Empossado nesta segunda-feira (10) como novo desembargador do Tribunal de Justiça (TJMT), o advogado Ricardo Almeida, que será designado para atuar na Terceira Câmara Criminal da Corte, afirmou que atuará com a experiência acumulada na advocacia para tornar a Justiça pacificadora e ampliar a proximidade entre Judiciário e sociedade. Próximo do governador Mauro Mendes (União), ele refutou que essa relação tenha contribuído para sua nomeação ao cargo, e ponderou que o Tribunal recebe “oxigenação” ao preencher seu quadro com membros da advocacia. Sobre a mancha na imagem da Corte, preferiu destacar as questões positivas.
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Em entrevista concedida após a posse, o novo desembargador afirmou que pretende aplicar no exercício da magistratura a experiência acumulada em mais de duas décadas de advocacia e no período em que integrou o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MT). Segundo ele, seu principal propósito é contribuir para a “pacificação social”.
“Todo o conhecimento e as experiências vividas, os erros e os acertos, serão utilizados em prol da justiça. Acredito na justiça pacificadora, aquela que procura levar a paz”, afirmou.
Ricardo Almeida ingressa no TJMT pelo Quinto Constitucional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), mecanismo que reserva parte das vagas nos tribunais a representantes da advocacia e do Ministério Público. Para ele, a presença de membros oriundos da OAB “oxigena a corte”, trazendo uma visão diferente da rotina forense. “A participação do Quinto Constitucional traz a vivência do outro lado do balcão. A gente traz essa experiência para dentro do tribunal”, observou.
Questionado sobre a ausência do governador Mauro Mendes, responsável pela indicação, Almeida disse que o chefe do Executivo cumpre agenda na COP30, em Belém (PA), e negou que a relação pessoal tenha influenciado na escolha. “Acredito que ele tenha decidido de acordo com a consciência dele”, afirmou.
O novo desembargador também defendeu maior proximidade do Judiciário com a sociedade e disse que pretende se inteirar das práticas internas da Corte, como os núcleos de Justiça Restaurativa, para fortalecer ações voltadas à conciliação e mediação.
“Sou a favor de que o magistrado tenha proximidade com a sociedade, para entender as angústias e necessidades daquilo que ela clama”, declarou.
Sobre a imagem do Judiciário em Mato Grosso, manchada diante da Operação Sisamnes, que afastou dois magistrados por suspeita de negociação de sentenças (Sebastião de Moraes Filho e João Ferreira Filho), Almeida afirmou que prefere destacar as conquistas da Justiça mato-grossense, que está prestes a receber o Selo Diamante do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
“Podemos olhar o copo meio vazio ou meio cheio. Eu prefiro ver o copo cheio”, disse.
Durante a cerimônia de posse, Ricardo Almeida agradeceu à advocacia e às instituições do Estado, afirmando receber a nova missão com “profundo senso de responsabilidade e humildade”. Inspirado na oração de São Francisco de Assis, afirmou que pretende ser “instrumento de paz” no exercício da magistratura.
Indicado pelo governador Mauro Mendes após compor a lista tríplice definida pelo Pleno do TJMT, Almeida assume a vaga aberta com a aposentadoria do desembargador Luiz Ferreira da Silva, que completou 75 anos em junho.