A presidente da Ordem dos Advogados do Brasil - Seccional Mato Grosso (OAB-MT), Gisela Cardoso, afirmou nesta segunda-feira (10) que não chegou à instituição, até o momento, qualquer decisão judicial que cite a advogada Mirian Ribeiro como participante em supostos esquemas ilegais.
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Mirian Ribeiro é esposa do lobista Andreson Gonçalves, apontado pela Polícia Federal como operador de um suposto esquema de venda de sentenças envolvendo ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Segundo a PF, o lobista teria movimentado R$ 2 bilhões em transações suspeitas.
A afirmação da presidente da OAB foi feita ao ser questionada sobre como a Ordem está tratando o caso e se há a abertura de algum processo disciplinar contra a advogada.
“Não há, até este momento, ou pelo menos não chegou até a OAB, qualquer decisão judicial que a coloque como parte de qualquer esquema”, declarou em entrevista no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) nesta segunda-feira (10).
“Chegando essa informação, em havendo, e avançando as investigações, ela [Mirian Ribeiro] ou qualquer outro advogado vinculado a esquemas de compra e venda de sentenças vão sim responder a processo ético disciplinar. Garantido, é claro, ampla defesa e contraditório, como é necessário”, completou.
A advogada Mirian Ribeiro foi citada em reportagem da revista
Piauí, divulgada na última semana, que a relaciona ao escândalo. Segundo a publicação, a esposa do pivô do esquema no STJ tem processos concentrados no gabinete do ministro Moura Ribeiro.
A reportagem identificou que, ao analisar os casos em que a advogada atuou no tribunal, um de seus clientes era o poderoso grupo J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista. A empresa teria acionado Mirian para atuar em treze processos -- três deles sob a relatoria, diz a revista.
“A revista leu os 201 processos em que Mirian Ribeiro trabalhou no STJ e descobriu uma concentração atípica deles no gabinete do ministro Paulo Dias Moura Ribeiro. Desses 201 processos, 47 passaram pelo gabinete de Moura Ribeiro, e 72,5% resultaram em vitória para a advogada”, diz trecho da matéria.
“Em dezesseis deles, Mirian Ribeiro só foi contratada quando o processo já estava sob a relatoria de Moura Ribeiro, um indicativo de que seu sucesso naquele gabinete era um atrativo para a clientela. Nos gabinetes dos demais ministros, o índice de vitórias de Mirian Ribeiro cai para 43,5% dos casos”, completa.
Outro lado
A advogada Mirian Ribeiro vem a público manifestar-se em relação às recentes notícias veiculadas em mídias nacional, estadual e municipal, especialmente à reportagem publicada na edição 230 da Revista Piauí, de novembro de 2025, e demais veículos que republicaram totalmente ou parcialmente o conteúdo, que trouxe à luz uma série de informações inverídicas, acusações infundadas e interpretações distorcidas sobre sua trajetória profissional e pessoal.
A referida matéria utilizou imagens pessoais e expressões que atentam contra a honra, o profissionalismo e a reputação construída ao longo de mais de 25 anos de exercício da advocacia, período em que Mirian Ribeiro sempre pautou sua atuação pela ética, seriedade e respeito aos seus clientes e à Justiça.
Com atuação destacada nas áreas empresarial, civil e pública, a advogada tem escritório em Brasília desde 2002, estendendo sua atuação a diversos estados da federação. Nesse contexto, repudia veementemente o conteúdo sensacionalista e fantasioso publicado pela referida revista, que desconsidera sua trajetória e desrespeita toda a classe de advogados, ao induzir que a competência desses profissionais seria medida pelo status social de seus escritórios ou por sua localização geográfica e não por sua capacidade técnica e ética. Tal narrativa reforça a equivocada ideia de que apenas advogados de grandes escritórios sediados na capital nacional poderiam atuar nos tribunais superiores, desmerecendo profissionais de todos os demais estados do país. Além disso, o texto além de violar o sigilo das investigações, promove ataque de cunho pessoal, com conclusões equivocadas de um inquérito ainda em andamento, sem qualquer conclusão sobre as hipóteses investigativas formuladas.
É importante esclarecer aos leitores que, ao contrário do que sugere a reportagem, não existe qualquer denúncia formal ou acusação apresentada contra a profissional. A matéria, de forma irresponsável, tenta vinculá-la como protagonista ou “vilã” de uma investigação não concluída e cuja a própria PGR já recomendou que as autoridades investigativas delimitem com clareza os pontos de investigação com as respectivas provas.
Destaca-se, ainda, que o jornalista responsável pela publicação ultrapassou os limites éticos e legais da profissão, ao tentar abordar funcionários do escritório e inclusive adentrar o condomínio residencial onde reside advogada, configurando grave violação à privacidade e ao respeito pessoal, em busca de declarações indevidas.
Por fim, Mirian Ribeiro reafirma, seu compromisso com o exercício ético e responsável da advocacia, com seus clientes, confiando que a verdade prevalecerá ao término das apurações competentes.