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Quarta-feira, 05 de agosto de 2020

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Dieta vegetariana pode apresentar novos sabores, ideias e temperos: conheça experiências de cuiabanas

Da Redação - Isabela Mercuri

11 Jun 2016 - 10:22

Foto: Arquivo Pessoal

Lorraine não come carne há dez anos; hoje é vegana

Lorraine não come carne há dez anos; hoje é vegana

Foi depois de assistir ao documentário “Terráqueos” que a cuiabana Bruna Gomes decidiu que não comeria mais carne. Dos cerca de 90 minutos de filme, ela só conseguiu assistir 21, sem parar de vomitar e chorar. Desde manhã seguinte, dia 31 de dezembro de 2013, nunca mais colocou um pedaço de carne dentro da boca, e pretende parar com o leite e o ovo também. O motivo é claro: nojo do produto e dó dos animais.

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Bruna é jornalista, e é mais uma das pessoas que mudaram radicalmente suas dietas ao se tornarem vegetarianas e veganas. Como a mudança foi repentina, ela teve muita dificuldade até ser aceita por sua família e amigos. “No começo então é o pior, porque eu parei da noite para o dia, literalmente. Minha mãe foi fazer almoço no outro dia e eu já tive que explicar tudo pra ela e pro meu irmão. Eles acharam absurdo, que eu ia ficar doente, que eu só sabia inventar moda, que eu era do contra, etc etc. Eu fui passar o natal com minha família e amigos, imagina a ceia de natal? Carne, carne, carne e mais carne. Como explicar pra aquele bando de gente que eu não comia mais?”, conta.

Com o tempo as coisas foram melhorando, até mesmo porque foram só seis meses depois da decisão que ela começou uma dieta mais balanceada, com legumes, fibras e verduras. “Passei acho que os primeiros seis meses comendo molho de tomate, arroz, feijão e batata frita. Minha mãe me xingava todo dia, mas aí com o tempo eu fui tornando minha alimentação mais diversificada”. Aos poucos ela incluiu em sua dieta abóbora, grão de bico, vagem, mandioquinha, cogumelo e diversas outras coisas que antes nem pensava em comer. “Porque antes minha alimentação era muito restrita. Como tinha sempre uma carne eu não precisava raciocinar na hora de comer, era só um carboidrato e uma carne”.


Bruna Gomes é vegetariana há três anos (Foto: Arquivo Pessoal)


Essa maior diversificação da dieta também foi observada por Lorraine Tavares, cuiabana de 26 anos que há dez não come carne, e há um pouco menos se tornou vegana. “Como a saúde tava ok, nunca me preocupei em procurar um profissional especificamente por causa disso. Normalmente quem é vegano/vegetariano está sempre atento e consciente ao que está ingerindo, diferentemente da maioria das pessoas, que costumam se alimentar no automático”, conta.

Lorraine também começou com uma dieta ovolactovegetariana, assim como a de Bruna, mas aos poucos tirou os derivados de sua alimentação. Como começou com a restrição muito nova, manteve a decisão em sigilo durante algum tempo, já que a “ignorância das pessoas” podia prejudicá-la.

“Muita gente ainda acredita que carne é imprescindível na alimentação humana, sendo que já praticamos diversas formas de alimentação ao longo da nossa evolução. Mas só foi difícil no começo, depois me acostumei que sempre haverá alguém que se incomoda, faz parte do processo o incomodo em repensar a própria ética alimentar”.

Bruna e Lorraine não estão sozinhas na decisão, e também não são as únicas a fazer a restrição sem procurar um profissional para orientar. Segundo muitos vegetarianos/veganos, os nutricionistas ainda não estão preparados para dar as devidas orientações, e muitas vezes resumem a dieta a ‘carne de soja’.

Graciely Navarros, nutricionista formada pela Universidade de Cuiabá, afirma que os estudos na área cresceram nos últimos anos. Prova disso são as pós-graduações, cursos de culinária vegana, o site da Associação Vegetariana Brasileira e outras fontes de informação.

Para ela, além da alimentação vegetariana ser de mais respeito aos animais, também pode ser mais saudável e nutritiva. “Acredito que é um hábito que veio pra ficar, pois está crescendo a cada dia, devido à propagação de informações sobre o assunto. Além disso, as pessoas buscam a preservação do meio ambiente, defesa dos animais, longevidade e uma vida mais saudável”.

Foi a ideia de respeitar os animais que fez com que Bruna e Lorraine abandonassem as carnes. Se não fosse esse o motivo, inclusive, seria até mais fácil a aceitação. “Porque se eu falasse “pra emagrecer” ou “por saúde”, todo mundo aceitaria mais facilmente. Só que quando você fala que é por nojo e pelo modo cruel como essa carne é obtida as pessoas se incomodam. Porque a sua atitude é uma crítica e abala algo que a pessoa toma como natural, rotineiro”, comenta Bruna.

Com Lorraine o questionamento foi praticamente o mesmo: “Lembro de ter feito planos pra vida adulta em uma aula de sociologia, e um deles era jamais me alienar da minha conexão com o mundo e com os animais, como parecia fazer todo adulto que eu conhecia. Pra mim, simplesmente não era compatível dizer que amava os animais enquanto me alimentava do sofrimento deles”.

Para além de uma questão ideológica, a alimentação sem carne pode ser muito saudável, se levada em conta a necessidade de mudar os hábitos. “Isso envolve uma série de fatores que dificultam a mudança de hábitos, como cultura, necessidade protéica/calórica do indivíduo, deficiências nutricionais... A alternativa de ser vegetariano é de escolha de cada um. Não determino ao paciente que ele seja, mas caso ele opte realizo as orientações necessárias para que tenha uma alimentação baseada e evite as possíveis deficiências nutricionais”, explica a nutricionista.


Graciely Navarros, nutricionista (Foto: Da Assessoria)

Para começar, ela sugere fazer a “segunda sem carne”, e garante que, aos poucos, o hábito se torna natural. Não é difícil, também, encontrar alternativas, mesmo longe dos grandes centros. “Arroz, feijão, saladas, legumes, verduras e frutas são alimentos que você encontra em qualquer lugar! Massas de pizza, pão e pastel normalmente são isentas de crueldade, então é só confirmar no local onde você pretende comer e montar o recheio com seus ingredientes. Acho que é tudo uma questão de adaptação, costume e vontade”, comenta Lorraine.

Bruna complementa: “Minha alimentação é mais diversificada, eu conheci novos sabores, me arrisquei a conhecer novos alimentos, temperos, me sinto menos pesada quando como, meu intestino funciona bem melhor. Enfim, é maravilhoso e você não precisa abdicar do prazer de comer ao virar vegetariano/vegano”, finaliza.

2 comentários

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  • Diego Migel
    20 Set 2016 às 16:09

    Sou vegetariano tambem, nåo precisei assistir filme e nem vomitar pra fazer uma escolha pra minha vida. Vejo (leio) alguns argumentos descrito acima e fico me perguntando. Qual a NECESSIDADE de usar a palavra NOJO pra relatar algo que serve de alimento? Fazer escolhas na vida nao sao situaçoes e sim condicoes.

  • ezequiel paixao
    12 Jun 2016 às 23:13

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