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Terça-feira, 17 de setembro de 2019

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Pedro Taques é investigado por fazer mais de mil contratações próximo de período eleitoral

Da Redação - Fabiana Mendes

28 Set 2018 - 17:26

Foto: Rogério Florentino / OD

Pedro Taques é investigado por fazer mais de mil contratações próximo de período eleitoral
O Governo do Estado é alvo de uma investigação judicial eleitoral do Ministério Público Eleitoral (MPE), por abuso de poder e conduta vedada. A ação representada nesta sexta-feira (28) é contra o atual governador do Estado, José Pedro Gonçalves Taques, o candidato a vice-governador Ruy Carlos Ottoni Prado, e a atual secretária Estadual de Educação, Esporte e Lazer (Seduc), Marioneide Angélica Kliemaschewsk. De acordo com a assessoria de imprensa, durante os três meses que antecedem o pleito foram feitas mais de um mil contratações.
 
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De acordo com a Procuradora Regional Eleitoral, Cristina Nascimento de Melo, o Governo do Estado realizou durante o período vedado 1030 contratações, conforme informações prestadas pela própria Seduc, por meio de ofício encaminhado no dia 24 de setembro. Trata-se de contratações não só de professores temporários, mas também de serviço de apoio, como vigilantes, nutricionistas e técnicos administrativos.
 
O problema de realização de contratações irregulares de servidores públicos, não é novo e que já foi enfrentado em outras eleições em Mato Grosso. “Esta é uma proibição legal vigente há mais de vinte anos e profundamente conhecida pelos gestores deste Estado. E mesmo assim, noticia-se, um grande número de afastamento de professores e, por outro lado, um grande número de contratações temporárias durante o período vedado”, completou.
 
A procuradora Cristina cita ainda que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já declarou ser proibida a contratação temporária de professores e demais profissionais da área da educação, no período apontado, sob o fundamento de que serviço público essencial em sentido restrito é o “serviço público emergencial, assim entendido aquele umbilicalmente vinculado à sobrevivência, saúde ou segurança da população. (…) Mais ainda: a impossibilidade de efetuar contratação de pessoal em quadra eleitoral não obsta o Poder Público de ofertar, como constitucionalmente fixado, a atividade da educação”.
 
Para o MP Eleitoral, a contratação de mais de mil servidores, em período tão próximo das eleições, ainda que se desse por concurso público, ou seja, da forma mais legítima, transparente e impessoal possível, “causa desequilíbrio ao pleito eleitoral, pois tal fato se transveste e é percebido, pelos contratados, como uma realização do Governo atual”.
 
No documento, o MP Eleitoral ressalta ainda que as justificativas realizadas pela Seduc em relação as contratações realizadas se confundem, e vão desde alegações que seriam contratações indispensáveis como em razão de licença médica, até aquelas que não possuem justificativa alguma. “As justificativas inseridas em algumas das contratações remetem a situações de absoluta previsibilidade, as quais poderiam facilmente ter ensejado a contratação antes do início do período vedado”, enfatiza a procuradora.
 
“Em síntese, o que se observa é que as contratações temporárias, que deveriam ser exceção, tornaram-se regra na SEDUC, que trabalha com 56,17% de professores temporários, isso em situação em que existe concurso público vigente, com possibilidade de nomeação, dentro da legalidade, de 2.314 aprovados em cadastro reserva”, concluiu a procuradora.
 
Diante do exposto, a Procuradoria Regional Eleitoral requereu que proceda o pedido condenatório, de forma a se reconhecer a prática de abuso de poder e conduta vedada.
 
 
 

6 comentários

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  • Teka Almeida
    29 Set 2018 às 17:27

    Já falei e REAFIRMO, pior que fazer o diabo para se reeleger é juntar-se a ele. Quero ver o que a justiça vai fazer, cumprir a lei ou manter a venda nos olhos.

  • O atalaia
    29 Set 2018 às 15:17

    Se a notícia for verdadeira revela uma incoerência da parte do candidato à reeleição e mais uma evidência de que o herói do passado, que prendia bandidos e odiava a corrupção, não passa hoje de um simples mortal, com histórico de envolvimento em ilicitude antes evitada veementemente. Triste fim de um paladino da moral.....

  • joaoderondonopolis
    29 Set 2018 às 14:39

    Fico pensando, como será a vida deste cidadão na justiça, após 31/12/2018.

  • ANA
    29 Set 2018 às 08:29

    NEM COM TUDO ISSO VAI GANHAR ELEIÇÃO.

  • Cuiabano
    29 Set 2018 às 08:18

    Desespero...

  • gilberto
    28 Set 2018 às 18:03

    O sujeira danada essa politica! Pressionaram o Governo de todas as formas pra chamar os concursados e depois entram com processo contra, que nojo, realmente é de provocar náuseas!

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