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A peça Cafundó de Amauri Tangará está em cartaz no SESC e brinca com imaginário popular de Mato Grosso

Da Redação - Marianna Marimon

06 Fev 2014 - 15:40

Foto: Reprodução

A peça Cafundó de Amauri Tangará está em cartaz no SESC e brinca com imaginário popular de Mato Grosso
Uma vida que culminou em um espetáculo que já percorreu três continentes com mais de 1.200 apresentações. São 25 anos com o pé na estrada em que o diretor e ator Amauri Tangará passou encenando a sua peça “Cafundó – Onde o vento faz a curva”, que invade o Teatro do SESC Arsenal nesta sexta-feira (7), sábado (8) e domingo (9) sempre às 20h. Para presentear o público também foram convidados artistas especiais como Nico e Lau, Vera Capilé e Luis Carlos Ribeiro.

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Foram mais de 1.200 apresentações que perpassaram por todo o Brasil e depois ganharam novos horizontes na Europa, África e América.

25 anos para um espetáculo de teatro é uma vida. O ritual de aprontar o cenário, arranjar as luzes, repassar o texto, conferir o figurino, verificar a trilha sonora acabam, depois de tantos anos, por se transformarem num mantra, num ato quase sagrado, quase xamânico.

E se é assim tão sagrado pisar um palco tantas vezes com um mesmo propósito, o que dizer desse propósito que é o de resgatar, de reciclar, de relembrar, de dar vida a histórias e estórias do povo dos sertões profundos, àqueles a quem carinhosamente Amauri Tangará chama caipiras.

O autor faz do texto uma linguagem simples e apesar de falar do sertão e de seus habitantes, a plateia não fica descontextualizada, pois o tema é universal. A comparação com Guimarães Rosa é inevitável, por tratar da magia da tradição do homem do sertão, segundo afirma um crítico.

A peça Cafundó é a brasilidade do teatro caboclo, na cor, no gosto, no cheiro e no gesto. Cortante como o trem do Pantanal, gostoso como licor de pequi, simples como cigarro de palha.

O espetáculo é dirigido pelo próprio Amauri que também protagoniza e define “Cafundó” como poético, alegre, vibrante e inesquecível. A primeira apresentação foi feita em 1989, ao estrear na Casa de Cultura de Cáceres (MT), com casa lotada. E foi a partir daí, que Cafundó e Amauri Tangará migraram pelo Brasil e depois alçaram vôos maiores para além do oceano.

Em seu blog, o artista conta que após a estréia em Cáceres foram para Colíder na zona rural, na comunidade de São Jorge. “No meio da salva, possuía um teatro de pau-a-pique. Pessoas a pé, de carroça, de bicicletas, à cavalo, pareciam brotar do meio das matas. Mais de 300 pessoas. Feito à luz de lampiões de querosene, “Cafundó” recebeu naquela noite, seu batismo definitivo”, conta.

Mas, por enquanto, vamos nos ater ao que está por vir “Cafundó”: uma comédia invulgar que remonta a vários cantos do mundo para contar as mais estranhas histórias, lendas, rituais, festanças religiosas, apresentados numa verdadeira “roda de prosa”. Num ambiente de magia ”o público português teve uma reação similar ao público brasileiro, fazendo-me sentir em casa”, ressalta Amauri Tangará.

Os mitos, as lendas e as tradições do Pantanal são os ingredientes do espetáculo “Cafundó – Onde o Vento faz a Curva”, um divertido solo no qual o “contador de causos” Amauri Tangará passa em revista o fantástico imaginário cultural do interior do Brasil.

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