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Sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

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bom velhinho

Além de trabalhar em shopping, 'Papai Noel do ano todo' leva felicidade a ribeirinhos e crianças do interior

Foto: Isabela Mercuri / Olhar Conceito

Clóvis Matos de Papai Noel

Clóvis Matos de Papai Noel

Uma vez uma garotinha de quatro anos queria uma estrela. Ela sabia que as estrelas ficavam lá no alto, perto do sol, e que por ser tão pequenininha certamente precisava de ajuda para conseguir buscá-la. Então ela se arrumou, foi até a casa do papai noel e pediu: “Papai Noel, eu quero uma escada para ir até o sol e buscar uma estrela”. E esse pedido marcou o papai noel para sempre.

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Clóvis Mattos está há dez anos trabalhando formalmente nos finais de ano como papai noel, e sempre que pode conta essa história, que aconteceu já há algum tempo. Sua aparência – barrigudinho, pele clara e barba grande e branca – no entanto, se parece com a do bom velhinho desde muito antes.

E foi isso que chamou a atenção de uma assessora de marketing do Shopping Três Américas, em 2003. “Eu trabalhava como vendedor emu ma livraria, e ela passou dois anos insistindo para que eu fosse o Papai Noel. Ao mesmo tempo, eu estava criando meu projeto de inclusão literária e precisava de dinheiro. Acabei aceitando”, conta.


Clóvis no projeto Inclusão Literária (Foto: Arquivo Pessoal)

Desde novembro de 2005, então, ele nunca mais parou com os dois projetos: o papai noel e a literatura. O primeiro, ele realiza no natal, e o segundo no ano inteiro. Clóvis recebe doações de livros e os distribui em cidades do interior. Além disso, mantém consigo uma ‘Caminhonete Furiosa’, de 40 anos de idade, que carrega em si uma biblioteca itinerante. “Eu viajo por Mato Grosso com livros para doar e às vezes para vender e me manter, mas se uma pessoa quer o livro e não tem condições de comprar eu dou”, afirma Clóvis, que por este feito também é chamado de ‘o papai noel do ano todo’.

Mesmo quando está sem as vestes vermelhas do pólo norte, ele conta que as crianças o chamam de Papai Noel. As experiências de Clóvis e as histórias que já ouviu deixaram marcas e a vontade de continuar fazendo o que faz: “Aqui no Shopping eu recebo muito mais carinho do que dou. As crianças vem, dão beijo, dão abraço”, conta.

Para ele, seu diferencial é o tempo e a atenção que dedica aos pequenos: “Mesmo se a fila estiver grande, às vezes a criança quer conversar comigo, e eu ouço com paciência. (…) Uma vez uma mãe chegou aqui e disse que tinha levado a filha para outro shopping, e chegando lá ela se negou a tirar foto com o outro papai noel, e disse que só tiraria com o papai noel de verdade, que era eu”, lembra feliz.

Além de todo o carinho, é lógico que ele também recebe muitos pedidos de presentes nas seis horas diárias em que fica sentado na cadeira de Noel: “Tem criança que chega aqui brava dizendo que eu não dei o presente que ela pediu o ano passado”, ri. “Este ano o que as meninas mais pedem é a baby alive e a frozen. Se a fábrica conseguir fazer a quantidade dessas bonecas que elas querem…”. Para os meninos não existe essa uniformidade nos pedidos, explica Clóvis.

Mesmo quando sai do shopping, os pedidos não mudam. O papai noel também visita festas de natal de bairros da periferia, hospitais e outras instituições, e as crianças sempre tem os mesmos sonhos: “O importante do papai noel é a fantasia. Tem muita criança que vem aqui e me fala que vai deixar uma comidinha pra mim na casa delas pra quando eu for entregar o presente… elas realmente acreditam em toda a história”.

Na noite do dia 24, para tornar a fantasia ainda mais real, Clóvis ainda entrega presentes nas casas de algumas crianças. No dia seguinte, ele segue viagem até o pantanal e vai surpreender os ribeirinhos. Até o dia 27 de novembro ele segue descendo o rio: “Essas crianças ficam encantadas só de ver o papai noel. Qualquer presente para elas tá bom, o máximo que elas pedem é celular”, conta. Depois de lá, ele segue para Mimoso e vai para a zona rural do estado alegrar mais meninos e meninas. A cada natal, Clóvis emagrece cerca de 10 kg com tanto trabalho. Mas com a certeza de que vale a pena.


Clóvis no Pantanal (Foto: Arquivo Pessoal)
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