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Sexta-feira, 06 de dezembro de 2019

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Fraudes de R$ 80 milhões envolvendo construtoras geraram dinheiro lavado, diz MPF

Da Redação - Arthur Santos da Silva

29 Out 2019 - 10:55

Foto: Rogério Florentino Pereira/Olhar Direto

Fraudes de R$ 80 milhões envolvendo construtoras geraram dinheiro lavado, diz MPF
O Ministério Público Federal (MPF) detalhou, em denúncia por lavagem de dinheiro contra o secretário de Casa Civil de Mato Grosso, Mauro Carvalho, como a suposta organização criminosa liderada por Eder Moraes levantava recursos, os distribuía e maquiava a origem ilícita.

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Os atos supostamente criminosos receberam auxílio do empresário, delator premiado e operador financeiro Junior Mendonça, que cedeu suas contas para concretizar o que havia sido planejado.
 
Hidrapar
 
O MPF aponta como provável origem do dinheiro supostamente lavado por Mauro Carvalho uma negociação envolvendo Eder Moraes, os advogados Alex Tocantins e Cleber Tocantins e a empresa Hidrapar Engenharia Civil Ltda.
 
Segundo acusação, o ex-governador Silval Barbosa negociou com Kleber e Alex o pagamento de um precatório, no valor de R$ 19 milhões, devido à empresa Hidrapar. Depois de receber este valor, o escritório Tocantins Advocacia, que representava a empresa, deveria “retornar” parte para Silval e Eder.
 
O valor do acordo do precatório foi pago pelo Estado de Mato Grosso em duas parcelas iguais de R$ 9,5 milhões.

Deste valor de R$ 19 milhões transferidos para a conta do escritório, os irmãos Tocantins, orientados por Silval e Eder, realizaram dois depósitos na conta da empresa Globo Fomento, um no valor de R$ 4,750 milhões e outro de R$ 500 mil.
 
Os depósitos, na quantia global de R$ 5,250 milhões, serviram a título de “retorno” para financiar o grupo político.
 
Encomind
 

A empresa Encomind Engenharia e Indústria também é apontada como ponto de origem do dinheiro desviado. Orientada por Eder Moraes, a construtora teria destinado R$ 11 milhões às contas de Junior Mendonça.
 
Segundo informado, a Encomind também foi beneficiada com pagamento irregular de precatório no montante de R$ 61 milhões. Os R$ 11 milhões destinados a Junior Mendonça seria o "retorno" do precatório.
 
O MPF argumentou que, em 2004, a Encomind cobrou judicialmente do Governo do Estado o valor referente a juros e multas pelo atraso no pagamento de obras realizadas entre 1987 e 1990, para as extintas Cohab (Companhia de Habitação de Mato Grosso), Dermat (Departamento Mato-grossense de Estradas e Rodagens) e DVOP (Departamento Viação e Obras Públicas).

Enquanto ação judicial tramitava, o Governo publicou dois decretos, em abril de agosto de 2008, para que a empresa pudesse receber os valores pela via administrativa, e não mais pela via judicial, como a conta vinha sendo cobrada até então.

Segundo a ação do MPF, diante da nítida intenção em repassar a empresa Encomind valor indevido para fins de apropriação de dinheiro público, a única opção existente era um acordo na esfera administrativa, sem homologação judicial e sem qualquer fiscalização de terceiro ou do próprio Poder Judiciário.

O dinheiro a Mauro Carvalho
 
Segundo o MPF, as empresas de Junior Mendonça que operavam como conta corrente clandestina, destinaram R$ 788 mil a Mauro Carvalho. O valor atualizado ultrapassa R$ 1,3 milhão. 
 
O pagamento foi feito por meio de cheque no valor de R$ 388 mil (13/11/2009); no valor de R$ 42 mil (03/12/2009); cheque no valor de R$ 42 mil (03/12/2009); e cheque no valor de R$ 4,9 (04/01/2010). Juntos, somaram a quantia de R$ 477 mil.
 
Em dezembro de 2009, além do valor de R$ 477 mil repassados por meio dos quatro cheques, foram repassados valores no montante de R$ 311 mil, totalizando a quantia de R$ 788 mil.
 
A quantia de R$ 311 mil foi repassada pelo colaborador Junior Mendonça, também a pedido e no interesse do denunciado Eder, para o denunciado Mauro Carvalho, recebidos por intermédios da pessoa jurídica São Tadeu Energética (empresa de Mauro Carvalho).
 
A lavagem
 
Assim, conforme o órgão ministerial, Mauro Carvalho foi beneficiado recebendo "produto ilícito proveniente dos crimes de corrupção passiva, praticada pelo denunciado Eder de Moraes Dias, e de corrupção ativa, praticada por Kleber Tocantins e Alex Tocantins, bem como dos crimes de operar instituição financeira clandestina, praticados pelo denunciado Eder de Moraes dias e Gércio Marcelino Mendonça Júnior".
 
"As operações realizadas pelo colaborador Gércio Marcelino Mendonça júnior, por intermédio de sua instituição financeira clandestina (Comercial Amazônia de Petróleo e Globo Fomento), com o denunciado Mauro Carvalho Júnior serviram para ocultar e dissimular a natureza, origem, localização, disposição, movimentação e propriedade da quantia de R$ 788 mil, proveniente da infração penal antecedente dos crimes contra a Administração Pública e contra o Sistema Financeiro Nacional".

Outro lado 

A assessoria jurídica de Mauro carvalho informou que não vai se manifestar. Conforme o advogado Ulisses Rabaneda, ainda não houve notificação sobre o processo. 

3 comentários

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  • Agripino
    29 Out 2019 às 13:19

    Em 2008 ara governador o Mágico que deu início a grande farra dos precatórios que deu um prejuízo absurdo aos cofres públicos. Agora, muita gente aí deveria estar trancafiada devido ao mal que fizeram ao Estado. Mas, nem com tornozeleira estão.

  • Chico Bento
    29 Out 2019 às 12:37

    Poxa vida, a cada dia aprece mais crimes contra o erário. Por isso o estado mais impostor da Federação está com as finanças em cacos.

  • Manu
    29 Out 2019 às 12:25

    NOTÍCIA REQYENTADA DE NOVO ??

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