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Após quase 50h resistência, ex-presidente Lula se entrega à PF

Da Redação - Ronaldo Pacheco e Paulo Victor Fanaia

07 Abr 2018 - 16:19

Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

Após quase 50h resistência, ex-presidente Lula se entrega à PF
Fim da resistência. O ex-presidente Luiz Inácio da Silva se entrega à Polícia Federal (PF). Em um discurso inflamado em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo (SP), o petista disse que o "sonho de consumo" dos que o acusam é vê-lo preso. "E vou atender ao mandado deles", declarou.
  
Mantendo a mobilização iniciada na última quinta-feira (5), quando o juiz Sérgio Moro deu 24 horas de prazo para Lula se entregar, militantes do PT e de outros movimentos de esquerda cercaram o sindicato que servira de berço político para o ex-presidente.

Por volta das 16 horas de Cuiabá (17 horas pelo horário de Brasília), Lula tendou deixar a sede do Sindicato dos Metalúrgicos, mas seu carro não consegui sequer sair do estacionamento,  impedido por centenas de manifestantes.

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Informações não confirmadas dão conta de que partidos de esquerda e centrais sindicais de Mato Grosso levaram vários ônibus para São Paulo. Muitos seguiram em carro próprio e de avião.  O presidente do PT em Mato Grosso, deputado estadual Valdir Barranco, não atendeu nem retornou às ligações da reportagem de Olhar Jurídico.
 
O petista só deixou o interior do prédio por volta de 10h45 da manhã, para assistir, do alto de um palanque, a missa em memória da falecida ex-primeira-dama Marisa Letícia, que completaria 68 anos neste sábado (7). De camiseta azul e semblante tranquilo, Lula não falou durante toda a homilia, marcada pelo forte tom político e por gritos de "não se entrega" e "não à rendição".
 













Mas, enfim, Lula falou. Ao lado da ex-presidente Dilma, dos candidatos ao Planalto Guilherme Boulos e Manuela D'Ávila e de outras lideranças petistas, o ex-mandatário reafirmou sua inocência e acusou a Polícia Federal, o Ministério Público e o juiz Moro de "mentirem" sobre a posse de um apartamento triplex no Guarujá (SP) que o levará à cadeia por corrupção e lavagem de dinheiro.
 
"Nenhum deles tem coragem ou dorme com a consciência tranquila da honestidade e da inocência como eu durmo", declarou Lula.

O anúncio de sua rendição veio na parte final de seu discurso. "Eles decretaram minha prisão, e deixa eu contar uma coisa para vocês: eu vou atender ao mandado deles, e vou atender porque eu quero fazer a transferência de responsabilidade. Eles acham que tudo o que acontece neste país acontece por minha causa", disse o ex-presdiente.
 
O ex-presidente acrescentou ainda que o Brasil possui "milhões de Lulas para andar por ele". "Não adianta tentar acabar com minhas ideias, elas já estão pairando no ar, e não tem como prendê-las. Não adianta parar meu sonho, porque quando eu parar de sonhar, eu sonharei com a cabeça de vocês", declarou.
 
Lula também afirmou que não vai "parar" porque ele não é mais um "ser humano". "Eu sou uma ideia, eu sou uma ideia misturada com a ideia de vocês. Vocês não vão mais se chamar Chiquinha, Joãozinho, Zezinho, Albertinho. Todos vocês, daqui para frente, vão virar Lula e andar por este país. Eles têm de saber que a morte de um combatente não para a revolução", salientou, evidenciando o tom messiânico de seu discurso.
 
"Esse pescoço aqui não baixa. Minha mãe já fez um pescoço curto para ele não baixar. Vou provar minha inocência", concluiu. Ao fim do discurso, Lula saiu carregado pelos militantes.
 
Ainda não se sabe como se dará sua entrega, mas o ex-presidente cumprirá pena de 12 anos e um mês de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no "caso triplex". A acusação diz que ele é proprietário de um apartamento no Guarujá que teria sido dado como forma de propina pela OAS, em troca de contratos com a Petrobras.

Posicionamentos: 

Nota da Prelazia de São Felix do Araguaia sobre a ordem de prisão contra o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva.

A Prelazia de São Félix do Araguaia com o seu Bispo Dom Adriano Ciocca Vasino, o Bispo Emérito Dom Pedro Casaldáliga e agentes de pastoral (leigas e leigos, religiosas e religiosos), vem, por meio desta nota, unir-se aos clamores em defesa da Democracia, pela superação das desigualdades.

Em sua caminhada profética na luta pela justiça, sinal do Reino de Deus, juntamente com os atores sociais de nosso território, sobretudo os povos originários, Indígenas, Quilombolas, Posseiros, Retireiros, Agricultores Familiares que animam o sonho da convivência e permanência na sagrada Mãe Terra, manifestamos nossa indignação frente ao atual momento histórico, com a fragilização das conquistas e dos direitos sociais no campo e na cidade.

Desde 2013, constatamos a perseguição virulenta aos governos populares (Lula e Dilma), aos militantes e a todos os que buscam construir uma sociedade justa e digna para todos no Brasil e na América Latina se opondo à ditadura do capital internacional. Prova disto é a recente prisão do Pe. Amaro da Prelazia do Xingu, PA e a execução sumária da vereadora Marielle Franco, no Rio de Janeiro. A culminância deste processo de violência por parte da mídia, parlamentares e judiciário brasileiro é o decreto de prisão do Presidente Lula.

Nestes tempos temerosos, em que os servidores do sistema neoliberal buscam assombrar o povo por meio da pedagogia do MEDO, lembramos as palavras do Papa Francisco: “Esta economia mata!”

Seguidoras e seguidores do Ressuscitado, continuaremos lutando animados pela utopia do REINO e motivados pelas palavras de Pedro Casaldáliga: “Nossas causas valem mais que nossas vidas”.

Como Prelazia de São Félix do Araguaia, reafirmamos com o Papa Francisco: “Não deixem que nos roubem a ESPERANÇA!”

São Félix do Araguaia, 07 de abril de 2018


3 comentários

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  • Mulher ma
    07 Abr 2018 às 22:20

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  • Zeca
    07 Abr 2018 às 17:00

    O trecho do discurso do apedeuta citado na matéria, já nos transmite o que esse cara alem de tudo, arrogante, pobre de inteligência, irracional!

  • Zé Galera
    07 Abr 2018 às 16:55

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