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Quarta-feira, 20 de novembro de 2019

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Juiz suspende ação contra Mendes por suposta fraude na compra de jazidas avaliadas em R$ 273 milhões

Da Redação - Arthur Santos da Silva

11 Set 2019 - 10:45

Foto: Rogério Florentino Pereira/Olhar Direto

Juiz suspende ação contra Mendes por suposta fraude na compra de jazidas avaliadas em R$ 273 milhões
O Juiz Cesar Augustio Bearsi, da Terceira Vara Federal em Mato Grosso, suspendeu pelo prazo de 60 dias um processo movido pelo Ministério Público Federal (MPF) contra o atual governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (DEM). A ação julga suposto esquema irregular para a compra de mineradora que teve suas jazidas de ouro em Mato Grosso avaliadas em R$ 273 milhões. 

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A suspensão do prazo, determinada no dia 10 de setembro, terça-feira, serve para que o Ministério Público reúna condições e comprove o pagamento relativo a honorários periciais estabelecidos em R$ 165 mil.

A perícia a ser realizada tem como finalidade a avaliação da área da mina, esclarecendo como a mesma foi vendida e se o valor arbitrado para venda estava correto.
 
Ouvida pelo Olhar Jurídico, a defesa de Mauro Mendes reafirmou inocência e salientou que a suspensão do processo passa apenas pela necessidade de cumprimento da perícia.
 
Conforme informações do MPF, conclusão da investigação afirma que o leilão para a venda de todo capital da Mineradora Salomão foi, do início ao fim, conduzida de forma irregular para beneficiar uma séria de pessoas.
 
O caso envolve ainda juiz trabalhista Luiz Aparecido Ferreira Torres, que determinou a venda da mineradora para o pagamento de indenizações, passando pelo corretor de imóveis que não intermediou a venda da mineradora, mas ganhou comissão.
 
A suspeita também paira sobre os compradores: a empresa Maney Mineradora Casa de Pedra e seus proprietários, Mauro Mendes, Valdinei Mauro de Souza e Jéssica Cristina de Souza (filha de Valdinei).
 
O caso
 
Segundo o MPF, as primeiras irregularidades aconteceram em agosto de 2011, quando o juiz Luiz Aparecido Ferreira Torres determinou a penhora de bens e, posteriormente, o leilão da Mineradora Salomão para levantar dinheiro visando pagamento de débitos trabalhistas no valor de R$ 550 mil a uma ex-funcionária.

O edital de leilão da Mineradora Salomão previa que a empresa não seria vendida por menos de 70% do valor total, estimado arbitrariamente e intencionalmente pelo juiz no valor de R$ 4 milhões.

As empresas Bimetal Participações Ltda e a IDEEP Desenvolvimento de Projetos Ltda deram lance, mas a mineradora foi vencida por R$ 2,8 milhões a Jéssica Cristina de Souza, que, por ser filha e herdeira de um dos sócios da Mineradora Salomão, Valdinei Mauro de Souza, tinha preferência na compra, conforme prevê o Código de Processo Civil.

A venda da mineradora foi adjudicada para Jéssica. Os R$ 2,8 milhões recebidos com o leilão da Mineradora Salomão foram usados para quitar débitos trabalhistas da empresa e para o pagamento ao corretor de imóveis chamado pelo juiz para intermediar a venda.

Depois de ter o controle total da Minérios Salomão, Jéssica alterou o nome da empresa para Maney Mineração Casa de Pedra. E 180 dias após a compra, vendeu 98% das cotas da mineradora para a empresa cujos proprietários são o pai dela, Valdinei Mauro de Souza e o empresário Mauro Mendes.

2 comentários

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  • Walter
    11 Set 2019 às 14:45

    É o que eu sempre digo, pra que existe constituição trazendo um monte de babaquise ate porque todos sabem que as leis estão no Dinheiro ou na posição do cidadão, ate porque esses tempos que o fulano estava sem poder o processo estava andando agora com poder o processo é suspenso, ai o pessoal fica dizendo que os presidios estão super lotados mais vão ver que ninguem tem dinheiro nem posição social.

  • Katia
    11 Set 2019 às 11:49

    Pode acreditar, a Justiça em MT é política, e não é pouco não.

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