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Notícias / Comportamento

Peso do elefante influencia menos do que o do gado, afirma representante do santuário que será construído em Chapada

Da Redação - Isabela Mercuri

Anunciado no mês de junho, o primeiro santuário de elefantes da América Latina, que deve ser construído em Chapada dos Guimarães, está em processe de licenciamento pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema).

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Para que o processo avance, são necessários estudos sobre o impacto que ele teria no meio ambiente, na saúde dos animais e também na cidade de Chapada (65,5km de Cuiabá). Para isso, uma vistoria foi realizada durante esta semana na área destinada à instalação.

O Santuário ficaria numa fazenda a 40 km do Parque Nacional de Chapada dos Guimarães, perto do Rio da Casca. A área tem 1.100 hectares e foi comprada pela ONG Santuário de Elefantes Brasil para abrigar elefantes que estejam em condição de risco em zoológicos e circos.

De acordo com a médica veterinária da Sema, Danny Morais, a vistoria corresponde a uma das partes da autorização prévia e licença prévia de instalação do santuário. Foram analisados também os exames e a ficha médica dos elefantes que já estão previstos vir para Mato Grosso: “Já estamos com os documentos do projeto protocolado na Sema, como é algo muito novo, não sabemos ainda quanto tempo vai levar. Tudo depende dos próximos passos do licenciamento”.

Junia, representante da entidade do Santuário no Brasil, explica que o estado foi escolhido por causa das condições climáticas adequadas para os animais, e pelos menores custos. O prazo médio para a construção do santuário seria de cinco anos.

Para subsidiar os possíveis impactos ambientais do projeto, Junia cita o exemplo bem sucedido do santuário do Tennessee, nos Estados Unidos, onde a área que foi construída o santuário era de plantação de eucalipto, que estava degradada, mas com a presença dos elefantes ficou mais verdejante e recuperada.

Além disso, a representante mostrou aos técnicos da Sema um estudo apontando que apesar dos elefantes pesarem cerca de 3 toneladas, eles têm uma pata almofadada, diferente da vaca, que embora pese uma média de 550 kg ou meia tonelada, possui casco. “Com o impacto da pata menos seca, a pressão do solo vai ser menor do que a pressão que provocaria uma vaca”.

De acordo com a ONG, existem cinco mil elefantes em situação de risco no mundo, 50 deles estão na América do Sul. Desses, três viriam de imediato para Mato Grosso. Não há possibilidade da soltura desses animais na natureza, já que isso seria um perigo principalmente para a vida dos elefantes.

Além disso, o projeto empregaria diretamente 45 pessoas. Como não vai ser possível visitar o Santuário, a ONG vai instalar um local de visitação no centro da cidade onde a população e os visitantes poderão ter acesso a fotos e histórias dos elefantes.

De acordo com a Assessoria da Sema, lá também haverá um museu científico que vai disponibilizar passeios e palestras sobre os animais, fortalecendo o turismo da região.

Estes e outros temas foram esclarecidos na última quarta-feira (9) em uma audiência pública para empresários, políticos, jornalistas da região e representantes da Sema.
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