, aliás. Mesmo assim, ela diz que não quer casar — “a relação está tão boa que, se melhorar, estraga”. Mas Chiquinho deseja ver os filhos pulando na enorme piscina de seu quintal.

— É uma coisa que preciso ter, senão a linhagem acaba comigo. E adotar não é a mesma coisa. Eu não adotaria — diz.

No alto dos 64 anos, e quem sabe querendo bater os 103 do pai, faz ginástica quatro dias na semana e aikido, arte marcial japonesa na qual é faixa preta, em outros dois.

— Quero viver mais que meu pai, que ia dirigindo para o trabalho aos 100 anos.

Se diz satisfeito com o corpo e lembra da “idiotice” que fez em nome da boa forma, quando ficou em coma por dois meses após contrair uma infecção no hospital onde realizou uma cirurgia de redução do estômago — em janeiro último, reverteu o procedimento.

Vaidoso confesso, não fica um dia sem passar creme no rosto. Recebe manicure e cabeleireira toda semana, em casa, e faz questão de posicionar o rosto num abajur para mostrar que nunca usou botox:

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— No corpo não passo creme porque sou muito peludo. E fica tudo melado.

Depois da ginástica, dos cremes, das unhas e dos cabelos, Chiquinho pontua que a saúde sexual vai bem:

— Por enquanto não aconteceu nada. Pergunto ao médico se vai acontecer (de falhar), e ele fala: “Não pensa.’’ Nunca precisei de remédio. Mas se precisar, eu tomo.

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