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Com dívida de R$ 100 milhões, grupo da Bimetal ingressa com pedido de recuperação judicial

Da Redação - Jardel P. Arruda

30 Set 2015 - 18:58

Foto: Reprodução

Com dívida de R$ 100 milhões, grupo da Bimetal ingressa com pedido de recuperação judicial
O Grupo Bipar, do qual faz parte a Bimetal Indústria Metalúrgica Ltda e outras três empresas, ingressou com pedido de Recuperação Judicial na 1ª Vara Cível da Comarca de Cuiabá. Conforme o pedido, a intenção é preservar os postos de empregos diretos e saldar uma dívida de cerca R$ 100 milhões com fornecedores, bancos e outros, além de seguir com a execução de mais de R$ 200 milhões em contratos.

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No pedido de recuperação judicial, o Grupo Bipar elenca como uma das causas do procedimento a perda de crédito bancário das empresas em função da exposição política do fundador do grupo, o atual prefeito de Cuiabá, Mauro Mendes, especialmente depois da sua inclusão na investigação denominada Ararath.
 
“Fato preponderante que contribuiu para o agravamento da situação do grupo ocorreu em 2014, depois que Mauro Mendes foi considerado pelas instituições bancárias uma PPE (pessoa politicamente exposta), gerando uma restrição de crédito corporativo e impedindo o aumento do capital de giro das empresas. Devido a este fato e outros de exposição pública de seu principal acionista, o grupo teve parte dos seus limites de créditos bancários reduzidos ou cortados, em um momento em que deveriam ser ampliados para fazer frente a elevação do nível de atividade e faturamento”.

De acordo com Luis Nespolo – Diretor do Grupo a partir do licenciamento do sócio-presidente Mauro Mendes (PSB), prefeito de Cuiabá - entre os motivos que levaram as empresas a recorrer à solução da RJ, prevista pela Lei Federal 11.101, estão quebras indevidas de alguns contratos e inadimplências, o que gerou prejuízos ao grupo. Ele elenca, por exemplo, a demora na aprovação de um pedido de aditamento de valor do contrato mantido pela Mavi com a Matrinchã Transmissora de Energia S.A., para a construção de uma linha de transmissão no Estado de Mato Grosso. A Mavi está ingressando na Justiça Arbitral cobrando uma diferença de execução do contrato no valor de R$ 112 milhões.
 
“A Matrinchã demorou cerca de um ano para apreciar o nosso pedido de aditivo, e isso gerou uma defasagem muito grande entre nossas receitas e despesas, já que no período mantivemos a execução do contrato sem a remuneração devida”.
 
A Mavi também teve problemas com um contrato com a empresa Linha Verde Transmissora de Energia S.A. (LVTE) na execução de uma linha de transmissão entre os estados de Mato Grosso e Rondônia. Esta obra sofreu diversos atrasados motivados pela LVTE, o que vai exigir um reequilíbrio contratual para cobrir os prejuízos.
 
Considerada a empresa - mãe do grupo e a que tem a melhor saúde financeira, a Bimetal Indústria Metalúrgica Ltda acabou incluída no processo da RJ mais por ser a garantidora de vários dos créditos e financiamentos das demais empresas junto a instituições financeiras, do que por problemas de caixa.

Mesmo assim enfrentou alguns problemas na execução de um contrato para o fornecimento de estruturas metálicas para o Consórcio CPM Novo Fortaleza/Infraero para execução completa da ampliação do aeroporto de Fortaleza. Este contrato foi interrompido por litígio entre as partes, prejudicando o seu escopo, pois a Bimetal era um subfornecedor deste consórcio. Neste caso, explica Luis Nespolo, “importamos matéria prima, adquirimos outras no mercado nacional, fabricamos e não conseguimos faturar e receber na totalidade, gerando um prejuízo na ordem de R$ 10,5 milhões que estão sendo objeto de cobrança judicial”.

Ele esclarece, contudo, que a RJ foi a única saída por não conseguir receber os créditos nos prazos previstos. “Se hoje nós recebêssemos todos os créditos que temos na praça, conseguiríamos pagar todas as nossas dívidas e ainda geraríamos lucro real no nosso balanço”, frisa Nespolo.
 
Uma empresa em recuperação deve apresentar em 60 dias um plano de recuperação, com até 150 dias para a sua aprovação pelos credores e posterior homologação judicial. Neste período, explica Nespolo, a empresa tem o benefício suspender ações e execuções.

16 comentários

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  • Maximos
    07 Out 2015 às 04:12

    Um prefeito , deixar sua própria empresa falir ? Acredite quem quiser !

  • Mandruvá
    01 Out 2015 às 15:36

    Ta aí o resultado, política econômica ridícula do PT e as empresas quebrando. O dono tem dinheiro e agora quem vai pro olho da rua são trabalhadores que em sua grande maioria votaram no PT.

  • Lucas Pedro
    01 Out 2015 às 15:18

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  • Izaque Fernandes
    01 Out 2015 às 14:51

    Sério??? Eu votei nele achando que era um bom administrador. Agora que ele não sai da política mais. Não adianta colocar culpa (des)governo da Dilma, que não deu tempo de acumular essa dívida toda.

  • Carlos
    01 Out 2015 às 12:53

    Coincidência. O grupo Bimetal cresceu na era Blairo Maggi, seu padrinho político, e se estendeu com Silval Barbosa. Agora, Mauro Mendes, está ligado ao atual governador. Amanhã, não importante quem estará no poder, com certeza, estará apoiando. Esse é o Brasil.

  • Drika
    01 Out 2015 às 09:43

    Virou moda pedir recuperação judicial?

  • JOÃO SIMÃO
    01 Out 2015 às 09:13

    Se é assim que cuida da própria empresa, imagina do erário. Pobre Capital dos Paiaguás, Boróros e demais indíos.

  • dimais
    01 Out 2015 às 08:15

    Será que esta em apuros? ou será...?

  • Mane
    01 Out 2015 às 07:11

    Voltamos a era fhc. CONCORDATAS!!! Acho que vai pedir tambem na Prefeitura. Tudo é possivel,pois dias atrás sinalizou com atraso de salário. È o GRANDE empresário,cantado em prosa e verso. SÓ FACHADA. Agora vai culpar a Dilma, o dólar , o cambio, o aço, os custos... o vento, o calor,o sol, a lua...

  • José Augusto
    01 Out 2015 às 07:05

    Faliu a empresa dele! isso porque usufrui de todos incentivos fiscais!!!!! Imagina como vai deixar a prefeitura de Cuiaba!!!

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