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Fridólotras

Frida Kahlo: Artista mexicana de personalidade tempestuosa incendeia corações cuiabanos

Da Redação - Stéfanie Medeiros

21 Fev 2014 - 17:20

Foto: Stéfanie Medeiros

Quadro da pintora Capucine Picicaroli que hoje faz parte da coleção particular de Creuza Medeiros

Quadro da pintora Capucine Picicaroli que hoje faz parte da coleção particular de Creuza Medeiros

O ano era 1925 e Frida Kahlo tinha 18 anos. Ela estava viajando em um bonde quando este colidiu com um trem. O pára-choque de um dos veículos perfurou-lhe as costas, atravessou sua pélvis e saiu pela vagina, causando grave hemorragia e seqüelas no útero que a impossibilitariam de ter filhos. Frida ficou meses internada entre a vida e a morte e fez diversas cirurgias para reconstruir o corpo todo perfurado.

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Mas Frida, com personalidade forte e traços marcantes, teve uma vida conturbada para além dos acidentes. Aos 22 anos, casou-se com o pintor Diego Rivera, uma das inspirações em sua obra. Frida era bissexual e, assim como o marido, tinha casos extra-conjugais (um deles possivelmente com o escritor russo Leon Trotski). Diego aceitava que Frida se relacionasse com mulheres, mas não com homens. O relacionamento dos dois era tempestuoso e acabou tragicamente quando Diego começou a ter um caso com Cristina, irmã mais nova de Frida. Com Cristina, Diego teve seis filhos. Frida jamais perdoou a irmã.


(Parede dedicada à Frida Kahlo no Armazém da Creuza)

Mas aos 33 anos, Frida e Diego reataram o relacionamento. Frida constrói uma casa ao lado da de Diego, igual à residência em que tinham vivido juntos. Uma ponte ligava as duas casas e eles se encontravam em uma ou outra, sem, no entanto, morarem juntos. Apesar disto, a personalidade dos dois continua a mesma e Frida, extremamente passional e sensível, tentou cometer suicídio com facas e martelos diversas vezes. Em 1954, Frida foi encontrada morta. Seu atestado de óbito afirma que a causa da morte foi embolia pulmonar, mas não se descarta a possibilidade de overdose. A última anotação do diário de Frida diz: “Espero que minha partida seja feliz e espero nunca mais regressar – Frida”.

No milênio seguinte, a história e personalidade desta artista exercem um fascínio muito grande em diversas pessoas. Em Cuiabá, a presença de Frida Kahlo se faz notar nos eixos onde a chama cultural está renascendo. No Armazém da Creuza, no Espaço Magnólia, o retrato de Frida está em todos os lugares: Em quadros feitos com cartões postais que uma amiga de Creuza Medeiros trouxe do México, nas pinturas de Capucine Picicaroli, em forma de boneca de madeira sentada na vitrine da loja, na capa de cadernos artesanais de Valéria Carvalho e no interesse dos clientes.



“Eu fiquei impressionada com a quantidade de gente que não só conhece a história de Frida, mas que também é fascinado por ela”, explicou Creuza Medeiros, proprietária do Armazém da Creuza e Espaço Magnólia.

Creuza considera-se uma “Fridólotra”. É apaixonada pela artista por vários motivos, sendo que um deles é bem visível: Creuza adora as cores vibrantes e os acessórios da pintora mexicana. E no dia desta reportagem, a roupa toda em preto e branco ressaltava o colar colorido de flores, feito com miçangas e detalhes de tecidos, assim como as flores que Frida usava nos cabelos.

Neste mesmo dia, Creuza foi presenteada com um caderno artesanal feito por Valéria Carvalho. Na capa, o rosto de Frida aparece várias vezes. “Vi o tecido e lembrei de Creuza”, disse Valéria. Uma das obras mais queridas de Medeiros é um quadro de Capucine. A pintura faz parte de sua coleção particular e, apesar dos vários pedidos de que ela o vendesse, ela só o faria “quando eu morrer” – e talvez nem então.

O quadro é uma explosão de cores e, do lado esquerdo, Frida com suas flores no cabelo e o coração em chamas. No pescoço, fitas brancas passam de um lado para o outro, fazendo referência à obra “A coluna partida”, no qual Frida se auto-retrata usando coletes ortopédicos depois de seu acidente de bonde. Capucine, há pouco mais de um ano, não se considerava pintora, embora as práticas artísticas jamais a tenham deixado.

Desafiando a própria timidez, levou este quadro até Creuza, para perguntar se ela achava que a pintura “era algo que dava para expor”. “Eu fiquei encantada. Falei pra ela: ‘Capu, sua obra é universal”, relembra Creuza. E desde então Capucine reassumiu sua posição como pintora, e, de suas mãos habilidosas, várias outras Fridas renasceram. Mas aquela primeira continua sendo – e sempre será – de Creuza.

Mas outras Fridas, se você que está lendo isto também é “Fridólotra”, podem ser adquiridas. Quadros, garrafas, porta lápis, cadernos e demais objetos daquela mulher explosiva que não se curvava às convenções sociais estão em toda a parte. É só procurar a loja onde uma boneca de madeira de sobrancelhas grossas, acessórios coloridos e saia longa senta em uma cadeira na vitrine, olhando o movimento e fazendo seu papel de guardiã do Armazém da Creuza, mostrando ao mundo que, às vezes, o aprendiz supera o mestre.

Feirinha da 24

Lembrando que neste sábado, 22 de fevereiro, todas as lojas do Espaço Magnólia estarão envolvidas na “Feirinha da 24 – Desapega!”, além de expositores convidados. Os visitantes, além de comprar os produtos cheios de personalidade e história dos produtores culturais da região, também podem levar objetos que queriam trocar.

Para saber mais sobre a Feirinha, clique AQUI.
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