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Década de 80 volta para relembrar a Coorepórter no evento "Pantan" na Praça da Mandioca

Da Redação - Marianna Marimon

09 Dez 2013 - 15:14

Foto: Divulgação

Jornal Escaldado

Jornal Escaldado

O ano é 1980. A ditadura militar ainda está em vigor e a liberdade não é mais um direito. Talvez tenha sido a proibição, a revolta, ou simplesmente, a vontade de lutar por aquilo que acreditam, que em meio a toda efervescência política, social e cultural, surgiu a Cooperativa dos Jornalistas e Técnicos Gráficos, a Coorepórter. Em um velho casarão localizado na Rua 13 de Junho em Cuiabá nascia o reduto dos rebeldes do Centro-Oeste, que não só combateram o sistema, como se colocaram na vanguarda da produção cultural e artística.

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E foi da Coorepórter que nasceu o jornal “Escaldado”, combativo e político, que chegou a ser alvo de um atentado devido às denúncias de grilagem em Mato Grosso, como conta o diagramador Mário Hashimoto, um dos responsáveis por trazer toda a aura da Coorepórter em uma noite. Nesta terça-feira (10), a partir das 19h30, na Praça da Mandioca, com música, poesia, arte e performances, acontece a “Pantan na Praça – Relembrando a Coorepórter”.

Hashimoto conta que o nome surgiu da música “Pantan no Quintal” de autoria do poeta Antônio Carlos e do repórter fotográfico Magno Jorge, cuja letra faz reverência ao Pantanal mato-grossense e ao pássaro sabiá laranjeira.

A ideia de rememorar os idos dos anos 80 surgiu não só pelo saudosismo, mas pela vontade de se unir tantas pessoas que fizeram parte deste passado. Cuiabá estava na vanguarda dos acontecimentos, com grupos como Caximir Bouquet, que trazia performances, teatro, poesia e música, ao palco.

“Nós perdemos muitos amigos desta época, e ao relembrar destes momentos, comecei a postar algumas canções, então surgiu a ideia do nada, e nós topamos fazer, mais ou menos como a Coorepórter na época: sem dinheiro”, brinca Hashimoto.

Sobre o “Escaldado”, Hashimoto se recorda da época da ditadura militar, e que o jornal relatava os fatos políticos locais, além de trazer denúncias, mas sempre ligado aos movimentos sociais, indígenas e direitos humanos. Era um jornal de esquerda.

“A Coorepórter era um espaço que agregava todos que aqui chegavam, sem perspectivas de trabalho, era realmente uma editora, porque também fazíamos as montagens de filmes, e abrigávamos quem precisasse, ali já foi a casa e o início de muita gente em Cuiabá, até a minha”, relembrou.



Apesar de ter uma vida curta, o “Escaldado” teve apenas quatro edições que eram lançadas mensalmente, a Coorepórter conseguiu permanecer viva ao longo de uma década, tendo fechado as portas apenas na década de 90. “Cuiabá vivia um momento cultural muito forte, foi a melhor época para os movimentos artísticos da cidade, que realmente eram de vanguarda, coisas que aconteciam aqui também aconteciam no mundo todo”, destaca.

Para não deixar que essa história se perca em meio aos pedaços de tantas lembranças, a “Pantan na Praça” promete surpresas e reviver momentos que estão marcados nas memórias daqueles que viveram toda a plenitude de um movimento da década de 80, que consolidou o espírito rebelde de uma Cuiabá inquieta.

A Coorepórter – A Cooperativa dos Jornalistas e Técnicos Gráficos foi fundada no início da década de 80 pelo saudoso jornalista José Calixto Alencar, o Zelito, e outro profissionais da área como o chargista Salvio Jacques e Lúcio Tadeu (também falecidos), o diagramador Mário Hashimoto, o repórter fotográfico Magno Jorge e também os jornalistas Nelson Severino, Janete Carvalho, Adeildo Lucena e Marcos Vila.

A sede da cooperativa, localizada num casarão da Rua 13 de Junho, no meio do quarteirão entre a Avenida Dom Bosco e a Praça Ipiranga, era utilizada para a realização de serviços jornalísticos e também abrigava seus diretores, artistas, ecologistas, indígenas e jornalistas que por aqui chegavam sem rumo.

Hashimoto está mobilizando fundadores, amigos, profissionais de áreas afins e todos que tiverem interesse em conhecer um pouco dos tempos áureos do jornalismo mato-grossense para comparecer dia 10 de dezembro, a partir das 19 horas, na Praça da Mandioca.
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