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Projeto desenvolvido pela UFMT e Ministério da Cultura fomenta arranjos produtivos em comunidades indígenas

Da Redação - Naiara Leonor

25 Jun 2015 - 16:34

Foto: Téo Miranda

Projeto desenvolvido pela UFMT e Ministério da Cultura fomenta arranjos produtivos em comunidades indígenas
Começou a ser realizada na última quarta-feira (24) e vai até o fim de agosto, a etapa de capacitação do projeto “Territórios Criativos indígenas: arte e sustentabilidade”, implantado em dezembro de 2014, que vêm desenvolvendo atividades de pesquisa junto a 4 comunidades indígenas de Mato Grosso. A primeira aldeia a receber a equipe é a Vila Nova Barbecho, do povo Chiquitano. A iniciativa é uma parceria entre o Ministério da Cultura e a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), por meio do Núcleo de Pesquisas do Contemporâneo (NEC).

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O projeto se orienta a partir dos seguintes eixos temáticos: direitos culturais e patrimônio indígena; comercialização de produtos, de forma a respeitar o modo de vida dos povos indígenas; e captação de recursos que visem o benefício comunitário e familiar.

Com o intuito de projetar estratégias de sustentabilidade e geração de renda geridas pelas próprias comunidades, o trabalho está sendo desenhado pelos consultores e pelo pesquisador/articulador Soilo Urupe, estudante de psicologia e membro da comunidade: "uma iniciativa pioneira no Estado de Mato Grosso", explica ele.

O projeto se estabeleceu a partir da escolha de produtos a serem impulsionados por cada povo, a saber: os Umutina com as biojóias, produzidas a partir de sementes oriundas da própria região; os Chiquitano com a orquestra de violinos, que reúne crianças e jovens na aprendizagem de instrumentos musicais tradicionais deste povo e o violino; o povo Bakairi, que se dedica ao estudo e comercialização de artefatos e produtos originados a partir de elementos culturais deste povo, como as redes e cestarias; e Xavante, com a vivência realizada na aldeia Wederã, ação que envolve o visitante no modo de vida deste povo e compartilha experiências no cerrado mato-grossense.

O contato com as aldeias é intermediado por estudantes que pertencem a elas e que participam do projeto, atuando como um elo importante entre a academia e as comunidades envolvidas, possibilitando que o trabalho seja moldado a partir das necessidades reais dos territórios mobilizados.

Segundo prof. Dra. Naine Terena de Jesus, uma das coordenadoras do projeto, a forma de trabalho do projeto: "as peculiaridades e diferenças entre as etnias envolvidas e os conceitos de vida dos não indígenas, pulsam a todo momento e busca-se considerar todos os movimentos que surgem nas etapas previstas do projeto. É um exercício de ouvir".

Como primeiro passo, foi realizado um mapeamento das condições de vida das aldeias, como o fluxo financeiro, informações que podem auxiliar na formulação de políticas e projetos voltados para as comunidades indígenas. Os dados coletados serão transformados em artigos, que serão construídos sob orientação das Profs. Dra. Ludmila Brandão, Diego Baraldi e Suzana Guimarães ao final do projeto.

Já na etapa atual as comunidades receberão formação para comercializar seus produtos de forma consciente, respeitando os interesses comunitários e o modo de vida em cada uma delas. A expectativa para esta etapa é que as atividades consigam alcançar a linguagem e os modos de atuação que cada comunidade acredita ser ideal.

Para Helena Corezomaé, do povo Umutina e estudante de jornalismo, a pretensão é que o Territórios Criativos possa ajudar na divulgação e redução dos atravessadores, colaborando para um contato direto das artesãs Umutina e o comprador final, proporcionando autonomia e valorizando o trabalho promovido dentro das aldeias Umutina.

Para Isabel Taukane, do povo Bakairi e estudante de doutorado na UFMT, o desafio do projeto é a implementação efetiva das ações e romper barreiras quando o assunto é a condição econômica dos povos indígenas: "os povos indígenas, no decorrer dos mais de 500 anos de processo de colonização, sempre foram espoliados sob todas as formas, seja nos trabalhos forçados, seja no enfraquecimento de sua cultura e assim por diante, assim quando se trata da economia criativa dos bens materiais e intelectuais que esses povos conseguiram manter ao longo de todo esse processo, o assunto ou o projeto da economia criativa deve ser tratado com todo esmero".

A última etapa do projeto irá lançar um site com os produtos que cada comunidade está fomentando, oferecendo ao público consumidor, contato direto com a comunidade para aquisição dos produtos e também para saber mais informações sobre os povos e dados coletados. O lançamento do site acontecerá no evento 'Aldeia de Vivências', que será um momento de negociações, onde, membros das comunidades envolvidas estarão reunidos em Cuiabá para dialogar sobre a experiência e ter a possibilidade de aproximar a realidade dos produtores indígenas ao público em geral.

Participam ainda do projeto na coordenação executiva Karine Mattos, que atua junto a Fundação Uniselva, parceira na gestão dos recursos; o cineasta Caimi Waiassé, tradutor Xavante, e Adriano Makuda, do povo Bororo, que traz contribuições no setor jurídico para povos indígenas. Adriano graduou em direito e, ao final do projeto, pretende-se que sua pesquisa resulte em um artigo ou documento que será produzido em parceria com as profs. dras. Naine Terena e Larissa Menendez. O tema abordado será a proteção e direitos dos povos indígenas no contexto da produção e comercialização de bens e patrimônios.
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