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Quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

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Contra rodeios e vaquejadas, MPE propõe ação para barrar manejo de animais em eventos

Da Redação - Arthur Santos da Silva

23 Out 2019 - 17:22

Foto: Reprodução

Contra rodeios e vaquejadas, MPE propõe ação para barrar manejo de animais em eventos
Os promotores de Justiça Joelson de Campos Maciel e Marcelo Caetano Vacchiano, membros do Ministério Público (MPE), propuseram ação civil pública no dia 17 de outubro em desfavor de Mato Grosso visando condenação para que seja fiscalizado e proibido uso ou manejo de animais em quaisquer eventos públicos ou privados no estado. 

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Conforme informado na ação, investigação identificou a existência em MT do que se costumou denominar “práticas esportivas”, envolvendo o manejo inadequado de animais, a exemplo dos Rodeios e das Vaquejadas. “Apurou-se que tais eventos produzem, em especial nos equinos e bovinos, maus tratos de toda sorte, resultando em medo, dor, sofrimento e, em última análise, morte”.
 
A investigação também constatou que não há controle e fiscalização com relação a tais atividades. “Diante disto, após ouvir os possíveis interessados, seus pontos favoráveis e desfavoráveis e, com o objetivo de desmistificar a realidade por trás desses eventos, o Ministério Público do Estado de Mato Grosso, por meio dos órgãos de execução que esta subscrevem, concluem que as práticas esportivas envolvendo animais não podem ser consideradas como manifestações culturais ou integrantes do patrimônio imaterial, tratando-se de atividades verdadeiramente ensejadoras de maus tratos e perturbação animais”.
 
Entre a modalidades indicadas pelos promotores estão: Montaria; Bull Riding ou Montarias em Touro; Bareback Saddle Bronc ou Sela Americana; Cutiano; Provas de Laço; Calf Roping, Laço Individual ou Laço em Bezerro; Team Roping ou Laço em Dupla; Bulldog; Bulldogging ou Steer Wrestling; Paleteadas.
 
Entre os apetrechos citados como instrumentos de maus tratos estão os apetrechos: Sedém, Esporas, Peiteira, Polaco (sinos) e Corda americana.
 
Os promotores argumentam que as modalidades não fazem parte das manifestações culturais de Mato Grosso. “Não faz parte do cotidiano do homem do campo brasileiro a realização de montarias voltadas, única e exclusivamente, a aferir o desempenho de um humano em se manter sobre animal que corcoveia ao ter um sedém contraindo a virilha e esporas cravadas na região do pescoço”.
 
Ainda segundo os promotores, com objetivo de buscar legitimar os eventos, organizadores costumam sustentar que seriam importantes eventos de movimentação de atividade econômica, bem como meio de sustento de milhares de famílias. A tese é rebatida.
 
“Como nos eventos circenses, os rodeios, vaquejadas e espetáculos similares, não podem abrir mão do bem tratar da fauna, silvestre ou domesticada, em nome de um suposto ‘argumento econômico’, posto que a proteção dos animais como um todo é dever de toda coletividade, suplantando, assim, qualquer forma de auferir renda que implique em desestabilização do meio ambiente ecologicamente equilibrado”.
 
Na ação, o MPE pede julgamento final condenando o Poder Executivo “a fiscalizar e vedar, em todo território mato-grossense, a prática de atividades esportivas e/ou recreativas que envolvam o uso ou manejo de animais em quaisquer eventos públicos ou privados, de natureza agropecuária ou não”.
 
O caso foi distribuído ao juízo de direito da Vara Ambiental de Cuiabá.

9 comentários

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  • Fanny
    24 Out 2019 às 08:29

    Que alegria em saber que os animais estão sendo "ouvidos". Obrigada!!!

  • Vinicius de Aguiar Daltro Taques
    24 Out 2019 às 07:59

    Esses promotores são naturais do Estado de Mato Grosso para dizer que a prova de laço comprido não faz parte da nossa cultura? Prepotência e arrogância da parte deles dizerem isso!!!!! Está faltando serviço para os senhores? Meu deus do céu, o homem do campo ver uma propositura dessas frente a nossa cultura, ficarão completamente bestificados.

  • Finalmente
    24 Out 2019 às 07:55

    Finalmente apareceu uma pessoa de bom senso. Eles falam que não tem maus tratos mas quando as pessoas saem de perto. Ele fazem a doma corretiva no animal, ou seja bater, para que o animal faça o que eles querem. Eu vi um cavalo apanhar até sair sangue esses dias. Tem que fiscalizar!

  • Comentarista
    24 Out 2019 às 06:23

    Sem contar no choque que eles levam...

  • Leitor
    24 Out 2019 às 05:37

    Pelo visto o ministério público não tem assunto mais importante para tratar

  • Mauro
    24 Out 2019 às 02:14

    Selvageria, torturas e sevicias aceitas em nome de" tradicoes culturais" e da afirmacao de que sao as unicas atividades economicas viaveis pra esse povo dito civilizado(deficientes cognitivos programados) Peoes, jaguncos agroboys e ruralistas,tsk.

  • Cuiabano Demax
    23 Out 2019 às 23:55

    MPE tem fiscalizar leilões da acrimat, lá tem maus tratos, animais morrendo quando chegam de viagem longa,por fraqueza, debilitado,indea- MT faz visita grossa, da olhadinha MPE pra ver dimensão problema, cuidado tem muita gente influente que vai querer barrar ??

  • silvio lopes de moraes
    23 Out 2019 às 20:21

    MPE tem muitos prefeitos e políticos roubando pra caramba vão cuidar disso e para de incomodar quem trabalha.TA DE BRINCADEIRA ESSES PROMOTORES DESOCUPADOS.

  • Santiago
    23 Out 2019 às 19:12

    Sugiro que sejam ouvidos em AIJ os touros e que lhes sejam feita uma só pergunta: o que vcs preferem, descer pro frigorifico ou permanecer nas arenas? Será que o parquet não tem uma ação melhor para atrair os holofotes?

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