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Sábado, 13 de agosto de 2022

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violência doméstica

Juiz aceita denúncia e empresário que agrediu médica em Cuiabá vai responder processo por lesão corporal grave

Juiz aceita denúncia e empresário que agrediu médica em Cuiabá vai responder processo por lesão corporal grave
O empresário Marcos César Martins Campos, de 34 anos, terá dez dias para apresentar à Justiça defesa quanto a denúncia do Ministério Público Estadual (MPE) por crime de lesão corporal grave a médica Camila Tagliari, de 29 anos, e por ameaça, contra a filha dela.

A médica, que manteve uma relação de quase oito anos com o empresário, foi severamente agredida na madrugada de 27 de março na garagem de um prédio de luxo no bairro Duque de Caixas, em Cuiabá. Marcos é considerado foragido da Justiça e está com prisão preventiva decretada desde o dia 27 de abril.

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“Os indícios de autoria e materialidade estão caracterizados pelo auto de prisão em flagrante, Boletim de Ocorrências nº 2016.101552, Termos de Declarações da Vítima e das Testemunhas, Exame de Corpo de Delito da vítima, Pedido de Providências Protetivas, Fotografias e Termo de Representação Criminal. Destarte, estando à denúncia em ordem e não sendo caso para as hipóteses do art. 395 do Código de Processo Penal, RECEBO a denúncia ofertada”, diz trecho da decisão do juiz Jamilson Haddad Campos, da 1ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher.

Na acusação formal, encaminhada à Justiça no último dia 5 de maio, assinada pela promotora Elisamara Vodonós, do Núcleo das Promotorias de Justiça Especializadas no Enfrentamento da Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher de Cuiabá, a representante do MPE cita a ofensa a integridade física da médica resultou na debilidade permanente da função auditiva de Camila, como na incapacidade das atividades laborais por mais de 30 dias. A mulher ainda sofreu fratura no nariz e ficou com inúmeras marcas do rosto por causa de socos desferidos pelo então marido.

Marcos foi preso pela Polícia Militar em situação de flagrante e submetido à audiência de custódia onde foi liberado, mediante adoção de medidas restritivas, como emprego de tornozeleira e proibição de se aproximar de Camila e da filha dela. No entanto, após novo depoimento da vítima perante ao MPE, no dia 26 de abril, houve uma nova solicitação de prisão considerando que o botão de pânico disparou repetidas vezes ao longo daquela semana em indicativo de descumprimento da ordem judicial. A solicitação foi deferida pelo juiz Jamilson Haddad que considerou riscos à integridade das vítimas.

O caso


O episódio de violência foi registrado pouco depois de o casal deixar uma comemoração pelo aniversário de Marcos. Durante a festa, na qual Marcos consumiu bebidas alcoólicas, a vítima teria sugerido ao agressor que ambos fossem embora do local, já que no dia seguinte teriam de comparecer a outro evento comemorativo, dessa vez com os pais de Marcos.

No entanto, quando o casal chegou à garagem do prédio onde reside, a mulher foi, de repente, puxada pelo cabelo. Na sequência, iniciou-se uma sessão de agressões físicas: com socos e tapas. As agressões, presenciadas pela filha da médica, e enteada de Marcos terminaram depois que a mulher se esconder no banheiro da portaria e acionou uma equipe da Polícia Militar. Os policiais realizaram a prisão de Marcos quando ele dormia no apartamento do casal. A filha da médica foi obrigada a assistir ao espancamento e ajudou a mãe a recobrar os sentidos nas duas vezes em que a mulher desfaleceu por conta do ataque sofrido. 
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