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Sexta-feira, 19 de julho de 2019

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Taques garante representantes da Cultura na discussão sobre fim da secretaria mas avisa que “não importa o nome, tem que funcionar”

Da Redação - Stéfanie Medeiros

27 Out 2014 - 08:30

Foto: Stéfanie Medeiros/ Olhar Conceito

Taques garante representantes da Cultura na discussão sobre fim da secretaria mas avisa que “não importa o nome, tem que funcionar”
“No dia cinco de novembro, será apresentado o projeto de reforma política pela equipe de transição. Na data, quero que vocês nomeiem quatro representantes da classe artística para acompanhar e contribuir com as discussões até o final do mês, quando teremos que tomar uma decisão”, disse Pedro Taques (PDT) durante reunião com a classe artística de Mato Grosso.

Leia mais: Pedro Taques marca reunião depois de alvoroço em relação ao futuro da Secretaria de Cultura

Na ocasião, o governador eleitor afirmou diversas vezes que o importante não é o nome, mas sim que o órgão responsável pela cultura no Estado funciona de fato. A reunião aconteceu no final da tarde de sábado (25) no fórum de discussão e escola de circo Leite de Pedras. O evento, marcada pelo próprio senador, teve como objetivo discutir o futuro da Secretaria de Estado de Cultura, ameaçada pelo organograma da equipe de transição de Taques de extinção ou de transformar-se em uma superintendência fundida ao turismo.

Quando questionado se estaria mais inclinado a manter ou seguir adiante com projetos de reforma administrativa, Taques respondeu: “Acho que a questão não é o nome. Acho que a questão é o funcionamento e eles disseram que não funciona como está. Se não funciona como está, nós temos que mudar a prática. Agora, para isto, é preciso ter coragem e atitude para mudar. E nós faremos essas mudanças”. Assista abaixo o vídeo com a resposta do futuro governador:



A reunião começou às 18h no Circo Leite de Pedras e seguiu até as 21h. Na ocasião, vinte e quatro pessoas puderam manifestar seus pensamentos e questionar o governador sobre diversos assuntos. A maioria absoluta da classe artística é contra a extinção ou fusão da Secretaria de Estado de Cultura com o turismo. A gestora cultural Elaine Parizzi inclusive aproveitou a oportunidade para entregar a Taques um estudo de 14 páginas sobre o funcionamento de diferentes formas administrativas em relação à cultura.

Também estavam presentes na reunião o secretário municipal de cultura de Cuiabá, Alberto Machado, bem como o adjunto da mesma pasta, Paulo Traven. Tarven leu ao governador no início da reunião uma carta de reinvindicação da classe. “O panorama do mercado cultural mato-grossense está longe do ideal. E a partir do diagnóstico apresentado pelo seu plano de governo anexo, o setor carece mais que nunca de uma atenção especial”, leu Traven em um trecho da carta. Sobre a possível extinção ou fusão da cultura com turismo, a carta afirma: “Esta é uma afirmação que contradiz os compromissos com o setor assumidos durante a sua campanha”. Veja no vídeo abaixo a leitura completa da carta:



No final do evento, o clima entre artistas e o futuro governador era amigável. O setor mostrou-se satisfeito de ser ouvido, embora ainda tema as reformas administrativas que estão por vir. Taques, no entanto, não disse com todas as palavras o seu posicionamento em relação à questão, mas afirmou que ouvirá o setor mais vezes antes da decisão. O único posicionamento concreto da conversa da classe artística e do senador é a escolha de quatro representantes para acompanhar o desenvolvimento do organograma a partir do dia 5 de novembro. Os quatro representantes ainda não foram escolhidos.

Entenda o caso

No dia 15 de outubro, o coordenador da equipe de transição de Pedro Taques (PDT), Otaviano Pivetta (PDT), apresentou à imprensa um projeto de reforma administrativa.

A principal ideia da reforma administrativa é reduzir de 19 para 12 o número de secretarias e cortar o excesso de cargos comissionados da máquina pública. Neste caso, a Secretaria de Estado de Cultura seria transformada em superintendência, fundida com o turismo, caso o projeto seja aprovado. Leia mais detalhes sobre a reforma administrativa clicando AQUI. 

Caso a Secretaria de Estado de Cultura seja transformada em uma superintedência, ela seria um órgão estatal autônomo com personalidade jurídica de direito público vinculada a Secretaria de Estado de Cidades. No organograma organizado pela equipe de transição, a superintendência seria da cultura e do turismo e ambas responderiam à Secretaria de Cidades e Desenvolvimento Regional (veja o organograma clicando AQUI).

Uma das questões alarmantes para a classe, além da perda da SEC, é se o turismo também será uma superintendência autônoma ou se a cultura e turismo serão partes da mesma superintendência, caso o organograma da equipe de transição de Taques seja aprovado.

Caso a reforma administrativa seja aprovada como está, promessas feitas em relação à cultura perdem seu cunho de veracidade. Por exemplo: Na audição pública com Pedro Taques na Casa Barão de Melgaço (clique AQUI), o governador prometeu aumentar o orçamento da pasta para 1,5% do orçamento total do Estado. No entanto, se o projeto for aprovado, a verba destinada a cultura será também para o turismo, sendo que o aumento do orçamento da superintendência de ambos não demonstraria um aumento real de verbas para a cultura.

Veja também

Antes do início da discussão direta com a classe artítica, Pedro Taques fez um pequeno discurso falando sobre cultura e suas intenções. Confira na íntegra:

 

12 comentários

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  • Raquel
    06 Nov 2014 às 04:17

    Somos do mesmo saco, Anselmo. E tô ralando e quebrando o pau nos saraus pra gritar pelo nosso fortalecimento. Se liga.

  • wander silva
    31 Out 2014 às 08:45

    Rodrigo... vc falou algo relevante, pois qual é a política do município para cultura? Desde que me entendo por gente Cuiabá nunca teve uma política municipal para esta área, e por isso concordo com as críticas de quem diz que tem gente interessada apenas em cargos e não em de fato trabalhar pela cultura em geral. Não vejo no atual governo municipal nenhum movimento para Cuiabá se fortalecer no campo cultural. Dizem que não tem nada porque o governador é do Paraná e o prefeito é de Goiás. Vamos ver agora com um governador cuiabano se algo acontece de bom.

  • Jefferson Borralho
    30 Out 2014 às 21:19

    Sr. Governador Eleito, Pedro Taques. Mato Grosso tem conquistado espaço no cenário nacional em razão de sua estruturação política no setor cultural. Neste sentido, afirmo que se trata de conquista de base do setor cultural, não de ação de gestão política casuística e de atuação de instâncias recalcitradas de vícios, que juntos não representam o fazer cultural do nosso povo, mas oportunistas de causa própria. Assim, extinguir a Secretaria de Estado de Cultura, significa punir os honestos operadores de Cultura do Estado, com a interrupção desse processo de construção positiva e moderna e, sobretudo, eliminar Mato Grosso dos benefícios econômicos e políticos previstos no SNC- Sistema Nacional de Cultural. Sr. Governador eleito, Pedro Taques, governar também é avançar além do conquistado, e para tanto, faz-se necessário conhecer a natureza do objeto que se queira eliminar – estruturação política, programas e projetos identificar os entes e seus respectivos níveis de relação política. Portanto, governar é não decidir pela aparência, mas pela essência, posto que é aqui que nos situamos – somos operadores honestos de vanguardistas na construção do setor político cultural do Estado de Mato Grosso com observância acurada dos preceitos constitucional que nos asseguram o nosso avançar, por isso, não aceitamos sua decisão política de fechar Secretaria de Cultura de Estado. Finalmente, este é o momento do diálogo.

  • Anselmo Parabá
    28 Out 2014 às 18:29

    Erica, Rodrigo, Humberto, Kleber, Raquel e Elma, Precisamos é fortalecer a Cultura de nosso Estado, precisamos mostrar ao novo Governador o que realmente precisamos, acredito que nenhum de vocês citados são Artistas ou faz algo para enriquecimento da Cultura Local, Mas garanto que devem a shows nacionais, cinema e várias coisas que acontecem na cidade, e simplesmente vê a cultura como entreterimento, a Cultura é muito Mais que simplesmente isso. Sou Músico, Arte Educador e hoje Gestor Público, não sou Abajulador e nem puxa saco, a Cultura não é legal, A Cultura é Fundamental, Pedro Taques sabe o quando podemos diminuir em crimes por todo o Estado investindo em Projetos de Cultura e Arte, sabe da importância de fortalecer Ações e também implantar o Sistema de Cultura no Estado, sabe por que nos manifestamos e mostramos que Existimos e estamos aqui produzindo, gerando muita coisa que com Certeza vocês também partilham com seus familiares. Fundir a Secretaria hoje é retrocesso a toda uma sequencia de Prtojetos que foram conquistados nos últimos anos, dentre eles, o Plano Estadual de Cultura.

  • Carolina
    28 Out 2014 às 12:51

    Gente, quem comenta dizendo que a galera vai perder a boquinha demonstra claro desconhecimento da importância da cultura para uma sociedade! POr isso estamos desse jeito, cada vez mais consumindo lixo cultural. E além disso desconhece o orçamento da Secretaria de Cultura, se fosse dar pra todo mundo que vocês acham que mamam, não daria meu rei, porque o orçamento é de fome! Quem é artista rala de sol a sol se desdobrando em várias funções para poder exercer a sua arte, não é atoa que quando alguem trabalha muito e em vários lugares é chamado de artista, o povo brasileiro é chamado de artista! Essa luta é de todos, vamos nos informar e parar de falar bobagem e ofensas desnecessárias.

  • Marta Catunda
    28 Out 2014 às 09:56

    Sempre há esta acusação espúria que artista não trabalha, não produz infelizmente é uma velha discussão. O próprio Dante extinguiu a Fundação Cultural para criar a pasta da Secretaria de Cultura. Muitos acreditavam que a Fundação Cultural nascida na ditadura, com uma luta muito criativa do movimento de Artes Plásticas fundado à duras penas, por Aline Figueiredo e Humberto Espíndola e jovens artistas que investiram criativamente neste espaço independente para a cultura. Um espaço político legítimo. É muito desalentador ver que essa prática dos governantes se repete à despeito das conquistas sociais de artistas tão valorosos quanto os que resistem no Mato Grosso a toda sorte de bravatas administrativas!

  • erica
    27 Out 2014 às 22:58

    esse pessoal que foi falar com o governador, ta tudo doido pq vai perder a bocada, acabou o leite, ta na hora de vcs trabalharem, chega de mamar na SEC - sou a favor da fusão

  • Rodrigo
    27 Out 2014 às 22:37

    Pelo que entendi, o orador é secretário adjunto de Cultura do Município de Cuiabá e estava com ele o secretário municipal de Cultura. Eles foram fazer reivindicações ao governador eleito. Gostaria que eles, como representantes do município, informassem qual é a política do governo municipal de Cuiabá para a área de cultura. O município de Cuiabá nesta gestão tem uma política municipal para cultura? Ou acham que isto é prerrogativa apenas do governo estadual?

  • Humberto
    27 Out 2014 às 11:14

    A turma toda louca por uma boquinha... gente puxa-saco.

  • KLEBER
    27 Out 2014 às 11:07

    Tem que haver fusao mesmo, nao se pode ter uma secretaria que privilegie uma minoria. As pessoas sao as mesmas benificiadas pelo dinheiro publico. Quem nao tem um padrinho nao consegue nada, nem valores baixos, para investimentos.

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