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DELAÇÃO

Sistema financeiro paralelo que movimentou R$ 500 milhões teria surgido a mando de Maggi, esclarece Silval

Da Redação - Arthur Santos da Silva

25 Ago 2017 - 16:52

Foto: Rogério Florentino Pereira/Olhar Direto

Sistema financeiro paralelo que movimentou R$ 500 milhões teria surgido a mando de Maggi, esclarece Silval
A delação do ex-governador Silval Barbosa revela que todo o esquema de corrupção em Mato Grosso investigado desde a Operação Ararath, em 2013, surgiu a pedido do Ministro da Agricultura, Blairo Maggi.
 
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A Operação Ararath teve por objetivo desbaratar uma organização criminosa que praticava crimes contra o sistema financeiro nacional e lavagem de dinheiro no Estado de Mato Grosso. A estimativa é que as movimentações chegaram a R$ 500 milhões.

O foco da investigação deu-se contra pessoas e empresas que estivessem agindo como instituição financeira sem autorização do Banco Central e, nesse cenário, facilitando a lavagem de ativos de origem ilícita, cujo dinheiro circularia num sistema financeiro paralelo sem controle e fiscalização. As novas informações prestadas por Silval Barbosa dão novos ares às investigações.
 
Segundo a colaboração, entre os anos de 2003 e 2006, quando Silval era deputado estadual e presidente da mesa diretora, foi ele o responsável pela  ligação entre Maggi e demais deputados, para recebimento de mensalinho.
 
Os pagamentos serviam para o apaziguamento entre Maggi (Poder Legislativo)e deputados (Poder Executivo). Maggi assumiu o governo como um produtor rural com pouca experiência política.
 
Foi fazendo essa ponte que Silval Barbosa teve apoio irrestrito da Assembléia Legislativa (maioria dos deputados) para ser indicado para Vice-Governador quando da gestão Blairo Maggí.
 
Na condição de vice, Barbosa resolveu várias pendências.  Silval cita como exemplo a compra de apoio político para reverter situações que o incomodavam. Foi assim, com seu papel central, que Barbosa sucedeu Maggi.
 
“Acabei assumindo o Governo e sendo indicado como candidato do grupo para Governador. Em troca desse apoio, o ex-governador Blairo Maggi (eu não era o nome preferido dele) exigiu que eu pagasse várias dívidas contraídas em seu governo junto a factorings e bancos, relacionadas a captação ilegal de recursos de campanha, além de outras diversas questões que já eram operadas como uma espécie de  conta corrente paralela do Governo Blairo”, afirma Silval.
 
O ex-governador segue:“Foi só quando assumi o Governo que percebi o tamanho da dívida e que ela era praticamente impagável. Apesar da dívida já vir sendo paga no governo anterior, o resto que sobrou a pagar envolvia altíssimos juros e acabou deixando o meu governo numa situação difícil que me colocou na posição de ter que continuar os pagamentos ilegais, a fim de garantir governabilidade”.
 
Conforme os autos, os pagamento eram destinados a autoridades: senadores, deputados estaduais e federais, prefeitos, conselheiros do Tribunal de Contas, candidatos e diretores da Petrobrás.
 
“Esse foi o contexto em que ocorreram os ilícitos que pretendo confessar e na condição de colaborador detalhar”.
 
Conforme a delação, as empresas envolvidas que contribuíram para o esquema eram de inúmeros ramos, tais como frigoríficos, construção, maquinários, termoelétrica.
 
Nota

Maggi enviou a seguinte nota: 

Deixo claro, desde já, que causa estranheza e indignação que acordos de colaboração unilaterais coloquem em dúvida a credibilidade e a imagem de figuras públicas que tenham exercido com retidão, cargos na administração pública. Mesmo assim, diante dos questionamentos, vimos a público prestar os seguintes esclarecimentos:  

1. Nunca houve ação, minha ou por mim autorizada, para agir de forma ilícita dentro das ações de Governo ou para obstruir a justiça. Jamais vou aceitar qualquer ação para que haja "mudanças de versões" em depoimentos de investigados. Tenho total interesse na apuração da verdade. Qualquer afirmação contrária a isso é mentirosa, leviana e criminosa. 

2. Também não houve pagamentos feitos ou autorizados por mim, ao então secretário Eder Moraes, para acobertar qualquer ato. Por não ter ocorrido isto, Silva Barbosa mentiu ao afirmar que fiz tais pagamentos em dinheiro ao Eder Moraes.

3. Repudio ainda a afirmação de que comandei ou organizei esquemas criminosos em Mato Grosso. Jamais utilizei de meios ilícitos na minha vida pública ou nas minhas empresas.

4. Sempre respeitei o papel constitucional das Instituições e como governador, pautei a relação harmônica entre os poderes sobre os pilares do respeito à coisa pública e à ética institucional. 

5. Por fim, entendo ser lamentável os ataques à minha reputação, mas recebo com tranquilidade a notícia da abertura de inquérito, pois será o momento oportuno para apresentação de defesa e, assim, restabelecer a verdade, pois definitivamente acredito na Justiça.
 
Blairo Maggi

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