A presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) - Seccional Mato Grosso, Gisela Cardoso, rebateu nesta segunda-feira (10) as críticas feitas pelo deputado federal José Medeiros (PL), que havia questionado a atuação da Ordem em defender a advogada Izabelle Campos.
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Durante a CPMI que investiga o INSS, o parlamentar se referiu à profissional como "advogada de porta de cadeia" e, ao ser criticado, afirmou que a OAB "exagerou" ao se posicionar sobre o caso, além de classificar como "incompetente" o advogado que protocolou pedido de cassação contra ele.
Gisela Cardoso reafirmou o papel institucional da OAB e declarou que a entidade não se omitirá em defender as prerrogativas da advocacia.
"Na verdade, eu vejo que ele, à míngua de melhor argumento, opta por trazer para a OAB uma situação que realmente não representa. A OAB sempre esteve, sempre estará atenta a todas as situações que, primeiro, vinculam a questão das prerrogativas da advocacia e também enquanto defensora da sociedade", afirmou.
"Infelizmente, e aí eu falo e reafirmo, é inaceitável o que aconteceu no Congresso com a fala do deputado ofendendo a advocacia de forma geral. Então, é papel da OAB, sim, proteger a advocacia, proteger as prerrogativas. E se o deputado não gostou da fala da OAB, eu lamento, mas nós continuaremos defendendo".
O advogado Paulo Grisoste foi quem formalizou o pedido de cassação do mandato de José Medeiros na Câmara dos Deputados, com base em suposta quebra de decoro parlamentar durante a audiência da CPMI do INSS, realizada em 23 de outubro, quando o deputado proferiu a expressão contra a advogada Izabelle Campos.
Izabella estava acompanhando sua cliente, a empresária e médica Thaisa Hoffmann Jonasson, esposa do ex-procurador-geral do INSS Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, que foi chamada para participar da CMPI, mas preferiu ficar em silêncio.
Durante a sua fala, Medeiros usou de ironia ao citar que a obra de Monteiro Lobato, a Banânia, tinha cavaleiros vermelhos que governaram por mais de 18 anos o país e passaram a saqueá-lo de todas as formas.
Ele continuou dizendo que em determinado momento foi aberta uma CPI no Congresso e todos que foram convocados para esclarecer os esquemas, no entanto, instruídos pelos advogados “padrão de porta de cadeia” ficavam em silêncio.