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Jovem escritora e jornalista cuiabana lança seu primeiro livro de poemas com 'biografia da essência'

Da Redação - Isabela Mercuri

13 Out 2014 - 10:30

Foto: Divulgação

Jovem escritora e jornalista cuiabana lança seu primeiro livro de poemas com 'biografia da essência'
Os poetas, como os cegos, podem ver na escuridão. A frase é de Chico Buarque, mas fala claramente de todos os poetas. Assim como afirma a jovem escritora Stéfanie Medeiros, “A partir do momento que sai da gaveta, não é só meu, é de quem lê também. Quando a gente compartilha um verso ou poema que a gente gosta, é porque ele talvez diga mais sobre a gente do que sobre quem escreveu”.

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Stéfanie, como Chico, pode ver na escuridão. Formada em jornalismo pela Uiversidade Federal de Mato Grosso (UFMT) no começo de 2014, a garota de 22 anos escreve poemas desde os 15. O começo também foi poético: “O dia em que escrevi este poema [o primeiro que gostou], estava sentada na minha cama ouvindo Elephant Gun, do Beirut. As rimas começaram a traduzir algumas imagens que eu tinha na cabeça e, finalmente, o primeiro poema que eu não odiei surgiu”, e então Stéfanie não parou mais de escrever.



No próximo dia 23 de outubro, ela lança seu primeiro livro, intitulado “Borboletas infinitas de um coração imperfeito” (que é, também, verso de um de seus poemas). O livro é uma coletânea de 50 poemas escritos desde 2007 até o início de 2014, e que falam de temas variados. “Cada um deles, de certa forma, conta uma história que eu tinha comigo, seja ela fictícia ou real”, explica a autora, que nomeia seus poemas como “biografia da essência”, que conta histórias que aconteceram com ela, com pessoas que ela conhece ou com pessoas que ela inventou.

A inspiração, além das histórias, foi o poeta Mario Quintana. Segundo Stéfanie, ele foi o primeiro poeta que ela gostou de ler, e seus poemas eram muito diferentes de tudo que a escritora já tinha visto. “Eu achei o primeiro livro que comprei dele em um sebo no centro de Cuiabá. Ele é cheio de anotações, de coisas que eu pensava lendo os versos dele. A época eu que eu estava lendo a obra de Mario Quintana foi, sem dúvida, a mais produtiva em termos de poesia”, comenta. Além dele, outros escritores que a inspiraram foram Manoel de Barros, Érico Veríssimo, Jorge Amado e Joanne Rowling, autora de Harry Potter.



“Borboletas infinitas de um coração imperfeito” é uma representação do primeiro contato de Stéfanie com a literatura. “Não só como consumidora, mas como produtora”, ela complementa. A partir daí, já começou outros projetos de livros em prosa, como um resultado de seu trabalho de conclusão de curso na UFMT, um livro-reportagem sobre Manoel de Barros que ela pretende aprofundar durante o mestrado, seu plano para 2015. Na área da ficção, ela começou dois livros que ainda estão sendo escritos.

A jornalista

Um dos impasses na vida de Stéfanie é administrar o jornalismo e a literatura. Para ter as respostas de qual é o lugar de cada um na sua vida, ela recorre a outros autores. Essencialmente, ela concorda com João do Rio quando este diz que deve-se amar a arte a ponto de morrer de fome, se preciso, “para não prostituir seu talento”. No entanto, também se identifica com Juremir Machado da Silva, quando este afirma que o jornalismo é profissão, nada mais, enquanto a literatura deve ser “como iluminação, ruptura, invenção”.



O lançamento

O lançamento do livro “Borboletas infinitas de coração imperfeito” acontece no próximo dia 23 de outubro (quinta) às 19h30, na Academia Mato-Grossense de Letras. Stéfanie explica sua escolha: “Desde que comecei a trabalhar com jornalismo cultural, acompanho tudo o que acontece na Academia Mato-Grossense de Letras. Já participei de cerimônias de posse, lançamentos de livro e outros eventos. Acho que estar na Casa Barão de Melgaço tem um encanto pra mim. Acho que a ‘casa das letras’ encanta qualquer pessoa que gosta de escrever. Ela é cheia de história, tradição, cultura e agora tem novas coisas acontecendo. Eu também queria ter uma participação nisto que não fosse só como observadora. Os acadêmicos atuais sempre foram muito gentis e sempre procuram incentivar a literatura do estado”.

Ela convida a todos para conhecer o livro, comer os brigadeiros gourmet da Beijo de Anjo e tomar champange no lançamento. A Casa Barão de Melgaço, sede da Academia Mato-Grossense de Letras (AML) e Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso (IHGMT), fica na R. Barão de Melgaço, 3684, Centro Norte de Cuiabá. Confirme sua presença no EVENTO criado no Facebook.

Confira na íntegra o poema que dá nome ao livro:

Algumas pessoas não morrem
Simplesmente não nascem
Alguns anjos ficam no céu
E não têm rostos.
E não têm nomes.
Apenas presença...
O mundo foge por uma ladeira
Como seria se fosse diferente?
(E como é quando fica igual?)
Queria dar-te um belo poema
Repetir teu nome três vezes
Mas alguns anjos não têm nome
Dizer-te que sinto saudades
Mas alguns anjos não têm rosto
E nunca houve um funeral
Porque algumas pessoas não morrem
Porque alguns anjos não nascem
E com um irmão no céu
E outro na terra
Fico assim, em silêncio contemplativo
Pensando na vida e em anjos
E em borboletas infinitas de coração imperfeito...

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