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Sábado, 25 de maio de 2019

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Testemunha afirma que bombeiros não podem ‘sofrer pane’ e que instrutores percebem limite

Da Redação - Wesley Santiago/Da Reportagem Local - Fabiana Mendes

22 Abr 2019 - 16:52

Foto: Rogério Florentino/Olhar Direto

Testemunha afirma que bombeiros não podem ‘sofrer pane’ e que instrutores percebem limite
O bombeiro Daniel Alves Moura e Silva, que atua há oito anos na corporação, foi ouvido nesta segunda-feira (22), na 11ª Vara Criminal Especializada da Justiça Militar, afirmou que os seus colegas de farda não podem ‘sofrer pane’ e que os instrutores sabem o limite de cada aluno. Ele é testemunha de defesa da tenente Izadora Ledur de Souza Dechamps, acusada de torturar e causar a morte do jovem Rodrigo Claro, em novembro de 2016, durante um treinamento.

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Questionado sobre os limites dos alunos, o bombeiro explicou que, naquele ponto em que eles entram na Lagoa Trevisan, mais de 40% da matéria já foi passada a eles. “Quando coloca o aluno no lago, você cria uma situação nova. As vezes começa a falar que não aguenta, mas estamos colocando-os próximo da realidade, para ter uma melhora, tirar o máximo de cada um”.
 
“Quando vemos que o aluno está passando das fases de angustia, pane para submersão, conseguimos ver.  O afogamento é muito latente para nós. Se o aluno começa a agir de forma forçada, nos beliscando, arranhando, desesperado, você percebe que tem problema. Paramos tudo e jogamos o flutuador. Mas existe uma cobrança. Ele é o profissional, não pode agir desta maneiro, se desesperar, tem vidas que dependem dele”, disse o bombeiro.
 
Daniel ainda pontua que cada um tem um limite e que os instrutores sabem qual é. “Quando montamos uma equipe, queremos os melhores do nosso lado. Tem que dar conta do recado. O aluno aprende que quando está nadando e sente câimbras, ele precisa parar, flutuar e corrigir a pena dele. Isso é ensinado. O que queremos é uma resposta positiva, tirar o melhor de cada um”.
 
O depoimento da tenente Ledur foi adiado novamente. Uma nova data deve ser marcada após a oitiva das testemunhas de defesa.
 
O caso
 
Rodrigo Patrício Lima Claro, de 21 anos, ficou internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e faleceu por volta de 1h40 do dia 16 de novembro de 2016. Ele teria sido dispensado no final do treinamento do curso dos bombeiros, após reclamar de dores na cabeça e exaustão. O jovem teria passado por sessões de afogamento e agressões por parte da tenente Izadora ledur.
 
O Corpo de Bombeiros informou que já no Batalhão ele teria se queixado das dores e foi levado para a policlínica em frente à instituição. Ali, sofreu duas convulsões e foi encaminhado em estado crítico ao Jardim Cuiabá, onde permaneceu internado em coma, mas acabou falecendo.

11 comentários

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  • Mario
    26 Abr 2019 às 23:04

    Pelo que foi divulgado pela mídia sobre o assunto salta aos olhos o despreparo dessa tenente Izadora Ledur de Souza Dechamps, e demais instrutores pela omissão. Ora Eles tinham não só o dever de ensinar mas o dever da tutela da vida de cada aluno confiado a eles ! absurdo!

  • ORDEM
    23 Abr 2019 às 14:18

    O céu sempre será o limite??

  • jr
    23 Abr 2019 às 09:50

    Vetado por conter expressões ofensivas e/ou impróprias, denúncias sem provas e/ou de cunho pessoal ou por atingir a imagem de terceiros. Queira por favor refazer seu comentário e reenviá-lo.

  • Jango
    23 Abr 2019 às 07:56

    Eu entro aqui, para comentar, vem mil palavras a dizer, mas elas não saem porque não se explica o inexplicável, mas temos a certeza que o Rodrigo não volta mas, a saudade dos ente queridos é real. Quando vejo as defesas sendo explicadas e justificadas, quantos Rodrigos irão perder a vida nesses treinamentos...

  • DOMINGOS SANTANA DA CRUZ
    23 Abr 2019 às 06:17

    PARA AS TESTEMUNHAS DA TENENTE LEDUR, ELA E UMA SANTA,E NINGUÉM VÃO FALAREM MAL DELA.

  • Albino Pfeifer Neto
    22 Abr 2019 às 20:31

    A consciência da Tenente é que vai Julgá-la. Se ela realmente não cometeu o excesso ela saberá, porém quando morrer será cobrada por seus atos no ajuste de contas que todos nós temos após a morte. Quanto a justiça do homem já perdi a esperança nela!

  • Geraldo Novais
    22 Abr 2019 às 20:05

    Eu gostaria mto de saber como se faz para ter essa certeza do limite de alguem. De fato consegui td am tirar o melhor desse aluno. Tiraram as sua vida. Assistem tantos filmes de super homens e esquecem da realidade.

  • Gladston
    22 Abr 2019 às 19:47

    Lembram do super herói da cueca por cima da calça? Pois então! Um bom advgado vai fazer você gaguejar ao explicar tanta bobagem que disse nesse depoimento. Agora quero ver se safar dessa, supermam.

  • Moacir
    22 Abr 2019 às 17:55

    Acredito que o bombeiro precisa mesmo de muita coragem, treinamento e preparo físico, mas aí também os preparadores deste pessoal precisam saber até que ponto um aluno suporta tal treinamento. Se não suportar desqualifica o aluno antes dele morrer, não deixar ir ao ponto dele perder a vida, afinal o treinamento é para salvar vidas e o próprio corpo de bombeiros está matando? Neste caso qual foi o mérito do corpo de bombeiros? Não conseguir salvar uma vida é uma coisa, agora provocar a morte de uma vida com o objetivo de salvar outras? Será que ninguém pensa nisso.

  • José
    22 Abr 2019 às 17:53

    Os demunciados pelas mortes do Rodrigo Claro e do Soldado Abinoão Oliveira deveriam ser JULGADOS pela JUSTIÇA COMUM. Vamos ver se não acaba em pizza.

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