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Quarta-feira, 19 de junho de 2019

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MPF cria força-tarefa para apurar crimes ambientais e pode adotar bloqueio de bens

Da Redação - Patrícia Neves

28 Nov 2014 - 18:05

Foto: Rogério Florentino Pereira/ Olhar Direto

MPF cria força-tarefa para apurar crimes ambientais e pode adotar bloqueio de bens
O Ministério Público Federal (MPF) estuda a adoção para medidas visando à reparação dos danos ambientais cometidos pelos membros do esquema de exploração e comércio de lotes do Projeto de Assentamento Itanhangá/Tapurah, assim como a retomada dos lotes que estão em poder de famílias ligadas ao agronegócio. Futuras medidas como o sequestro e bloqueio de bens podem ser requisitadas à Justiça em desdobramento da operação Terra Prometida. Além da apuração no aspécto criminal o MPF chegou a criar uma força-tarefa para apuração das infrações na área ambiental.

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“Aspectos cíveis na área de infrações ambientais que vem ocorrendo, extração ilegal de madeira e desmatamento. Alguns dos lotes foram 100% degradados”, explica a procurada da República, Ludmila Bortoleto Monteiro.  “Nessa primeira fase da operação o que houve em termo de pedido cautelar, prisões e buscas e num segundo momento vendo o que foi encontrado em termos de provas", diz.  No total, 33 pessoas já estão presas e foram determinadas ainda 140 ordens de busca e apreensão.

Ela ainda explica que os membros do esquema, "literalmente, tratoravam cada um dos lotes. A gente sabe que existe um limite a ser explorado. E o MPF estuda os aspectos na questão agrária e ambiental e por isso criamos uma força-tarefa. Esses lotes são explorados como verdadeiros latifúndios. São homens do agronegócio. Há investigado que possuí mais de 40 lotes”.

A correta destinação dos lotes a pessoas com perfil para a reforma agrária será outra ação do MPF. “Nós vamos implementar, como será feita a retomada dos lotes que estão indevidamente com pessoas que não pertencem a reforma agrária e isso é facilmente  verificado, por exemplo, nas imagens que estão acostadas nos autos. Você vê que é uma família só que explora. Virou uma grande área, pessoas com 15 lotes, 15 ou 20 lotes e na verdade quem explora é todo um grupo”.

Somente a família Geller, por exemplo, possuía 15 lotes distribuídos entre irmãos, sobrinhos e cunhados dos irmãos Milton e Odair Geller.

O inquérito instaurado no ano de 1997, também tem como alvo a apuração das ramificações da quadrilha. “Claro que a investigação para saber se a quadrilha tem braços em Cuiabá e também em outras regiões”.

A associação criminosa investigada atuava explorando áreas destinada à reforma agrária no Projeto de Assentamento Itanhangá/Tapurah. Com a operação Terra Prometida - desencadeada pela Polícia Federal na quinta-feira (27) - trinta e três pessoas foram presas e ainda restam a ser cumpridos 19 ordens de prisão preventiva.

“Importante dizer que se trata de uma quadrilha armada. Estamos tentando identificar de quem seriam os capangas, vamos dizer assim: eles ameaçaram todos os clientes da reforma agrária que estavam no ali. Muitos dos lotes eram vendidos por quantias irrisórias. Muitos iam embora por conta de ser uma quadrilha, porque eram coagidos”, finalizou.

O Projeto de Assentamento em questão é o segundo maior da América Latina e conta com 1.149 lotes, com metragem de 100 hectares cada um (o equivalente a 100 campos de futebol) em uma região valorizada e muito produtiva. No total, o projeto possui 115 mil hectares. Estão nas mãos dos fazendeiros do agronegócio cerca de mil lotes. A fraude estimada com a exploração ilegal é de R$ 1 bilhão.

16 comentários

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  • Jair Oliveira
    01 Dez 2014 às 14:51

    Parabens Dr. Ludimila, veja o caso de Novo Mundo que a Senhora começou a investigar junto com Mario Lucio Avellar e agora esta na Procuradoria de Sinop. Lá as ações dos grupos de Criminosos é ainda maior. Parabens Dr. Orgulho de ser brasileiro!

  • ELI ROCHA
    01 Dez 2014 às 14:10

    Eduardo, cuidado com o que você sai alardeando por ai. Alguém pode não gostar e desfilar dezenas de nomes de cuiabanos de "chapa e cruz" atolados até o pescoço em escândalos de todos os tipos. Você se lembra das OBRAS DO PAC? Você se lembra das OBRAS DA COPA FIFA 2014? Só como exemplos. Entenda uma coisa: os experts em roubalheira estão entrincheirados em todos os setores da nossa sociedade. Procure e achará uma quantidade tal que lhe deixará de boca aberta.

  • vinicius luis de campos
    01 Dez 2014 às 13:07

    não é atoa que os ícones do agronegócio em mato grosso estão envolvidos em muitos escândalos, tais como: escândalo dos maquinários, araraty, currupira, jurapari, cooperativas cooperlucas, cooperativa do rei da soja, enfim, todas envolvendo desvios de recursos públicos, crimes ambientais, trabalho escravo e agora grilagem de terras públicas para reforma agrária. enfim, o povo matogrossense não suporta mais tanto escândalos patrocinados por essa gente, que é ardilosa, que envolve a todos, classe política, imprensa e empresariado para buscar amordarçar a gestão pública para acobertar seus interesses levianos de ficarem cada vez mais ricos escravizando pessoas, invadindo lotes de assentados da reforma agrária e cometendo uma série de degradação ambiental. Pedro Taques é uma pessoa inteligente, é mato-grossense e conhece a história de ocupação territorial do nosso estado e os custos de tudo isso, e principalmente, conhece os "modos-operandi" das quadrilhas existentes no estado e aquelas infiltradas na gestão pública estadual. com isso, não deverá entregar jamais a sema para o agronegócio, pois estes estão lá desde o governo blairo maggi e nesse período só aconteceram escândalos, operações da policia e prisões, além do sucateamento do órgão ambiental estadual.

  • Analista de Meio Ambiente 1
    01 Dez 2014 às 12:05

    Governador Pedro taques, por favor não coloque gente do agronegócio para continuar tocando a SEMA. O resultado, com certeza será este. Não permita que nosso Estado continue sendo visto de forma depreciativa a nível nacional e internacional. O MPF não perdoa! Graças a Deus!

  • eduardo
    30 Nov 2014 às 18:32

    depois falam do povo cuiabano, agora me digam, têm algum cuiabano envolvido nessa maracutaia, nessa semvergonhice, nessa safadeza??? não, com certeza não, pois o povo cuiabano têm a índole honesta, não é apegada a bens materiais, mas, também não é bobó bobó cheira-cheira, e deseja que essa corja de sulistas, e outros que ainda não pegaram, amarguem um bom tempo na cadeia, e jamais consigam mais um centímetro nesse chão abençoado chamado matogrosso.

  • antonio dejesus almeida
    30 Nov 2014 às 18:28

    G. Washington disse: "ninguem ama mais a pátria que os militares e os agricultores", mas só lá nos EUA. Sou profissional do agronegócio, mas isso é de enojar, parabéns a PF, ao MP, e cadeia é pouco, tem que tirar tudo dessa corja que denigre aimagem do homem do campo, quadrilha, bando de vagabundos , essa região aí não aguenta mesmo nenhuma investigação, e não é só no campo não.... C A D E I A!!!!!!!!!!

  • wilma luiza cintra correa
    29 Nov 2014 às 14:30

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  • edson ribeiro
    29 Nov 2014 às 12:46

    o interessante é verificar claramente a íntima relação do agronegócio no estado de mato grosso com o trabalho escravo, crimes ambientais e agora de grilagem de terras para reforma agrária. e quando um deles se elege para mandato no setor público acaba se envolvendo também com escândalos financeiros. que coisa heim!!!

  • zelão
    29 Nov 2014 às 12:40

    tem que pegar as terras de volta e em dobro ai vais ficar xique demais

  • zelão
    29 Nov 2014 às 12:40

    tem que pegar as terras de volta e em dobro ai vais ficar xique demais

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