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SODOMA

Piran nega briga com Silval no Palácio: "eu não vi nenhuma cadeira cair"; veja como foi

Da Redação - Arthur Santos da Silva/ Lázaro Thor

27 Jul 2017 - 14:00

Foto: Rogério Florentino Pereira/Olhar Direto

Piran nega briga com Silval no Palácio:
A juíza Selma Rosane Arruda interrogoua nesta quinta-feira (27) o ex-secretário de Estado de Planejamento, Arnaldo Alves De Souza Neto e o empresário Valdir Agostinho Piran em uma das ações provenientes da Operação Sodoma (quarta fase). Que versa sobre desvios de aproximadamente R$ 15,8 milhões.

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O foco da Quarta fase da Operação Sodoma, desencadeada no dia 26 de setembro de 2016,  foi o desvio de dinheiro público realizado por meio de uma desapropriação milionária paga pelo governo Silval Barbosa durante o ano de 2014.

As diligências realizadas evidenciaram que o pagamento da desapropriação do imóvel conhecido por Jardim Liberdade, localizado nas imediações do Bairro Osmar Cabral, na capital, no valor total de R$ 31.715.000,00 à empresa Santorini Empreendimentos Imobiliários Ltda, proprietária do imóvel, se deu pelo propósito específico de desviar dinheiro público do Estado de Mato Grosso em benefício da organização criminosa liderada pelo ex-governador Silval da Cunha Barbosa.

Ficou comprovado na investigação que, além de Silval Barbosa, participaram da fraude Pedro Jamil Nadaf (ex-secretario chefe da Casa Civil), Francisco Gomes de Andrade Lima Filho (procurador de Estado aposentado), Marcel de Cursi (ex-secretario de fazenda), Arnaldo Alves De Souza Neto (ex-secretario de planejamento), Afonso Dalberto (ex-presidente do Intermat), além do proprietário do imóvel Antonio Rodrigues Carvalho, seu advogado Levi Machado, o operador financeiro do grupo criminoso, Filinto Muller, e os empresários Valdir Piran e Valdir Piran Junior, pai e filho.

De todo o valor pago pelo Estado pela desapropriação, metade, ou seja, R$ 15.857.000,00 retornaram via empresa SF Assessoria e Organização de Eventos, de Propriedade de Filinto Muller em prol do grupo criminoso.

De acordo com a investigação, a maior parte do dinheiro desviado no montante de R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais) pertencia a Silval Barbosa, ao passo que o remanescente foi dividido entre os demais participantes, no caso Pedro Nadaf, Marcel De Cursi, Arnaldo Alves de Souza Neto, Afonso Dalberto e Chico Lima.

Confira o tempo real da audiência:

16h45 - Bardusco explica que a lavagem de dinheiro neste caso é apresentada porque Piran não depositou o valor na conta, mas repassou para terceiros, como Mikail Malouf.
                        
"Em momento algum eu quis esconder isso, tanto que eu fui ate a senhora e tentei por várias vezes querer esclarecer isso".
                        
Ele reclama que está proibido de falar com Malouf e que isso dificulta seus negócios.                        
"Eu preciso falar com ele, eu tenho negócios com ele que eu preciso resolver", reclamou

16h40 - Valdir diz que jamais desconfiou que o dinheiro tinha origem ilícita: "se eu soubesse que era dinheiro suspeito eu jamais iria receber".                        

Piran também fala que não achou estranho o fato de Filinto querer pagá-lo em espécie: "não achei porque ele era uma pessoa que tinha uma empresa de médio porte que operava na mesma atividade que eu, eu ouvia falar dele há mais de sete ou oito anos".

16h38 - "O dinheiro esta comigo, diz Piran sobre o dinheiro. 

Piran diz que fez uma retificação da declaração do imposto de renda em julho de 17. 

A representante do Ministério Público brinca perguntando se o dinheiro está no colchão de Piran.

16h25 - Piran diz que Nadaf e Silval não disseram que o pagamento era ilegal. "Eles só disseram que alguém ia me procurar para pagar a dívida".                        

"Mas o Filinto foi lá e falou que o Silval mandou pagar a dívida".                        

Bardusco entrega anotações a Valdir sobre um documento entregue por Filinto a policia dizendo que foi paga a divida em sete cheques.                        

Piran analisa e diz "é, pelo que eu to vendo aqui esta batendo"                        

Ainda assim, Piran discorda que os pagamentos foram feitos em sete cheques.                        
Ele só concorda que os primeiros  2,5 milhões foram pagos em sete cheques.

16h15 - Ao MP, Piran diz que fez apenas uma nota promissória para documentar o empréstimo a Silval.
                        
"Eu quero um cheque seu a vista para não falar mais no assunto", cobrava Piran a Silval.                        

Ele diz não lembrar do valor da nota promissória que documentou o empréstimo.
                        
Fala também que não cobrou judicialmente a divida porque, segundo ele, o jeito mais difícil de receber é entrando na Justiça                        

Sobre a suposta briga com Silval, Piran conta que não teve nenhuma agressão física ou verbal                        

"eu não vi nenhuma cadeira cair".

16h10 - Piran conta que aceitou o credito com Filinto e devolveu a promissória para o Silval.                        

"Pra mim aquilo era uma situação muito mais confortável, porque eu poderia falar com o Filinto quando eu pudesse".                        

Piran explica que Filinto sempre queria fazer o pagamento em dinheiro.
                        
No depoimento anterior, Silval se negou a explicar o motivo da divida alegando que seria tratado em outro inquérito.                        

Ele conta que os R$ 2,5 mi foi pago em cheque.                       

O cheque de 7,5 milhões foi pago como garantia e o dinheiro depois foi sendo pago por deposito bancário.                        

Ele conta que o dinheiro ainda está com ele.                        


15h58 - "Ele então me deu esses cheques e quando eu cheguei na empresa eu percebi que aqueles cheques não eram deles e que não serviam pra mim. Ai marquei novamente pra conversar com ele, e disse que não queria os cheques. Tinha cheques ali que já tinha vencido, estava predatado".                        

"Silval saiu da sala e disse 'eu vou te pagar de uma outra forma'. Então Nadaf teria dito que Silval iria arranjar 'outra pessoa'"

"Eles me disseram que o Filinto iria pagar essa divida. E eu ouvia muito falar do Filinto e um dia ele aparece la e diz que queria assumir a divida de Silval".                        

"Ele demorou muito mais que sete pagamentos para pagar essa divida. Ele chegou e já pagou 2,5 milhões pra mim."                        

Segundo Piran, um cheque de R$ 7,5 milhões também foi pago.                        

15h50 - Piran começa a depor.
                        
Ele conta que já foi preso na Operação Arca de Noé.                        

Piran diz que a denúncia contra ele é falsa e que começou a ouvir comentários de que uma pessoa que faria delação citaria o seu nome.                        

"Eu escutei muito isso até procurar o MP em agosto de 2016 e me coloquei a disposição da doutora Ana para colaborar como pudesse".                        

"Toda semana eu vinha pra Cuiabá e o advogado me ligava dizia que eu ia ser ouvido mas nunca era. Quando foi na sexta-feira liguei pra ele e disse que era estranho porque estava passando muito tempo e ninguém me chamava".                        

"Por surpresa minha eu não fui chamado e já veio o pedido de prisão".                        

"Eu estranhei muito aquilo porque eu sempre me colocava a disposição".                        
Ele conta que teve que comprar passagens para os policiais de Brasília ate aqui.
                        
"Eu comprei 10 passagens para os policiais".                        

"Levaram eu e Arnaldo onde não tinha nada, não tinha colchonete, não tinha água, não tinha nada".                        

"Parecia até um castigo, o delegado disse 'você  vai dormir com pernilongo'".                        
Piran conta que emprestou em torno de 5 milhões a Silva e foi passando os anos e o dinheiro não foi pago.                        

"A dívida era um pouco maior que 10 milhões mas ele insistia que só pagava isso".                        
"Eu aceitei a proposta, mas só se ele me passasse um cheque no nome dele".                        
Piran conta que no final das contas Silval não pagou por cheque e disse que queria pagar por promissória.                        

"O Silval era muito educado mas ele vai te lavando na conversa e você chega no limite".                        

Piran diz que se irritava por ter que fazer negócio no Palácio e ter de cobrá-lo lá.

14h30 - O MP pergunta, mas Arnaldo permanece em silêncio, conforme instrução de sua defesa.

Ao seu advogado, Arnaldo conta sobre sua trajetória pessoal e fala de como foi sua atuação no governo desde os anos 90.

14h25 - "A partir de determinado instante eu conversei com o Alan Malouf, e o Alan disse que tinha um empreendimento e que precisava de dinheiro. Eu tinha um dinheiro parado e disse que se ele precisasse eu emprestava pra ele".                        

"Assim foi feito e ele ficou com esse dinheiro que eu tinha guardado".
                       
"Era uma coisa que eu achei que ganhei, mas eu sabia que era dinheiro que vinha de retorno. Com certeza quando falo de retorno eu concordo que era uma operação ilícita". Arnaldo chora ainda mais.                        

"Eu achava que o Silval ia me exonerar, mas ele foi muito humano e me manteve, ele disse que iria me ajudar, mas não houve nenhuma ajuda nem nada, e eu achei que aquilo era justo, era um prêmio pra mim por tudo que eu passei, embora eu soubesse que aquele retorno não era legal". explica Arnaldo.                       
                       
"Quando eu fui preso em Brasília eu não sabia nem porque e nem o que estava acontecendo".                        

"Você lê esses negócios todos dias e incomoda demais, ate porque não é assim que aconteceu", diz sobre a repercussão na imprensa.                       

Sobre o empréstimo para Alan, Arnaldo diz que ficou de pagar 1% ao mês.

14h18 - "Agora a partir dai é que há alguma discrepâncias, efetivamente houve em determinado instante quando Pedro Nadaf me chamou e ele disse que o valor da desapropriação iria dar um retorno para pagamento de contas do Silval".
                        
Nadaf teria conversado com Silval sobre a possibilidade do retorno ser maior para o dinheiro voltar para alguns membros, incluindo ele, Arnaldo.

14h15 - Como não há nada ainda, Selma defendeu que não há motivos para inverter os depoimentos.

À juíza Selma Arnaldo diz que prefere falar e que parte da denuncia é falsa e parte é verdadeira.    

"Nunca tive participação com equipe nenhuma que não fosse de trabalho". Arnaldo chora e diz que é desagradável ver noticias contra ele nos jornais

14h00 - O primeiro a ser ouvido é Arnaldo Alves.

Antes, Selma pergunta e a defesa de Chico Lima diz que não existe nada fechado sobre delação premiada. Uma colaboração foi especulada nos últimos dias.

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