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Domingo, 20 de setembro de 2020

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Regenold: empresário alega dificuldades, mas pagou R$ 45 mil em armas trazidas dos EUA

Da Redação - Arthur Santos da Silva

10 Ago 2020 - 14:00

Foto: Reprodução

Regenold: empresário alega dificuldades, mas pagou R$ 45 mil em armas trazidas dos EUA
O Ministério Público de Mato Grosso (MPE) apresentou provas nesta segunda-feira (10) de que o empresário Marcelo Martins Cestari, pai da adolescente que fez o disparo de uma pistola que provocou a morte de outra adolescente no Condomínio Alphaville, em Cuiabá, gastou R$ 45 mil para comprar e receber cinco armas.

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O montante é um pouco menor do que a fiança de R$ 52 mil imposta. Com a apresentação dos fatos, o promotor de Justiça Marcos Regenold Fernandes solicitou em recurso a majoração da fiança para 100 salários mínimos.
 
O gasto com as armas compradas nos Estados Unidos comprovaria também, segundo o MPE, que Cestaria não atravessa momento de dificuldade financeira. O empresário se defende afirmando que sua empresa teve um prejuízo de mais de R$ 600 mil em 2020. Cestari cita ainda a contratação de dois empréstimos nos valores de R$ 500 mil (cada). O cenário ruim seria proveniente da crise gerada pela pandemia do novo coronavírus.  
 
Ocorre que, conforme o MPE, mais da metade do valor gasto na aquisição das cinco armas foi pago durante o período da pandemia. “Ao que parece, a situação alardeada de dificuldade financeira não o impediu de gastar vultosa quantia com objetos bélicos”, afirma o MPE no recurso.
 
O recurso
 
No recurso, o promotor de Justiça Marcos Regenold Fernandes destacou que o empresário alvo da fiança possui alto padrão financeiro. O MPE contesta os argumentos apresentados de que Cestari estaria enfrentando dificuldades.

O promotor de Justiça apontou ainda os efeitos gravíssimos da prática do ilícito que resultou na morte da adolescente. Afirmou também que o empresário não está indiciado formalmente apenas pelo delito de posse de arma, mas também em outros delitos. Em tese, poderá responder por homicídio culposo e por entregar à adolescente arma ou munição.
 
O caso

Marcelo Cestari foi preso em flagrante com duas armas de fogo de uso permitido sem a devida documentação. Na data dos fatos, em decorrência da suposta conduta que vitimou a adolescente Isabele Guimarães Ramos, de 14 anos, a polícia localizou na residência do recorrido sete armas de fogo.

Na ocasião, o empresário foi colocado em liberdade provisória após o pagamento de R$ 1.000,00. Em 14 de julho, o MPE manifestou-se no processo e pugnou pela majoração do valor da fiança para 100 salários mínimos.
 
Em 15 de julho, o juiz aplicou uma fiança em R$ 209 mil. Logo em seguida, a defesa recorreu ao Tribunal de Justiça e conseguiu suspender a decisão. No dia três de agosto, o juízo proferiu uma nova decisão, estabelecendo o valor da fiança em 50 salários mínimos.

5 comentários

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  • Bia
    11 Ago 2020 às 22:08

    Menor manuseando armas ,infelizmente o Sr Bozoloide autorizou ,um absurdo isso

  • Trilha sonoro de horror
    11 Ago 2020 às 08:18

    Eu, no lugar do pai dessa menina que tava com uma arma nas mãos, ficaria era bem quietinho e se me pedisse um milhão, como um cão obediente, pagaria. Afinal, a mocinha entrou viva na casa dele e de lá não saiu nunca mais. Só seu corpo, gelado com uma rocha escandinava. É uma história triste, o cara fica chorando para não pagar, só que comprou quase 50 de mil de armas, pelo que diz ai. É por isso que não concordo com porte de armas pra ninguém, só para a polícia. É um perigo danado entregar uma arma nas mãos de qualquer um. Tá ai o exemplo, a pistola foi parar nas mãos de uma garota.

  • JOSÉ
    10 Ago 2020 às 15:14

    É isso mesmo Sr. Promotor. Inclusive o pagamento necessariamente não precisa ser em espécie, pode ser ofertando bens tipo: Armas legalizadas, carro importado, carros nacionais, jóias, etc.

  • Jose
    10 Ago 2020 às 14:53

    Dificuldades financeira, o advogado contratado deve cobrar três vezes este valor. Todos sabemos que Rabaneda cobra honorários altíssimos. ??

  • Gunther Reuter
    10 Ago 2020 às 14:32

    Preocupação do empresário é com fiança arbitrada. Preocupação dos dois policiais civis é mudar a cena do crime, e da Politec é protelar pelo que tudo indica . Nossa justiça é temerária .

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