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Histórias que encontram o rio: documentário “Meu Rio Vermelho” é exibido no Sesc Arsenal

Da Redação - Naiara Leonor

21 Set 2016 - 14:10

Foto: Rafael Irineu

Histórias que encontram o rio: documentário “Meu Rio Vermelho” é exibido no Sesc Arsenal
"De costas ele anda e o esgoto escorre abaixo / No mapa da importância ele está localizado a margem / Território sem memória / deixa a vida afogar vermelha."  Vermelha é a água que junto a terra mancha a vida de quem sabe o rio. Rafael Irineu sabe tanto da água que viu criança que a eternizou em filme. O curta metragem “Meu Rio Vermelho” realça as histórias de personagens de diferentes culturas que foram encontradas ao longo das correntezas do Rio Vermelho, em Rondonópolis. Nesta quarta-feira (21), o Sesc Arsenal exibe o curta em sessão da ‘Mostra de Cinema Guaná’, a partir das 19h, com entrada gratuita.

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Localizado no sul do estado de Mato Grosso, o rio e sua paisagem circundante são fios condutores da obra, desde o local em que passa a ser chamado Rio Vermelho (Jarudore, Aldeia Tadarimana, Rondonópolis) até o ponto de sua deságua, no Pantanal.

Dirigido pelo fotógrafo e estudante de Comunicação Social, Rafael Irineu, de 22 anos, o documentário pretende compartilhar com o espectador impressões acerca da importância sócio-econômico-cultural e da necessidade de preservação do Rio Vermelho.

“A gente que mora em Rondonópolis só enxerga uma parte do rio e não lembra de toda a sua extensão e história quando foi utilizado por Rondon. Na realização do filme percorremos cerca de 300 km de carro pela margem traçando um mapa de onde há pessoas morando”, explica Rafael.

Das atividades de pesca, até o lazer e bem estar, o trajeto do Rio é rico em histórias e causos, contados por inúmeros ribeirinhos que vivem em suas margens, com destinos e histórias se movem com as correntezas de um rio.

“Em cada parte do rio um comportamento diferente. A simplicidade de quem dependo do rio, da pescaria, os mitos me chamaram muito atenção. Por exemplo o fato dos índios não comerem os peixes de couro antes de benzer, porque eles absorvem mais impurezas do rio e precisam estar ‘puros’ para o consumo”, conta Rafael, que evidencia as inúmeras histórias de quem mora beira rio.

A poluição e degradação do Rio é também uma das pautas do filme que Rafael faz questão de evidenciar. “Neste sábado foi emitido um alerta para que as pessoas não consumam a água do Rio que é distribuída para metade da cidade por conta de uma contaminação”. Segundo ele, uma das nove valas de esgoto tratado despejado no Rio apresentou defeito e estava liberando esgoto puro. Além disso, o uso de agrotóxico na beira do rio e a piracema.


Trecho do Rio Vermelho em Rondonópolis, poluído por esgoto após vazamento no último sábado (17)

As filmagens foram realizadas em dois fins de semana em que a equipe se deslocou de Cuiabá até Rondonópolis. Apesar disso, o espaço de tempo entre esses dois dias foi de cerca de 4 meses por conta do processo de autorização da Funai para gravação na aldeia Tadarimana.

O curta recebeu apoio do programa Pró Cultura, da Pró Cultura, da Pró Reitoria de Cultura, Extensão e Vivência da UFMT, incentivo para produções no âmbito cultural desenvolvido por alunos da universidade

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