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Letra nova para a literatura mato-grossense: escritora cuiabana Stéfanie Medeiros e seu novo romance

Da Redação - Naiara Leonor

18 Abr 2016 - 16:58

Foto: Bruno Pini

Letra nova para a literatura mato-grossense: escritora cuiabana Stéfanie Medeiros e seu novo romance
Apesar do nome do livro “O Último Verso”, é esperado que este seja apenas o início de carreira da jovem, cuiabana, jornalista, escritora, Stéfanie Medeiros, que começa a acumular publicações além de adjetivos para descrevê-la.

Nas palestras, oficinas, conversas e afins, talvez a pergunta que escritores mais escutem seja “como você começou a escrever?”. No caso de Stéfanie, o prazer como leitora a fez enxergar da perspectiva de quem escreve e aí, engolida pelo universo das histórias, ela alimentou as ideias para chegar nesta segunda publicação, seu primeiro romance.

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Para quem pensa que o dia a dia de um escritor é sentar e deixar fluir ideias até que se forme um livro, esquece que a escrita é treino, assimilação de conteúdo, perspectivas e que pode se tornar demasiado desgastante por questões de autocrítica. Stéfanie, por exemplo, explica que mudou totalmente a história de seu romance, durante uma viagem.

“Minha estada na França me fez mudar a história inteira. Antes, a personagem principal era a Emily. Já tinha escrito umas 50 páginas dessa versão (que já era a terceira ou quarta versão do livro). Quando cheguei lá na França e não tinha coisas do dia a dia para me “atrapalhar”, reli o que já tinha escrito e odiei tudo. Foi então que eu comecei essa nova história, que no final das contas virou ‘O último verso’”, explicou a escritora.

Uma das vantagens da escrita é poder dar voz a esses inúmeros personagens que temos dentro de nós ou que há dentro dos outros. Com sua primeira publicação sendo um livro de poesias, Stéfanie colocou muito de seus sentimentos e perspectivas pessoais na obra, enquanto neste novo romance, a escritora enxergou a possibilidade de expandir sua criatividade para criar novas personalidades, mesmo que algumas ainda carreguem certos reflexos da sua própria e dos mais próximos.

“Acho que existe um pouco de mim em todos os personagens, mas de forma bem sutil. A única personagem que realmente se parece comigo é a Emily (jornalista que aparece no final). Fora isso, nos outros, são traços muito sutis da personalidade. Nesse livro eu quis afastar a história de mim, criar um universo que fosse realmente daquelas pessoas ali e não só centrada na minha vida. É a minha visão, mas não sou eu ali. Ninguém em específico [retratado no livro], mas os personagens levam alguns traços de pessoas que eu conheço também. Apesar de querer criar um universo para aquelas pessoas fictícias, o mundo desse livro é um espelho da minha realidade também”, finaliza Stéfanie.

Noite de Lançamento

Para quem assistiu a construção da personagem da vida real, Stéfanie Medeiros, ver a concretização do sonho de menina e o reconhecimento público disso, transborda em lágrimas de alegria. “A gente acompanha e sonha junto com ela, esse sonho de ser jornalista, escritora. Ver isso concretizado é emocionante, estou muito orgulhosa”, declarou sua tia, Simone Garcia durante o lançamento de “O Último Verso”, na última sexta-feira (15), no Sesc Arsenal.



A avó, Neura Silva Garcia, contou orgulhosa que ela é um exemplo para os demais netos. “É um orgulho muito grande ver a dedicação dela. Desde pequena ela mostra a vontade de fazer e corre atrás. É um exemplo na família, para os outros netos que se espelham nela, agora ninguém quer ficar mais para trás”.

A imortal da Academia Mato-grossense de Letras, Marília Beatriz, aponta a mudança que um romance como o de Stéfanie, que foge do tema da cultura regional, significa para a literatura do Estado. “Mato Grosso começa a sair dessa casca do regionalismo para tornar-se universal. E quando se é universal não tem idade, se é jovem sempre. Ela está trazendo letra nova para a literatura mato-grossense”, comentou Marília.



Esse reconhecimento pelo seu trabalho vem transformar o cotidiano de Stéfanie da forma mais singela e exatamente como deveria ser. “A bem verdade é que a vida cotidiana segue do mesmo jeito, mas ninguém mais estranha quando eu fico escrevendo”, contou Stéfanie Medeiros.

“O último verso” é uma das dez obras vencedoras do Prêmio Mato Grosso de Literatura. A autora, Stéfanie, além de lançar seu primeiro livro “Borboletas infinitas de coração imperfeito”, em 2014, nos últimos anos também ganhou o prêmio Poetize, concurso nacional de novos poetas.

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