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Quinta-feira, 23 de maio de 2019

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Decisão embasada em pedido de Taques paralisa seis investigações sobre grampos em MT

Da Redação - Arthur Santos da Silva

14 Out 2017 - 09:11

Foto: Reprodução

Mauro Campbell Marques

Mauro Campbell Marques

Ao invocar para si as investigações sobre grampos ilegais em Mato Grosso, o ministro Mauro Campbell Marques, do Superior Tribunal de Justiça, acabou por paralisar momentaneamente o andamento de seis inquéritos. Com a decisão do dia 12 de outubro o desembargador Orlando Perri perde a relatoria nos autos.  A delegada Ana Cristina Feldner, que participava das investigações, também deve ser remanejada.
 
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Foram requeridos por Campbell o inquérito policial n. 63349/2017 que investiga participação de membros do Ministério Público Estadual; Inquérito Policial Militar n. 66673/2017, que investiga crimes militares; Inquérito Policial n. 71814/2017, que investiga participação de magistrado nas quebras telefônicas ilegais.
 
Ainda o Inquérito Policial n. 78323/2017, que investiga crimes de interceptação telefônica ilegal e denunciação caluniosa, em tese, praticados por Paulo César Zamar Taques, ex secretário de Casa Civil; Inquérito Policial n. 87131/2017 que investiga escutas clandestinas ocorridas em 2016, nas eleições de Lucas do Rio Verde; e finalmente Inquérito Policial n. 87132/2017, que investiga crimes comuns praticados por militares e civis.
 
O Ministro do Superior Tribunal de Justiça fez questão de esclarecer que qualquer outro procedimento investigatório instaurado para investigar interceptações ilegais em mato grosso devem ser remetidos imediatamente a sua relatoria. O sigilo dos autos também foi determinado.
 
O caso vinha sendo conduzido pela delegada Ana Cristina Feldner, sob a relatoria do desembargador Orlando Perri, que determinou as prisões de ex-secretários como Paulo Taques (Casa Civil) e Rogers Jarbas (Segurança), entre outros. 

Pedido de Taques
 
O governador foi o responsável por ingressar com petição perante ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para que  as investigações relativas as interceptações telefônicas ilegais em Mato Grosso, operacionalizadas por meio da Polícia Militar, fossem centralizadas no órgão.
 
Briga com Perri

Taques atacou duramente o desembargador Orlando Perri quando este afastou Rogers Jarbas do comando da Sesp.
 
"O pior criminoso é o magistrado que abusa do poder para tomar decisões parciais", afirmou na ocasião.

Taques convocou entrevista coletiva para se posicionar frente ao que classificou como decisão “esdrúxula” e prometeu acionar Perri no Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
 
A Operação Esdras
 
Poucos dias após manifestações do Poder Executivo contra atuação de Perri, a operação Esdras, desencadeada em  27 de setembro, com base no depoimento prestado pelo tenente coronel da Policia Militar José Henrique Costa Soares, revelou um verdadeiro esquema criminoso para frear as investigações sobre interceptações ilegais e afastar o desembargador.
 
Conforme os autos, em depoimentos prestados por Soares “descortinou-se um sórdido e inescrupuloso plano” no intuito de interferir nas investigações policiais e macular a reputação do desembargador Orlando Perri em todos os inquéritos instaurados.

Segundo o processo, Costa Soares foi convocado para atuar como escrivão no inquérito do caso grampos. Logo da convocação, a suposta organização criminosa teria buscado sua cooptação.
 
Seria tarefa do tenente coronel a juntada de informações sobre Perri para provocar a suspeição do magistrado. 

Grampos

Reportagem do programa "Fantástico", da Rede Globo, revelou na noite de 14 de maio que a Polícia Militar em Mato Grosso “grampeou” de maneira irregular uma lista de pessoas que não eram investigadas por crime.
 
A matéria destacou como vítimas a deputada estadual Janaína Riva (PMDB), o advogado José do Patrocínio e o jornalista José Marcondes, conhecido como Muvuca. Eles são apenas alguns dos “monitorados”.

O esquema de “arapongagem” já havia vazado na imprensa local após o início da apuração de Fantástico.
  
Barriga de aluguel
 
Os grampos foram conseguidos na modalidade “barriga de aluguel”, quando investigadores solicitam à Justiça acesso aos telefonemas de determinadas pessoas envolvidas em crimes e no meio dos nomes inserem contatos de não investigados.

Neste caso específico, as vítimas foram inseridas em uma apuração sobre tráfico de drogas.

12 comentários

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  • nilton
    16 Out 2017 às 10:32

    já era. 2018 chega logo

  • Italo
    15 Out 2017 às 12:20

    Vetado por conter expressões ofensivas e/ou impróprias, denúncias sem provas e/ou de cunho pessoal ou por atingir a imagem de terceiros. Queira por favor refazer seu comentário e reenviá-lo.

  • Rocha
    15 Out 2017 às 10:24

    Seja quem for o responsável não votarei no pedro taques !! Até porque acho que ele não tem condições de ir a reeleição .

  • Mauro
    15 Out 2017 às 07:08

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  • VISÃO DO POVO
    14 Out 2017 às 22:46

    Vetado por conter expressões ofensivas e/ou impróprias, denúncias sem provas e/ou de cunho pessoal ou por atingir a imagem de terceiros. Queira por favor refazer seu comentário e reenviá-lo.

  • Juliana
    14 Out 2017 às 20:18

    09:09:36 Desde o início o Desembargador Perri forçou a barra, fingia e afirmava nso ver indícios da participação do Governador no caso dos grampos, até as pedras na rua sabiam que era necessário investigação sobre o Governador. Todo mundo sabia disso, menos o Perri. E ele fazia isso apenas para concentrar nele mesmo a relatoria das investigações. Agiu em benefício da própria arrogância e desejo de poder. Foi parcial, cada decisão era um schou midiatico, muitos adjetivos, exagero de linguagem, pré julgamento, concentração das figuras de vítima, investigador, acusador e Juiz na mesma pessoa, não acatou as advertências do MPE MT sobre seus exageros e fez de tudo para afastar o Ministério Público como instituição da condução das investigações.... Acabou o circo, tomara que o STJ coloque ordem na casa.

  • Italo
    14 Out 2017 às 17:41

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  • Edmilson Rosa
    14 Out 2017 às 15:24

    Pedrinho taques ta raiva ne.será porquê.

  • Alberto
    14 Out 2017 às 12:13

    Finalmente o STJ restabeleceu a legalidade. Até estagiário sabe que uma investigação tem que ser feita pela autoridade competente, sob pena de completa nulidade.

  • FUNCIONARIO PÚBLICO.
    14 Out 2017 às 10:41

    Acabou o show.

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