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Quarta-feira, 30 de setembro de 2020

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Caminhamos às cegas para o abismo, mas a única saída não precisa ser a queda

Especial para o Olhar Conceito - Nina Moon

15 Mar 2014 - 17:30

Foto: Reprodução

Caminhamos às cegas para o abismo, mas a única saída não precisa ser a queda
Em um mundo que corre apressado sem freio e sem destino, a vontade é de gritar e questionar: “aonde foi parar a nossa sensibilidade?”. Os rostos nas ruas são tristes, as pessoas nos transportes públicos possuem semblantes preocupados, receosos, sendo transportados como gado, sem qualquer tipo de cuidado. O modo como o povo brasileiro é tratado pelos seus governantes, revela um pouco o atual momento vivenciado no país, em que vemos explosões de violência para todos os lados, inclusive dos próprios cidadãos, que agora, fazem justiça com as próprias mãos.

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Parece que voltamos a um estado medieval da vida em sociedade, animalizados, mas sem a parte de valorizar a natureza ou entrar em contato com esta, mas animalizados no pior sentido, de se aproveitar da fragilidade do outro. Voltamos aos tempos de caça e caçador (se é que algum dia vivemos de outra forma).

As notícias nos jornais parecem um filme de terror ou de ficção científica. Cada canto do mundo passa por transtornos, o povo vai para as ruas e se revolta contra o sistema capitalista, em que 1% das pessoas do mundo detém 90% da riqueza ante 90% da população dividindo 1% da riqueza. O mundo está exaurido e as pessoas também. O cansaço tomou conta de todos. Lutar? Só se for para morrer e fazer valer o seu direito, mesmo que seja enterrado como indigente.

Nesta luta pela liberdade, porque é sobre esta palavra que precisamos pensar melhor, estamos condenados? A escravidão moderna existe, só está mascarada pelas benesses do capitalismo, pelo consumo exacerbado, pelos shoppings centers que nos tiram a possibilidade de pensar que há algo errado neste mundo de luzes e compras.

Não comemoramos feriados pelo sentido, mas pelos descontos nos supermercados, nas lojas e variados. Perdemos o sentido da liberdade, do corpo e da mente. Isso era um ideal. Sempre foi o desejo de tantos: negros escravizados, índios escravizados, e brancos também. Ninguém escapa da mão do destino e da crueldade dos homens animais.

O problema é não conseguir enxergar a um palmo de distância, é não conseguir entender que o mundo continuará a girar quando a humanidade se for. O cientista James Lovelock que descobriu o aquecimento global prevê duas saídas para a humanidade: ou caminhamos para o desenvolvimento de uma sociedade altamente tecnológica que irá se fechar do ambiente que contaminou e criar uma nova realidade, ou caminhamos para o retorno de tempos medievais.

Não acredito que seja a primeira opção. Basta ligar a televisão. Linchamentos no Brasil, jovem negro nu amarrado a um poste por ser acusado de roubo. O cidadão está tão cansado, que quer fazer justiça com as próprias mãos, quer ferir como foi ferido, quer atacar como foi atacado, quer remediar sem saber qual é o mal. Não existe mais a força dos aparatos oficiais, os políticos continuam os mesmos, apenas roubam a população, a polícia apenas atende aos governantes e fazem e desfazem a seu bel-prazer, e o mesmo exemplo serve para a Justiça, com sua eterna morosidade.

Em que mundo escolhemos viver? Cassia Eller já cantou que o mundo está ao contrário e ninguém reparou. Mas, se desligarmos a TV após o noticiário, e tirarmos um minuto para refletirmos o caminho que trilhamos, talvez, ainda haja retorno. Esta animalização é o espetáculo da sociedade que prega o sermão, mas deturpa o sentido. Afinal, é preferível um bicho que age pelos seus instintos, do que um ser pensante que consegue fazer conexões neurais, mas não vê que ao caminhar para o abismo, a única saída possível, é a queda.

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